Em 2016, com quatro meses de antecedência, o primeiro-ministro britânico convocou um referendo prometido dois anos antes. Perdeu, afirmou que respeitaria a decisão dos britânicos e demitiu-se.
Em 2015, com oito dias de antecedência, o primeiro-ministro grego convocou um referendo nunca antes anunciado. Ganhou, afirmou que respeitaria a decisão dos gregos, fez o oposto e manteve-se no cargo.

E as consequências para a UE e para o resto do mundo também são bastante comparáveis.
Em favor dos conservadores ingleses, neste caso, como é bom de ver.
E em desfavor dos «progressistas» gregos, no caso referido.
Sendo a coerência na política (e fora dela) um valor importante, como é evidente, as consequências dos actos normalmente são ainda mais importantes.
Mas quando se pretende fazer proselitismo ideológico-partidário tudo serve, até enevoar o essencial destacando o acessório.
1. Por cá, no meio do plástico centrão que nos enfadonha, António Costa também fez aquisição do poder. Embora de forma diferente: pediu a umas franjas do eleitorado, que ainda acredita na miséria como modo de viver colectivo, que se juntassem a ele. Traiu o seu eleitorado, mas também o eleitorado sonhador com carradas de discussões “fracturantes” e verdete (ecologistas, pró-animais e os biopolíticos do BE), e de revolução de coisa nenhuma (P.C.P.). A ) traição como modo de ser na politica. Mas nem Maquiavel se sentiria copiado pois trata-se de traição sem finalidade última (alguém conhece um plano de qualquer coisa para cinco anos? Ou dez?, a política fiscal tem rumo? Para?Nada se vê ao sol…).
2. Mas tudo isto se torna irrelevante se atendermos: (1) não há colónias que satisfaçam os exigentes consumidores e cidadãos europeus; (2) a demografia implicará custos crescentes (denominados nos manuais irrealistas de “direitos”); (3) centenas de glosas de pendor do “mangas de alpaca” atropelam-se … nada se podendo fazer; (4) não se respeita o capital, prefere-se o “emprego”.
3. Com tanta discussão sobre nada, a Europa nunca existiu.
4. Sonhou-se quando a taxa de crescimento do produto era de 4% ou mais, e a media populacional era de 36 anos. Medalham-se os Schumanns, os Gasperis, urras aos Kohl e Mitterands. Foram no seu tempo só. Irrepetíveis no agora e no futuro. Mas, os cidadãos enchem-se de luxo , de direitos, do exagero opinativo, enfim o ranho da indecisão democrática, da permanente insatisfação,e proliferam os “modismos”, a hipocrisia da etiqueta (lembram-se da UE aquando do conflito balcânico? E a Ucrânia?) e a incompetência do “político”.
A soberania diz mais que a federação, a comunidade que a sociedade, a aliança entre os mortos e os vivos que uma moda.
6. Cameron teria sido um verdadeiro líder europeu.
7. O tempo escolheu: não é ainda o dele nem daqueles que a Europa é só o sítio onde a Liberdade significa e tem a bergsoniana duração.
8. Não; A Inglaterra seguirá o seu destino traçado há muito: um sítio de sanguínea Liberdade e de defesa da Propriedade (capital).
9. Por aqui, governa-se com optimismo, e o povo não dá mais.
Penso que isto nada tem a ver com ser-se conservador ou progressista. Tem tudo a ver com as culturas democráticas das duas polis (a grega e a britânica) e com as diferentes conjunturas (no caso britânico, o referendo foi um assunto essencialmente de política interna; no caso grego, o referendo foi feito sob forte pressão internacional).
convocou um referendo nunca antes anunciado
Se bem me lembro (mas posso lembrar-me mal), foram alguns conservadores portugueses quem quis, intempestivamente, convocar um referendo nunca antes anunciado sobre o casamento de pessoas do mesmo sexo.
Em causas fraturantes, em geral, o reflexo dos conservadores portugueses é sempre, primeiro pedir um amplo debate nacional sobre o tema, e depois pedir um referendo (nunca antes anunciado) sobre o tema.
Reparem que a Inglaterra (o reino unido) é a entidade com maior experiência política eficaz na Europa. Depois vem a Rússia. Ainda não vos passou pela cabeça que isto são manobras inglesas para tramar França e Alemanha? Vejam a satisfação da Rússia.
«We are europeans but we are not continentals»
Excelente. Os “democratas” estilo xuxalista do sul bem apanhado.