Assim que recomeço lentamente a pisar o quotidiano dos comuns mortais, recorro ao esforço de que sou capaz para me actualizar e acabo muito confundido. Depois de ler uns títulos do dia e de ouvir-lhes e ver-lhes os desenvolvimentos televisivos, baralho comboios com pepinos, aviões com alemães, o Mendonça com o Irão e sei lá que mais. Antes que a coisa piore, paro para recuperar o fôlego e pôr as ideias em ordem.
A CP continua a engrossar o calendário das linhas paradas, não é? Quem é que se lembrou, ainda há dias, de que seria bom vir a vender algumas linhas de comboios? Depois de desdobrar a velha CP numa quantidade de empresas públicas deficitárias, que tal começar por vendê-las enquanto os salários e prémios de gestão ainda são tentadores em toda a Europa? Depois, se ainda for mesmo preciso vender algumas linhas, não se esqueçam de que convém consultar outros sucateiros além do Godinho, sim? Ah… É “linhas” no sentido de ligações entre dois pontos? Então hão-de substituir-se mais tarde pelo TGV. Perguntem ao ainda ministro Mendonça num daqueles dias em que ele diz que o TGV não vai ser suspenso, mas vai mesmo avançar.
A TAP também anuncia paragens no Verão? Fixe. É precisamente quando deve ser posta à venda: “Vende-se empresa comercial de aviação de bandeira. Maneirinha e em bom estado. Sem problemas de trabalho, que os empregados estão distraídos em casa.” Até lá, pode seguir-se o exemplo da CP: privatizam-se algumas rotas, a começar pelas ligações com a Alemanha, que os alemães não são de fiar e andam um bocado mal-humorados com a gente.
Viram o que disse o Irão à chanceler alemã que lhe quis atravessar o espaço aéreo? “Vai de volta.” Claro. O Irão teve medo que o avião de Angela Merkel começasse a lançar-lhe em cima a nova arma que anda a alarmar o mundo. Sim, que já toda a gente percebeu que os pepinos assassinos, se só aparecem na Alemanha, devem ser alemães. É bem feito. Se a Alemanha já tivesse comprado a nossa companhia aérea, não só a nossa dívida seria agora mais pequena, como a chanceler teria podido atravessar o Irão num avião da TAP sem que Ahmadinejad sonhasse quem ia lá dentro.
Não é que estou a escrever sobre rotas que cruzam os céus e sobre linhas férreas e dou comigo agora a ouvir o Louçã dizer que «os portugueses têm que fazer arreformas narruas»? Que coisa mais fora de moda. Os bloquistas que vão propor a luta armada à Alemanha para ver como elas doem. É que põem-nos logo nos campos a destruir os pepinos e a arranjar tomates modernos.



Que bom ver-te por aqui, João :))) Mil beijos
Obrigado, Leonor. Beijos para ti.
Tinha a certeza que ainda vinhas por aqui a tempo de te despedires do Mendonça, João.
Eu nem seria capaz de me perdoar, Rui.
É bom ver-te de volta, João. O ministro Poceirão Mendonça é que já tomou bilhete só de ida. Para Caia, claro. Aliás a cair já andava ele desde que tomou posse.
Obrigado, compadre. Se o homem não avançasse para cair, só lhe restava ser suspenso até cair. Qualquer dos casos já servia. Como, aliás, está a servir na perfeição.
Se tirarem as asas aos aviões, já que a TAP vai fechar, os aviões podem dar belas carruagens de TGV. Basta pôr-lhes umas rodinhas…
É só uma ideia.
Que bom ver-te, João!!
Que bom contar contigo, Ana. Beijinhos.