Este é sem dúvida um dos textos portugueses mais lúcidos que encontrei sobre o referendo britânico. Deve ser lido e relido. Dizendo modestamente que não está a fazer uma análise profunda sobre o tema, Francisco Seixas da Costa elabora na realidade um resumo intelectualmente exemplar do que pode ser o ponto de vista nacional sobre o acontecimento.
No referendo britânico, as sondagens sugerem empate entre os dois lados e a votação de quinta-feira pode decidir-se por uma quantidade minúscula de votos. Tudo isto parece ser demasiado à tangente para nos tranquilizar e, qualquer que seja o resultado, a história não ficará por aqui. Se o Brexit vencer por pequena margem, a negociação de saída, que levará anos, proporciona oportunidades de recuo. Se o Remain vencer por um punhado de votos, será uma questão de tempo até que regressem as dúvidas.
No texto de Seixas da Costa, o ponto que considero mais importante (e preocupante) é o sétimo, onde o autor menciona a eventual “refundação” europeia, com “purga do euro”. Portugal teria dificuldades em acompanhar esse desenvolvimento, que parece ser uma possibilidade independente do resultado do referendo. A vitória da permanência não vai desmobilizar os críticos da Europa, dentro e fora do Reino Unido, e as elites políticas sentem forte pressão para solucionar os problemas do projecto.
Sem a UE, a Europa seria um local muito mais caótico e perigoso, mas assim não entende uma franja crescente da opinião pública, cujo descontentamento é genuíno. Mesmo em Portugal, País que teve grandes vantagens com a integração, o eurocepticismo começa lentamente a tomar conta dos debates.

a “refundação” europeia, com “purga do euro”. Portugal teria dificuldades em acompanhar esse desenvolvimento
Pelo contrário, tal desenvolvimento seria muito benéfico para Portugal. Se os países mais avançados da Europa (Alemanha, etc) decidissem acabar com o euro, isso seria benéfico para Portugal, pois seria a forma de nos livrrarmos de uma união monetária que nos trouxe tantos problemas sem, no entanto, ficarmos nós com os custos de sermos nós a abandoná-la.
Antes “ponto de vista” de quem não grama o RU na UE – nada de novo, desde De Gaulle, com ‘patine’ dos anos Mitterrand que tal confubalação medra e vai sendo evangelizada como axioma. Ou seja, reitara-se derrama de uma série de lugares comuns requentados em salões de festas ou de “lounging” de chancelarias continentais, especialmente gaulesas, onde a deriva para a irrelevância foi sendo minimizada pela ilusão de produção de instrução&visão financiada pelos amestrados ‘mitteleuropeus’ numa perene expiação de culpas.
As perplexidades da globalização, os impactos da emigração, a insustentabilidade de sucessivas acomodações das “regras” a reiteradas indisciplinas e faltas de rigor com que varios membros da União se “passeiam” em nome de “primado” da politica (de ordenha…?) sobre tanta racional evidência – Farage até sintetiza, mais por aglutinação pragmatica que por proselitismo dogmático, as escleroses de uma burocracia mais exposta a conversas de ‘pé-de-orelha’ do que a procedimentos de exigente observação e justiça.
E acaba-se até a alvitrar desde logo com contas de “sapatos de defunto” – os britãnicos que vão perder “lugares” nas instituições e tal…
Em síntese, na 2a década do século XXI, nem se consegue distinguir por grande originalidade de pensamento. O que também quer dizer que fica a impressão que desde os anos 60, pouco se foi aprendendo.
É capaz de ter sorte, o sr. ex-embaixador em Paris.
Como dizia um outro anglo-saxão, mas do outro lado do Oceano,
“Goodnight and good luck!”
Mais uma vez na narrativa os unionistas apropriam-se da palavra Europa.
A União tal como está é uma potencial Jugoslávia Titista.
As pessoas são diferentes, falam barato de liberdade mas não toleram os outros. Como se vê há o perigo do caos se não formos todos iguais.
“País que teve grandes vantagens com a integração, o eurocepticismo começa lentamente a tomar conta dos debates.”
Pois a profissão mais falsa, que existe apenas e só para justificar o totalitarismo da política : o jornalismo quando vê obstáculos a esse poder passa a criticar.
Quando a União servia para dar mais poder à política era coisa boa , e o jornalismo tecia loas, agora como serve para impedir – ainda que mal e porcamente- algum desse poder discricionário e imoral como desvalorizar a moeda passa a dizer que a União é coisa má.