Morreu hoje, aos 89 anos de idade o Prof. Urbano Tavares Rodrigues, grande romancista cujo legado literário é reconhecido em Portugal e no estrangeiro.
Comunista que nunca deixou de o ser, a sua obra está profundamente marcada pelo Alentejo onde nasceu e viveu uma parte da sua vida.
Conheci-o e à sua mulher há alguns anos e guardo dele a imagem de um homem de trato muitíssimo agradável.
Um revolucionário romântico, como mostram as duas respostas que deu a Luis Leal Miranda, que o entrevistou em 2010, e que transcrevo em seguida:
“…Sei que deixou as suas propriedades no Alentejo aos camponeses. Porquê?
Depois do 25 de Abril, quando começou a reforma agrária, eu e o meu irmão entregámos as terras aos trabalhadores alentejanos. Foi um gesto romântico, separei-me de uma casa da qual tinha um amor profundo.
Foi um gesto carregado de ideologia também.
Se não fosse isso era hoje um homem rico. Mas não quero saber. Fiz aquilo que achava certo e coerente com as minhas convicções.”…
Foi um gesto carregado de ideologia também.
Se não fosse isso era hoje um homem rico. Mas não quero saber. Fiz aquilo que achava certo e coerente com as minhas convicções.”…
Era uma certa forma de utopia que, para o bem e para o mal, já não se encontra hoje. À viúva e ao filho António um sentido abraço.


Uma grandeza de valores e a congruência elevada ao seu expoente máximo!!
Querida, há uns meses o mais velho quis entrevistar o Urbano, eu liguei, ele acedeu, sem bem disposto, e meu Sebastião, quando o recolhi, estava de lágrimas nos olhos a dizer que tinha “tido um encontro com a História”. Eu amava o Urbano. A sua generosidade para com os autores mais novos, a sua atenção, a bondade com que falava com todos, como concordava que discordava e a sua enorme generosidade. Ideologicamente podíamos discordar, pouco importou para a nossa amizade. Hoje perdi um amigo. Beijos querida