Uma vergonha


Pedro Correia,

Prática inaceitável e vergonhosa revelada em reportagem da RTP: deputados de vários partidos – alguns até residentes a poucos metros da Assembleia da República – recebem ajudas de custo diárias e “abonos de deslocação” por indicarem no Parlamento moradas longínquas como habitação permanente. Enquanto no Tribunal Constitucional deixam evidente que residem em Lisboa.

Parabéns à Sandra Machado Soares pela investigação. Eis um exemplo de bom jornalismo.

14 comentários em “Uma vergonha”

  1. Sobre outros esquemas…falemos nos autarcas locais, presidentes de câmara:

    Por exemplo, na Maia:

    (Até 40 mil eleitores ou mais)

    Os presidentes recebem 50% do vencimento do Presidente da República: €3624,41, mais despesas de representação, mensais, de €1110,97. – ou seja por mês, quase metade da remuneração mensal….

    Então se existem Empresas Municipais, ou de Gestão Municipal, por exemplo o Metro Porto:

    Mais 1000€ adicionados ao vencimento mensal e despesas de representação do presidente autarca:

    https://www.metrodoporto.pt/uploads/writer_file/document/317/171026_Remunera__es_dos__rg_os_Sociais.pdf

    Só isto já dá, por mês, mais de 5000€

    Se adicionarmos ainda a Lipor, uma empresa de gestão de resíduos intermunicipal:

    https://www.lipor.pt/pt/a-lipor/quem-somos/conselho-de-administracao/

    Dará, decerto, mais uns cobres , em despesas de representação….a opacidade é muita não encontrando, na net, os respectivos valores remuneratórios.

    Por alto:

    Presidente de Câmara de uma “grande cidade” – perto de 7000€/mês…

    Alegadamente…não sou muito atento e tenho deficit de atenção, aviso já!!

    1. Não é só os deputados que têm baixo nível. É o povo português em geral. Falsificar residências é uma prática bastante vulgar em Portugal.

  2. Mas não são somente os deputados. Falsificar a morada é uma prática muito corrente em Portugal. Muito gente faz, para diversos efeitos: para obter lugar de estacionamento de borla (finge-se que se mora em Lisboa quando na realidade só se vai lá de vez em quando), para receber subsídios agrícolas (finge-se que se mora no Alentejo quando na verdade só lá se vai de vez em quando), para inscrever os filhos numa escola supostamente boa, etc.

    Por algum motivo os deputados sempre recusaram instituir em Portugal um esquema muito simples como o que existe na Alemanha, país onde todos os residentes têm que declarar às autoridades o seu local de residência, esse local é único e vale para todos os efeitos e para todas as relações com as autoridades.

    É porque, não somente para os deputados como para muito boa gente, dá muito jeito poder ter diferentes residências para diferentes efeitos.

  3. Peca apenas por tardia. Não ter reportagens-irmãs em autarquias e empresas públicas é pecado de outros.

    Esperam-se frutos. No jornalismo, na Assembleia, na sociedade.

    Parabéns à Sandra Machado Soares. E a quem lhe deu espaço de manobra.

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