Vencedores


Sérgio de Almeida Correia,

PSD – O PSD voltou à vitória. Obteve um resultado superior a 38%, ficou a uma dezena de deputados (ou menos visto que falta apurar 4 deputados) da maioria absoluta. É um bom resultado e democraticamente merece os parabéns.  O que não dizer dizer que seja só por mérito próprio. Bem pelo contrário, por aquilo que um pouco mais abaixo escrevi, o seu resultado deve-se em muito à forma como José Sócrates e o PS governaram. Espero que possa contribuir para uma efectiva melhoria do estado do país, cumprindo escrupulosamente os acordos com a troika e que não caia no erro de transformar o Governo da República numa extensão das concelhias do partido. De qualquer modo, nós estaremos cá para o vigiarmos e todos para o punirmos, se for caso disso, dentro de quatro anos.

 

CDS/PP – Uma campanha unanimemente reconhecida como boa, ideias claras e repetidas para que a mensagem fosse assimilada pelo seu eleitorado. Acima de tudo muita confiança e muita fé na sua mensagem. O melhor exemplo deste facto foi que na mesa de voto onde estive, uma senhora saiu da cabine com o boletim na mão e a perguntar como poderia votar em Paulo Portas, porque não viu no boletim a fotografia e não sabia qual era o partido. Vai tornar-se no fiel do próximo Governo e como não se vão comprar submarinos nem aviões de combate nos próximos anos, é natural que Paulo Portas e a sua equipa aproveitem para controlar as investidas do PSD no processo de tomada do aparelho de Estado pelos laranjinhas, assumindo-se como uma alternativa fiável à direita do PSD dentro de quatro anos.

 

Cavaco Silva– O PR, tal como já antes acontecera com o seu antecessor, viu confirmada nas urnas a sua decisão de convocação de eleições antecipadas. Não fez por isso, mas o eleitorado reconheceu a justeza da decisão tomada. Paradoxalmente, será com ele que a esquerda irá contar para refrear os ímpetos e fiscalizar a máquina laranja quando ela começar a enxamear o Estado.

 

Manuela Ferreira Leite – Queria afastar José Sócrates do Governo e da oposição e conseguiu. Foi o seu único objectivo para estas eleições e concretizou-o. Resta saber se dentro de quatro anos o País estará no estado em que o seu partido o deixou em 1995 ou em 2005.

 

CDU/PCP – Solid as a rock. A CDU/PCP não cresce nada de significativo, mas ainda assim cresceu. Um deputado pouco acrescenta. O seu eleitorado é impermeável aos discursos alheios e às crises. É uma família coesa que se dedica a tomar conta da sua horta. Alimenta-se a si própria, mas também não cria problemas aos vizinhos. A CDU corre sozinha no seu próprio campeonato e de quando em vez consegue convidar mais alguns para a festa.

Um comentário em “Vencedores”

  1. Boa análise, Sérgio. Concordo plenamente. Sobretudo no que diz respeito à questão das clientelas e dos compadrios partidários. Se PPC (com a ajuda de PP) conseguir travar pela 1ª vez desde o 25 de Abril, com essa miserável doença do nosso regime (e isto é porventura ainda mais difícil que aplicar o programa da “troika”), então até terá conquistado espaço de manobra para falhar alguma coisa no referido programa (coisa que irá inevitavelmente suceder, tal é a situação miserável em que o país foi deixado). Ideal era que o PS encontrasse a liderança excepcionalmente séria para a situação excepcional em que o país se encontra. Não há grande espaço de manobra para uma oposição do PS feita nos moldes tradicionais. “HERANÇA” é a palavra que quase tudo explicará nos próximos 3 ou 4 anos. Talvez antes disso, daqui por 2 anos, um governo já desgastado, possa ser refrescado com a presença de um PS responsável.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *