Papa Francisco, na exortação apostólica A Alegria do Evangelho
Barack Obama, de visita ao Vaticano, pede ao mundo para “ouvir a voz do Papa”. É um apelo desnecessário: o mundo escuta a voz de Francisco. O mundo católico, o mundo agnóstico, até o mundo ateu.
“O Bispo de Roma, que os cardeais encontraram no fim do mundo, verifica que a situação dos povos que se mantiveram mais ou menos ligados ao seu ministério não lhe deixa esquecer a que enfrentou na maior parte da sua vida de sacerdote”, destaca Adriano Moreira.
O socialista Pedro Silva Pereira, também católico assumido, não esconde a sua admiração pelo argentino que “já logrou uma proeza notável: fez renascer a esperança na renovação da Igreja Católica”.
Mário Soares, que nunca foi católico, confessa ter como “ídolo” o chefe da Igreja Católica.
Francisco Louçã, descrente em matéria religiosa, elogia a “clareza do discurso” do Sumo Pontífice e não tem dúvidas pelo menos nisto: “É um Papa alegre e não encontramos nele outro calculismo que não seja o da sinceridade.”
Até a inabalável esquerda.net adverte: “Seria um erro que as forças progressistas ignorassem as mudanças no Vaticano.”
Perante tudo isto, surpreende-me ainda hoje que em Março de 2013, quando a Assembleia da República aprovou um voto de saudação pela eleição do primeiro Papa não-europeu em 1200 anos, três forças políticas tenham recusado associar-se a esta congratulação: BE, PCP e Verdes. Uma recusa partilhada por seis deputados do PS, o que ainda mais me surpreende.
Foram 30 parlamentares no total — alguns deles revelando mais intolerância pelo representante máximo da religião com maior número de fiéis do globo do que pelo ditador da Coreia do Norte.
Tanto mais surpreendente quanto o inócuo texto que recusaram aprovar se limitava a isto: “A Assembleia da República, reunida em sessão plenária, saúda o Estado do Vaticano, a Igreja Católica e todos os que professam a sua fé, pela eleição do novo sumo pontífice.”
Todo o mundo é composto de mudança. Interrogo-me quantos de entre eles não estarão hoje arrependidos de não terem votado de outra maneira. Francisco — o líder mundial mais procurado no Google e mais presente no Twitter, a mais influente personalidade do planeta segundo a Fortune, eleito Pessoa do Ano pela Time — ensina que “os valores tendem sempre a reaparecer sob novas formas, e na realidade o ser humano renasceu muitas vezes de situações que pareciam irreversíveis”.
Interrogo-me quantos deles não diriam hoje, como disse Obama no momento em que se avistaram: “É maravilhoso conhecê-lo. É uma grande honra. Sou um grande admirador seu. Muito obrigado por receber-me.”
Foto: Saul Loeb



Esperemos, para bem do mundo e do Santo Padre, que estas admirações durem pouco.
Admiração tão mais de estranhar quanto muitos deles são confrades e confreiras de organizações que os Papas muitas vezes condenaram (a última das vezes bem recentemente).
E ainda assim houve seis deputados socialistas incapazes de aprovar este inócuo voto de saudação na Assembleia da República: António Serrano, Elza Pais, Isabel Moreira, Mário Ruivo, Miguel Coelho, Pedro Delgado Alves.
O que se pode esperar de quem sente simpatia pela Coreia do Norte?
Kim sabe?
Pedro, nem calcula a alegria que me deu pela publicação da “Alegria do Evangelho”. Em tom provocador (incentivador, animador…) quero deixar expresso neste seu post que desconhecer o Evangelho (Boa Nova) manterá o ser humano numa eterna ignorância.
Obama deu-se conta que 90% (números correctos) da população norte-americana apoia o Papa Francisco, e apesar das lutas que se travam, usando a ONU e outros departamentos internacionais, no sentido de descredibilizar o cristianismo os valores da Boa Notícia prevalecerão sobre o erro e as portas do Inferno jamais dominarão sobre a Igreja (Povo de Deus) de Cristo.
De facto, caro Vento, esta audiência no Vaticano – apetece-me qualificá-la de histórica mas não o faço porque este adjectivo foi-se banalizando em excesso nos dias que correm – aconteceu num momento em que a popularidade do Papa é muito superior à de Obama nos Estados Unidos, onde apenas 25% da população é católica. O Instituto Gallup, em Fevereiro, indicou que 76% dos norte-americanos gostam de Francisco enquanto as mais recentes sondagens junto da população norte-americana revelam que Obama recolhe apenas 46% de opiniões favoráveis.