Julgo que sobre o caso Hollande – sentimental, claro, porque o outro ainda está longe do fim – já tudo se disse. Mas com o assentar da poeira e com alguma frieza, julgo importante que sem personalizarmos muito, façamos algumas considerações sobre o que certas posições revelam do carácter de uma pessoa.
O divórcio seja ele de um casamento ou de uma união de facto é sempre uma ruptura e esta é, por norma, fonte de dor. Por isso se espera que os seus intervenientes se comportem com a maior dignidade, quer haja ou não filhos. É um problema de respeito mútuo e um tributo aos anos passados em conjunto.
Apesar de Valerie Trierweiller não me ser pessoalmente simpática – confesso que me pareceram sempre de algum exibicionismo os beijos glamourosos dados publicamente a Hollande, em várias ocasiões -, a verdade é que esta mulher foi sujeita a uma humilhação pública tremenda. E um homem que sujeita uma mulher com quem vive há oito anos a esta humilhação terá tudo menos respeito por ela.
Ao que consta em França, deixou-a voltar ao apartamento que ambos haviam alugado em Paris, mas deu-lhe prazo de saída para arranjar casa própria. E parece que terá dado instruções para que, na vinda da Índia, Valerie já não gozasse das prerrogativas de segurança com que para lá foi. A ser verdade, mostra que, ao contrário do que diz, Hollande não é um homem normal. A maioria dos homens normais não se comportam assim, felizmente.
O Presidente francês arrogou-se ser o rei Sol e fazer o que muito bem entendeu. Saíram-lhe algumas contas furadas. Nem ele é rei, nem os franceses são parvos. Esta história, num tempo em que a sua popularidade é baixíssima, vai custar-lhe caro no eleitorado feminino. E eu compreendo, porque se fosse francesa consideraria, depois disto, que o carácter deste homem deixa muito a desejar…
Ao que consta em França, deixou-a voltar ao apartamento que ambos haviam alugado em Paris, mas deu-lhe prazo de saída para arranjar casa própria. E parece que terá dado instruções para que, na vinda da Índia, Valerie já não gozasse das prerrogativas de segurança com que para lá foi. A ser verdade, mostra que, ao contrário do que diz, Hollande não é um homem normal. A maioria dos homens normais não se comportam assim, felizmente.
O Presidente francês arrogou-se ser o rei Sol e fazer o que muito bem entendeu. Saíram-lhe algumas contas furadas. Nem ele é rei, nem os franceses são parvos. Esta história, num tempo em que a sua popularidade é baixíssima, vai custar-lhe caro no eleitorado feminino. E eu compreendo, porque se fosse francesa consideraria, depois disto, que o carácter deste homem deixa muito a desejar…

Nem de propósito, cara Helena! Ainda hoje escrevi o seguinte comentário, num outro blogue:
Eu também não concordo que se esmiúce a vida privada dos políticos. Mas ter um/a amante, com ou sem filho/a ilegítimo/a, não assumidos durantes anos, é uma coisa (embora as consequências psicológicas para o rebento em questão não sejam doces, mas adiante). Agora, manter “várias concubinas”, ou não conseguir resistir a uma “rapidinha” com diferentes parceiras em todos os hotéis em que se instala (tipo Strauss-Kahn) não abona muito a favor do carácter do individuo. E isso já pode influir na sua ação política.
Nota: falo em “várias concubinas” porque esse post dizia que o Hollande as mantém.
Cada um faz o que quer na sua privacidade e ninguém tem nada com isso. Certo. Mas a um chefe de governo é legítimo exigir-se um mínimo de carácter!
Nunca gostei do Hollande, sempre me causou repulsa. Não sei explicar porquê, mas é mesmo assim.
Resta agora saber se a Gayet é parva…
Nem sei que lhe diga, Helena. A ver se me faço entender: se estabelecermos padrões de normalidade e/ou anormalidade tanto é para quem vive nesse estado ou condição como para quem aceita viver nesse estado ou nessa condição, refiro-me obviamente ao(s) parceiro/a(s).
Pouco me importam as aventuras e ou desventuras do senhor Hollande e de suas parceiras e/ou companheiras e/ou esposas, mas estou de acordo com a Helena sobre o respeito que se deve a um e a outro e/ou a uns e a outros.
Afinal isto não acontece a solo e contra a vontade dos envolvidos.
Mas eu sei o que é normal: normal é viver com a diferença, procurando entender o porquê. Depois de Strauss Khan, a Europa também pretendeu importar o falso puritanismo vitoriano que graça pela sociedade americana; e tudo quanto é falso tem pés de barro.
“Não julgueis para não serdes julgados”.
Vivemos uma época disfuncional, em que a procura da identidade só pode ser feita por uma profunda reflexão sobre a nossa própria natureza: quem sou e porque me tornei no que sou?
Eu sei que a nossa sociedade ainda fundamenta seus alicerces nas heranças históricas, onde uns são filhos da natureza (tal como o filho da escrava Agar, Ismael) e outros da promessa (tal como o(s) filho(s) de Sarai/Abraão, Isaac). Mas há uma promessa que é capaz de cumprir sobre todos esses, tornando-os livres: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”, pois esta herança não nos vem pelo sangue e pela carne, mas pelo Espírito. Pois Deus também de qualquer pedra pode suscitar filhos de Abraão.
Há uns anos afirmei que o perigo para a Europa (e também para o mundo ocidental) residiria nos novos fundamentalismos que se avizinhavam, e que o perigo surgiria através de alguns cristãos. A prova está aí, pelo mundo, tenta-se regressar ao conceito do puro e do impuro esquecendo a Justiça que Liberta em favor da que condena.
E se a regra é olho por olho, temo que todos cegaremos.
En avant-propos:
Ainda bem que evoluiu desta posição:
“Agora é a mãe…
por Helena Sacadura Cabral, em 04.12.13
Está a tornar-se hábito que os familiares de políticos vejam a sua vida pessoal na praça pública como se exercessem funções que a tal impusessem.”
(Que é, exactamente, o caso da amante do presidente, Valerie).
Os meus parabéns pela mudança.
Sobre a matéria: A França tem, no seu conhecido Code Civil, um contrato civil e republicano que se chama “casamento”, que institui deveres e direitos.
Ora, já os romanos tinham descoberto que “Ubi commoda, Ibi incommoda”, isto é que quem beneficia das vantagens de uma situação, deve suportar os encargos e prejuízos dela.
Se Valerie considerou não ser necessário, ou útil, ou conveniente, casar – o que a poria agora, numa situação bem diferente – não se pode agora queixar de ter, entre outras coisas, de sair de um apartamento que é de outra pessoa.
Creio que, nesta situação caricata, são os franceses que devem sentir-se humilhados: um presidente, colocou numa situação oficial uma pessoa com quem tinha uma ligação e que custava ao bolso dos franceses algumas dezenas de milhares de euros, abrindo o caminho para – dada não há qualquer lei contra a existência de várias ligaçõe – a admissibilidade de harém republicano, a expensas do erário público da França.
Nota – não há divórcio de situações de facto. Não façamos confusão. As palavraicam alugma coisa e devem ser preservadas, até porque muitas vezes somos – e devemos ser! – julgados por elas.
Antunes, não percebo bem a que chama de “evolução” ao passar de mãe para namorada ou lá o que se lhe queira chamar. Talvez ex-primeira dama. É subtil demais para mim.
Quando me referi a divórcio fi-lo em termos gerais. Por exemplo há pais que se divorciam dos filhos. Não estou a referir-me, neste caso, senão a ruptura ou afastamento, porque é disso que se trata.
Far-me-á a justiça de considerar que saberei que o divórcio legal apenas se aplica a casados e não a uniões de facto!
Mas o outro, o literal, aplica-se a muitos outros casos.
A evolução? Hollande também veio queixar-se dos ataques à sua privacidade… e a HSC parece aceitar, agora, esta situação “privada” como muito legitimamente pública.
Faço toda a justiça, mas sugiro o termo “separação” que, esse sim, pode abranger as duas situações ( e também a da quase desaparecida separação de pessoas e bens) sem levantar qualquer questão, nomeadamente, o de se poder pensar que está a querer fazer equivaler situações que são diferentes (como a ex 1ª favorita acaba de descobrir).
Assino por baixo.
Não podia estar mais de acordo.
O comportamento do presidente francês deixou mesmo muito a desejar, demonstrou ser um D. Juan de meia tigela de carácter duvidoso e incapaz de por termo a uma relacionamento com o mínimo de dignidade. E claro que os franceses não podem estar satisfeitos com o desempenho político de Hollande e a “ajudar” vem também este comportamento privado que ao fim ao cabo acaba por ser público…
E eu com a Teresa! E contigo, claro.