A Isabel já o disse, mas não faz mal reafirmar: a falta que faz. Hoje faria anos. Resta-nos o que nos deixou.
soneto do amor e da morte
quando eu morrer murmura esta canção
que escrevo para ti. quando eu morrer
fica junto de mim, não queiras ver
as aves pardas do anoitecer
a revoar na minha solidão.
que escrevo para ti. quando eu morrer
fica junto de mim, não queiras ver
as aves pardas do anoitecer
a revoar na minha solidão.
quando eu morrer segura a minha mão,
põe os olhos nos meus se puder ser,
se inda neles a luz esmorecer,
e diz do nosso amor como se não
tivesse de acabar, sempre a doer,
sempre a doer de tanta perfeição
que ao deixar de bater-me o coração
fique por nós o teu inda a bater,
quando eu morrer segura a minha mão.

É mais que justa esta dupla evocação de Vasco Graça Moura hoje no DELITO. Este soneto, Patrícia, é para mim um dos mais belos poemas de sempre da língua portuguesa.
Faço coro com o Pedro. Também gosto muito deste poema. E é nos textos, belíssimos, da sua vasta obra que Vasco Graça Moura continua connosco.
Na sua obra e como exemplo de corajosa denúncia e rejeição – infelizmente para bem limitada audiência – do repugnante AO90.
Costa
🙂 Bom domingo, Isabel, Pedro e todos os que por aqui andam.