Hoje fiz uma sesta. Arrependi-me. Acordei estremunhado e corri para o computador a dar-vos conta do meu sonho.
Foi-me revelado que o género literário por excelência deste governo é a ficção. Leram todos os autores do género, misturaram um pouco de Maquiavel, adicionaram uma pitada de novas tecnologias e assim construíram uma nova figura sinistra de fazer inveja a Orwell.
Não era o “Big Brother” que nos controla todos os passos e reduz a nossa existência a um número único.
Não era uma central de informação que intoxica a comunicação social.
Era um “chip” que colocavam nas matrículas dos automóveis. No sonho, afiançavam-me que vou ter seguros mais baratos, só pagar quando circulo etc. etc. etc. mas eu, escaldado que estou com as sucessivas justificações deste governo para voltar atrás em relação ao que anunciara, vi em cada ministro um Mr Pickwick travestido de Lobo Mau, pronto a devorar os incautos “Capuchinhos Vermelhos” . E quando durante o sonho me disseram que vou ter de pagar um “chip” para que espiolhem a minha vida, pedi para ser transformado em Astérix!
Foi nesse momento que acordei e comecei a pensar no assunto.
Eu acredito que aquele ar de cachorrinho indefeso de um membro do governo na Assembleia da República, quando toda a oposição atacava a ideia, seja sincero. Eu não ponho em dúvida que a intenção seja a mais piedosa e que o "chip” sirva apenas para o que o governo diz (o que, convenhamos, já não é pouco).
Não deixo, porém, de manifestar os meus receios. Em primeiro lugar, porque um dos objectivos é obter informação para o planeamento de infra-estruturas. Ora já estou a ver a cena… um tipo qualquer descobre que há muita gente a ir para uma praia escondida, por um caminho de terra batida onde só é possível chegar num 4×4 e alvitra: “Eh pá e se construíssemos ali uma estrada, para evitar que esta malta estrague os automóveis?”
A ideia até parece boa e piedosa, mas eu não gostaria de a ver em prática, pois assim qualquer dia as raríssimas praias onde se pode estar mais ou menos sossegado durante o Verão desaparecem.
Depois, há que pensar quem vai gerir a coisa. Num país onde o segredo de justiça é constantemente violado, sem que nunca se descubra quem foi o “bufo”, quem me garante a mim que um dia não receba uma carta de um chantagista qualquer a informar: “passas para cá 10 mil euros, ou digo à tua mulher que estavas a namorar com outra num pinhal esconso. Está tudo lá no chip!”
As hipóteses de invasão da privacidade de cada um poderiam multiplicar-se, mas opto por perguntar:
Se um dia o poder cair nas mãos erradas, que garantias me dá o actual governo de que os “chips” não serão utilizados para fins menos recomendáveis? Nenhuma. Ora isso assusta-me e – depois de tudo quanto me foi revelado durante a sesta – chega para concluir que esta história do “chip” é uma pulhice.
Não durmo mais a sesta, para não ter destes pesadelos!

Sempre que falam das portagens nas SCUTS eu pergunto uma coisa que ainda ninguém me soube responder: como é que os turistas (e já agora os emigrantes de férias por cá) vão ser obrigados a circular com o tal chip para poderem pagá-las?
Abro uma excepção e respondo a um anónimo, só para dizer que essa é uma boa pergunta. Alguém sabe responder?
E desde quando é que as leis passaram a ser bem feitas???
Porra! Desculpem lá o vernáculo, mas também nunca mais nunca mais tiro uma pestaninha à tarde!
Até disse ‘nunca mais’ duas vezes. Melhor, que é para não me esquecer.
À vontade João! Quanto a repetir o nunac, pensei que estavas a ironizar com o Bond, James Bond, no filme ” Never say never again”!
Repetir o ‘nunac’ é mais do filme ‘Nevre sya nevre agani’. Hehehe…
Eu com uma sesta dessas, já ficava era com a noite em branco.
As noites em branco dão jeito, para se estar aos poderes ocultos que lançam campanhas negras…
Credo, que isto mais parece uma segunda-feira!
Oh Carlos, já viu para o que é que deu a sua preguiça?
Ah,é verdade, Patti… esqueci-me de dizer que sesta não é preguiça! É uma forma eficaz de revitalizar o espírito e aumentar a produtividade. O probleam é quando temos pesadelos, mesmo com figuras de banda desenhada como protagonistas
Então para a próxima sonhe com a carochinha, que essa ao menos encontrou dinheiro a varrer a cozinha.
Sim, sim. Depois foi para a janela: ‘Quem quer casar com a carochinha…’ Passou a culpa e disse-lhe: ‘Está calada que eu já cá ando há muito e acho que vou morrer solteira!’
Aí é que está enganado! As carochinhas de hoje, já não vão para a janela à procura de marido.
Depositam no banco, porque ouviram dizer que são eles que vão pagar a crise.
Agora quer-me ver como João Ratão, Patti? Não quero morrer afogado no caldeirão…
Espero bem que não, Patti! Ando cá com um soninho!
Podia ser pior. Já imaginou sonhar que o Santos Silva era o nosso representante na Cimeira de defesa e se propunha malhar em todos. Pelo menos os russos só querem malhar em alguns. E o Joe Biden? É a estreia oficial dele. Onde a geopolítica se volta a cruzar com a economia: http://ovalordasideias.blogspot.com/2009/0 2/obama-e-putin-distancia-na-cimeira-de.h tml
Abraço,
Carlos Santos
Não me queira mal, Carlos. Olhe que para pesadelo já chegou! Esse Santos Silva tem umas iniciais apropriadas à figura. SS…
Por estas e outras é que nunca gostei de dormir a sesta. Nem quando era pequenina.
Quanto ao chip nem o meu cão tem quanto mais o carrinho.
Estas suas espanholices já me tiraram o sono.
Pior do que sestas destas, só mesmo estar acordada, a ver que não faltará muito para que as famílias desempregadas deste país nem uns ‘fish & chips’ possam comer, depois de terem entregue as casas, os automóveis e os cartões de crédito aos bancos que tão bem os acarinharam quando foi para realizar as operações de empréstimo, mesmo que a análise aos rendimentos apresentasse um risco elevado……