A Bunch of Meninos, dos Dead Combo.
Podia ter constituído um epifenómeno, com a duração de um par de álbuns. A música podia ter estagnado, não ultrapassando o efeito de novidade. A imagem, elaborada mas altamente irónica e artificial, podia não ter resistido ao desgaste. E, contudo, Tó Trips e Pedro Gonçalves têm conseguido expandir e variar a sua música de modo a não dar espaço a acusações de rentabilização de uma fórmula esgotada, impedindo de caminho que a imagem surja como simples truque de marketing. A Bunch of Meninos segue uma direcção menos claro do que Lusitânia Playboys ou Lisboa Mulata, contendo uma amálgama ainda mais abrangente de fado, western spaghetti, jazz, rock’n’roll, sonoridades mariachi e africanas. Aqui e ali tem bateria e percussões mas, globalmente, parece mais simples e descarnado do que os discos anteriores, sendo por isso menos imediato. Fica a pergunta de sempre – e agora, para onde? -, feita com muito mais curiosidade do que cepticismo.
(Porque os temas que ilustram são bastante diferentes, incluo dois vídeos.)
