Unhappy ending


Pedro Correia,

 

Alguém se lembra de Sunil Chhetri? É um sorridente rapazinho oriundo da Índia que há meia dúzia de meses foi apresentado como um promissor reforço do Sporting e um homem capaz de abrir as vastas portas do vasto subcontinente indiano às aspirações leoninas. A coisa na altura originou reportagens televisivas, entrevistas e extensos artigos de jornal alimentados pela excelente máquina promocional de que Godinho Lopes então dispunha, capaz de transformar uma cabeça de alfinete no USS Enterprise.

Chegámos até, na altura, a ler linhas como estas: “O acordo enquadra-se numa perspectiva de internacionalização da marca do clube de Alvalade, que aposta num mercado com mais de 1200 milhões de pessoas.” Na página do clube na Internet, falou-se em “dia histórico”. Enquanto Godinho Lopes, num assomo de megalomania patrioteira, proclamava estas palavras de teor épico que fariam Vasco da Gama corar de inveja: “Queremos apoiar o desenvolvimento do futebol na Índia.”

O problema destas histórias que alimentam rios de propaganda, muitas vezes, é o seu desfecho. E o desfecho surge hoje, numa notícia de escassas cinco linhas impressas no diário desportivo O Jogo: “O jogador indiano Sunul Chhetri, que o Sporting contratou esta época ao Mohun Bagan AC, está de regresso ao seu país. O avançado, que participou somente em três jogos pelo Sporting B na II Liga, foi emprestado ao Churchill Brothers até final da época.” (O sublinhado a negro é meu).

Desta vez, no momento da despedida, o simpático indiano não tinha holofotes televisivos nem batalhões de jornalistas no aeroporto…

 

Quadro: Vasco da Gama perante o Samorim de Calecute, de Veloso Salgado (1898)

8 comentários em “Unhappy ending”

  1. o samorim parece interessado no que o gama diz e parece nem precisar de tradutor (o gama certamente estava a falar na linguagem do import-export da época).

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