Uns quantos álbuns de 2014 (10)


escafandro,

 

St. Vincent, de St. Vincent.

 

Annie Clark incomodou muita gente em 2014. Produziu um vídeo tão estilizado e cerebral que mestres zen e especialistas em feng shui ainda estão a reordenar ideias. Respondeu às acusações de ser uma tipa fria e cerebral – a repetição do termo é propositada – com uma actuação no Saturday Night Live que incluiu sons à guitar hero, executados (por uma mulher, valha-nos deus) com passinhos de bebé e expressão impassível (o vídeo acima permite uma ideia, embora aproximada). Cantou – com aquele tom (e pose) de quem percebeu a piada três quartos de hora antes de todos os outros – acerca do momento em que sentiu vontade de se despir em pleno deserto, acabando a fugir nua de uma cascavel (a história foi apresentada como verdadeira – mas será?). Também cantou (em pose e tom similares) a tirada do ano (de acordo com a votação de um membro do Delito de Opinião) : Oh, what an ordinary day, take out the garbage, masturbate… I´m still holding for the laugh. Tudo isto partindo de um álbum a que decidiu não dar outro título que não o seu nome artístico, sabe-se lá se por pretender garantir que tudo o que lá vem são reflexos genuínos de quem ela é na verdade, se por ter chegado à conclusão de que chamar-lhe Actor (como o que lançou em 2009) ou algo parecido se tornou redundante. Quando a pose (para mais, ferozmente inteligente) é mantida em permanência, ainda faz sentido chamar-lhe pose?

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