Já houve vários resumos às autárquicas, partidárias e locais, já se falou na vitória amarga do PS, na derrota doce do PSD, no esvaziamento da CDU, no CDS que se equilibra em arames, no Bloco que continua sem peso autárquico, nos razoáveis mas demasiado histéricos ganhos do Chega, no voto urbano da IL, no peso dos independentes, mas não vi nenhuma análise profunda aos nomes dos candidatos do Alentejo.
Permitam-me então felicitar, no Alandroal, Aranha Grilo (será entomólogo?), que bateu Saruga Matuto; Pena Sádio, de Estremoz; em Mora, 45 anos de presidência de PCP acabaram com o triunfo de Calado Chuço sobre Fortio Calhau; no Redondo, Fialho Galego soube fazer frente a Palma Grave e Rega Recto; em Vendas Novas, Hortelão Aldeias não logrou a reconquista; já na ducal Vila Viçosa, Ludovico Esperança ganhou a autarquia calipolense fazendo jus ao nome, para desconsolo de Canhoto Consolado e do desventurado Ventura Mila.
Mais para baixo, Mestre Bota mantém Almodôvar e Penedo Efigénio roubou Alvito a Feio Valério; Cuba é bem nacional quando Casaca Português não dá veleidades a Burrica Caniço; o histórico Pita Ameixa permanece em Ferreira do Alentejo e em Moura, apesar dos esforços de Ventura, Floreano Figueira não conseguiu destronar Pato Azedo e igual sorte tiveram André Linhas Rôxas e Fialho Acabado. Ao lado, em Serpa, Véstia Moisão, Efigénio Palma e Torrão Félix tiveram de se conformar com a vitória de Tomé Panazeite.
Mais a Norte, em Arronches, Ventura Crespo não deu hipóteses a Moacho Feiteira, Vicente Batuca e Amiguinho Cordeiro. Parabéns a Gonçalo Amanso Pataca Lagem, em Monforte, e lamente-se a derrota de Rosmaninho Bichardo em Nisa.
Mesmo não tendo o seu partido ganho a câmara, assistimos ao regresso autárquico do grande poeta elvense Chocolate Contradanças (que será feito de Borrega Burrica, de Campo Maior?). Lamentável a todos os títulos é o triste exemplo de Évora, que voltou a dar o triunfo, embora curto, a Carlos Pinto de Sá, em detrimento de Henrique Eva Sim-Sim e sobretudo de Raul Arromba da Silva Rasga.
Um abraço para o Alentejo, com desejos de felicidades aos novos (e velhos) autarcas.
Haha!
Interessante busca de apelidos das gentes alentejanas.
Os Pereira, Ferreira, Silva, Gomes, Cardoso e outros assim são quase todos de origem toponímica, que praticamente chegaram até ao Tejo, acabando no Pero de Sintra. No além Tejo são todos de origem de actividade e alcunha. Provavelmente, ainda de influência árabe, ou falta de influência da igreja.
Vocês e a mania da “influência árabe”, que não existe neste caso. E nem foram os árabes que invadiram a Península.
Com certeza que o sul, além do Tejo, tem grandes influências árabes.
Quando os árabes invadiram a Península já no al Garbe até ao Tejo havia pouca gente visigótica que rapidamente se “cruzaram” com eles e quatrocentos anos depois restavam uns poucos de moçárabes em Lisboa. E tal como os árabes usam adjectivos e apelidos (o bondoso, o guerreiro, o caçador) nos seus nomes, também no Alentejo e Algarve assim aconteceu.
Provavelmente ou não.
Um ex-professor, dono de um apelido também ele peculiar, disse-me que esses nomes pitorescos viriam de quando a plebe passou a também possuir sobrenome, até então reservado às famílias nobres. Como não havia linhagem, escolhiam algo que lhes fosse próximo. Possivelmente o antepassado do Henrique era gago, e quando lhe perguntaram qual o apelido a escolher respondeu que Sim.
Já deve ter havido uns estudos sobre o assunto
Já houve com certeza e teria gosto em ler algum para perceber de onde vem tanto apelido bizarro e pouco patronímico.
Há um lapso no que diz respeito ao nome do próximo Presidente da câmara de Serpa: não foi Tomé Panazeite (PS) que venceu, mas o João Efigénio Palma (CDU).
Serpa é o eterno município PCP, infelizmente. Não dê mais desgostos ao Jerónimo de Sousa.
As minhas desculpas aos visados, então. Lembro-me que o antigo dinossauro local tinha um nome bastante comum, João Rocha, talvez por ser do Minho. Nem Nicolau Breyner o tirou de lá.
Felicidades?
“Sim-Sim”, primeiro “Arromba” e “Rasga” depois finge-se “Amiguinho” dos alentejanos.
Este texto é “Feio”, depois de “Acabado” de ler não me senti “Consolado”, senti-me “Calhau”, sem “Esperança”, deixou-me na boca um sabor a “Pato Azedo”.
As minhas desculpas, embora pelo apelido, não sei de é do Alentejo ou do Alto Minho
Gostei. Podia passar-me o sal, por favor?
Está ao seu lado, meu caro.
Damásio Pila, o lubrificador de Vila do Conde, apoia este texto.
Esse era mais da margem Sul do Tejo.
E então o Joaquim Piça?
Que os colegas evitavam escrever cartas a amigas comuns, para não de finalizar com um ‘Cumprimentos do Piça para ti’, ou ao contrário ainda podia ser pior ‘dá beijinhos no Piça’.
Isto é autêntico.
Ahahah — estiva a acreditar até ao “Pato Azedo”
A não ser que tenham passado nomes falsos, é o presidente da câmara de Moura.
Obrigado! Já vou ter um fim-de-semana mais bem disposto!
Sabe o porquê de certos nomes alentejanos? Não é por acaso.
Certos nomes alentejanos? O problema não é nos nomes é nos apelidos que na maioria são relacionados com a actividade e alcunha. Em muitas zona do Alentejo havia os montes (aldeias) que não tinham nem igreja sequer, e quando registavam a criança na Vila lá vinha o ‘Fernando quê?’, eu cá sei ‘o pai é o Manel rapado a mãe é a Jaquina das ovelhas’, e ficava Fernando Ovelha Rapada.
Uma delícia. Em tempos conheci um sr que se chamava Penetra Murcho…
Pedro Cunha
Estava na antiga lista telefónica: Maria Augusta dos Prazeres e Morais