Vencedores (28)


Pedro Correia,

Paulo Rangel

 

Deixas criar às portas o inimigo

Por ires buscar outro de tão longe,

Por quem se despovoe o Reino antigo,

Se enfraqueça e se vá deitando a longe!

Buscas o incerto e incógnito perigo,

Por que a fama te exalte e te lisonje,

Chamando-te senhor, com larga cópia,

Da Índia, Pérsia, Arábia e de Etiópia!

 

Os Lusíadas, Canto IV

4 comentários em “Vencedores (28)”

  1. O velho do Restelo e não só, Pedro. Já também aqui se comentou que para as Europas foram, propositadamente, enviados aqueles que mais sombra poderiam fazer daqui a 3 meses aos cabeças de cartaz para consumo interno. E já que estamos em maré de citar Os Lusíadas, aqui vai uma do Canto II:

    «Vereis a fortaleza sustentar-se
    De Cananor, com pouca força e gente;
    E vereis Calecu desbaratar-se,
    Cidade populosa e tão potente;
    E vereis em Cochim assinalar-se
    Tanto um peito soberbo e insolente,
    Que cítara jamais cantou vitória
    Que assi mereça eterno nome e glória.»

    e estoutra, do Canto IV, especialmente para o nosso amigo Vital e para o “seu” PS:

    »Eu sou bem informado que a embaixada
    Que de teu Rei me deste, que é fingida;
    Porque nem tu tens Rei, nem pátria amada;
    Mas vagabundo vas passando a vida.
    Que quem da Hespéria última alongada,
    Rei ou senhor, de insânia desmedida,
    Há-de vir cometer, com naus e frotas,
    Tão incertas viagens e remotas?»

    Não haja dúvida, que este Luiz sabia mesmo muito!

    Um abraço.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *