A decisão de abdicar do trono espanhol do Rei Juan Carlos abre uma oportunidade única na país vizinho. Num momento político especialmente conturbado, com a monarquia desacreditada, os partidos tradicionais especialmente debilitados e o bipartidismo em crise, este seria o tempo certo, para utilizar as palavras proferidas pelo monarca no discurso de despedida, para abrir uma nova etapa de esperança. Na verdade, não há melhor momento do que este para devolver aos espanhóis o direito de escolher. No fundo, de permitir que os súbditos se convertam em cidadãos. A circunstância política de Espanha pede um referendo vinculativo. E se Felipe é, como diz Juan Carlos, o melhor preparado, é óbvio que não deve ter medo de perder. Ouvir o povo espanhol sobre o seu futuro: neste momento, nada há mais oportuno, nada é mais democrático.
Uma oportunidade única para a sociedade espanhola
Rui Rocha,

Assim como assim… isso e sobre a integração na UE.
É só para o pessoal não se esquecer desses detalhes…
Nem todos os países têm a sorte de viver num regime republicano, laico e socialista como o português.
Contaram-me que os ingleses*, os suecos, os dinamarqueses, os holandeses, os luxemburgueses, entre outros, têm uma inveja grande do nosso regime e pedem, também, um referendo.
* Os ingleses tiveram já uma ditadura republicana, há 300 anos. Nós tivemos uma que durou quase 50 anos, há apenas 40. É a vantagem de vivermos em república: ditaduras mais actuais.
Parece até que o Sr. Dr. Eng. Sócrates tinha falado de um referendo sobre o assunto.
E porque não «uma oportunidade única para a sociedade portuguesa»?
Com a presidência da república desacreditada, não será o momento de perguntar aos portugueses se querem substituir a república pela monarquia?
Além Caia assiste-se a um revivalismo nostálgico dos anos 30, que tão gratas memórias deixaram no discreto, racionalmente dialogante e essencialmente pacífico, povo espanhol.
Por puro amor à simetria, não deixava de ter (nenhuma) graça as duas extremidades europeias envolvidas em pirotecnias vária…
Suponho que isso do referendo seja entre monarquia e república…os espanhóis já referendaram o regime em 1977, e a esmagadora maioria votou a favor. Em compensação, nunca em Portugal nos deram essa oportunidade. As repúblicas, aliás, parece que têm medo em referendar-se, ao contrário das monarquias.
Talvez fosse melhor dizer que o tal, seja ele qual for, é o MAIS BEM PREPARADO.
Apre!!!
Sendo eu republicano, avançar-se com um referendo desses em Espanha e ganhando os republicanos (ou mesmo existindo um resultado equilibrado), está decerto dado um passo decisivo para a desintegração da Espanha de hoje. Não tenho a menor dúvida.
Podemos, pois, deduzir que o Rui Rocha apoiaria a realização de um referendo em Portugal sobre que regime – república ou Monarquia – adoptar (algo que nunca foi feito)? Que se ouvisse o povo português sobre o seu futuro (e também, de certo modo, sobre o seu passado)? E que concorda que é tudo menos oportuno e democrático continuar a negar-se aos portugueses a possibilidade de se pronunciarem sobre questões fundamentais da identidade do país, que incluem também a integração na Europa, a abolição de fronteiras e a alteração na ortografia?
Dado que o regime republicano português levou por 3 vezes o país à bancarrota, parece que é tempo de um referendo sobre se queremos a república ou preferimos a monarquia (nem que seja pela poupança: o Rei de Espanha gasta bastante menos do que o Aníbal).
Caríssimos todos, voltei ao tema hoje em post publicado e que é uma espécie de resposta ao que aqui foi sendo dito.