Ontem à noite, num estúdio televisivo, mais de meia hora de entrevista. Palavras e palavras e palavras. Para concluir que falta o essencial: um sólido acordo político com o PCP após quatro semanas de intensas negociações e sucessivas manchetes bombásticas na imprensa dando-o como fechado e apelidando-o de “histórico” (um dos adjectivos mais gastos do quotidiano português). E com o topete – como diria Freitas do Amaral – de perorar sobre o alegado “cinismo” do seu principal opositor interno. Logo ele, que se comportou com o mais refinado e calculado dos cinismos relativamente ao antecessor, apunhalado com frieza florentina.
Hoje à tarde, perante os seus pares, mais do mesmo: palavras e palavras e palavras e palavras. Discurso de campanha eleitoral, em toada politiqueira, como se não percebesse que o escrutínio decorreu há mais de um mês e esse capítulo ficou fechado.
Em vez de um acordo, haverá três acordos diferenciados – desde logo porque dois dos alegados parceiros parecem não dialogar entre si. Em vez de uma coligação, desenha-se um executivo monopartidário com apoios pontuais no Parlamento – o que parece pôr fim à tese de alargamento do “arco governativo” que certas almas mais sensíveis já celebravam com euforia. Em vez de um pacto de legislatura esboça-se uma navegação à vista, condicionada pelos humores ocasionais dos parceiros que se dizia estarem dentro e afinal permanecerão de fora – o que é o princípio do fim da clarificação e da estabilidade.
O homem que perdeu as eleições avança triunfalmente sob os holofotes, apresentando ao País uma mão cheia de quase nada.

O homem não perdeu as eleições porque as eleições, foram para eleger homens para o Parlamento e esse homem, tem a seu lado, una maioria que a direita não conseguiu. O homem foi convidado a fazer a política com o actual executivo, mas não quis. O homem foi convidado a ser vice primeiro ministro, nas não aceitou porque esse homem, luta e faz tudo por tudo, para mudar o mais do mesmo da política portuguesa. O homem mostrou e está a mostrar, ser aquilo que os outros não querem que ele seja, um político que quer fazer política para os portugueses e não para os mesmos de sempre. Que esse homem alcance aquilo a que se propôs.
Eis um anónimo embebido do genuíno espírito estalinista, bem denunciado nas páginas do ‘1984’ de Orwell.
A deturpação da realidade, como o escritor denunciou, começa nas palavras.
Guerra é paz.
Liberdade é escravidão.
A mentira é a verdade.
Ou, actualizando estes conceitos,
– Quem ganha perde
– Quem perde ganha
Se a PàF ganhou as eleições não percebo porquê tanto histerismo. Apresentem o programa, chumbem as moções de rejeição que aparecerem e governem.
Mas por uma razão que, decerto conhece bem, andam para aí a chorar-se nos blogues.
Cá por mim é porque sabem que perderam as eleições.
Cá está outro a impingir-nos a quadratura do círculo: ganhou quem perdeu.
Ganhou quem pode formar governo e ter o orçamento aprovado.
Tal como no futebol, vitórias morais são para os que têm mau perder.
Em política não há vitórias morais. Há vitórias e derrotas.
Costa perdeu por seis pontos. Um ano antes tinha destronado Seguro porque ele havia ganho só por três pontos…
Enfim, estamos perante alguém que faz tábua rasa da ética política. Alguém que tenta impingir aos outros critérios de exigência que não aplica a si próprio.
Se há vitórias e derrotas, este governo que governe e veremos quem vai ser derrotado. Estivemos sob um governo que quis ir além da Troika que teve um primeiro ministro que disse não querer saber de eleições, mas afinal queria e bem e um ministro da coligação que disse ser irrevogável, mas que assim que subiu de posto tornou-se revogável, diz bem da ética política deste governo. Se houveram governos sem ética, este bateu todos os recordes, desde o ter feito campanha eleitoral, sabendo, como nenhum outro soube, como estava o país porque assinou o memorando e chegado ao governo fez tudo ao contrário do que disse indo mesmo contra a constituição.
Ao menos em Cuba não “houveram” problemas destes nos últimos 60 anos: com partido único é um descanso.
Senhor Pedro Correia:
Só concordo consigo numa coisa: conjugação do verbo haver que, de facto, anda pelas ruas da amargura. Em tudo o resto, em vez de responder com argumentos o senhor dispara nomes feios para classificar quem compreendeu que a PaF não consegue apoio no Parlamento. Se não conseguir rejeitar a moção de censura como é que quer que a PaF governe sem desrespeitar a Constituição? Estou cansado de ouvir o argumento que a direita desesperada monocordicamente reproduz em vez de discutir os conteúdos dos programas. Por mim se a moção for rejeitada aceito que a PaF continue apesar de a detestar. Se não for rejeitada, o Governo vai ao ar irrevogavelmente (o irrevogavelmente é a sério)
Caro anónimo: deduzo que não se trata do mesmo anónimo que não sabe conjugar o verbo haver.
Vocês, os anónimos, são tão parecidos que é fácil confundi-los. É preciso por vezes a letra agá para os distinguir.
Claro que eu sou outro: sei ler e escrever.
Cumprimento-o por isso.
Que tem Cuba a ver com Portugal? Ah! Em Cuba no Alentejo devem estar felizes e descansados.
Em Cuba há uma ditadura. A mesma família manda no país desde 1959.
Já viu que prefere assobiar para o ar.
Perdeu uma excelente oportunidade de criticar a ditadura cubana.
Mente! Em Cuba o PS nunca governou e até aí, o PC está a mudar e a evoluir. Também parece desconhecer que se não tivessem o embargo que têm, não teriam as mesmas dificuldades, dificuldades que as têm superado com inteligência e trabalho. Não é por acaso que Cuba, é um dos países mais culto do mundo. Falta-lhe o rigor e isenção nos exemplos que teima escrever e teima em denegrir e nada mais.
Não só não critica a ditadura dos manos Castro como a elogia, dizendo que forjou um dos países mais cultos do mundo.
Que nesse país tão culto não haja imprensa livre é um pormenor de somenos e que só possam ser lidos os livros que passem no olho crivo da censura comunista não justifica sequer um reparo…
Parece o discurso daqueles que elogiavam a breve ditadura de Batista, dizendo que deixou Cuba com o segundo maior rendimento ‘per capita’ das Américas e até já tinha introduzido a televisão a cores no país.
Disse-lhe e repito que o PC cubano está bem mais evoluído e o Pedro Correia sabe isso muito bem, mas dá-lhe gozo e prazer falar mal, como se isso fosse influenciar os portugueses que sabem que não é assim. Assim, consegue exactamente o efeito contrário, caso ainda não se tenha apercebido. Em Cuba houve a hombridade de operar muitos portugueses a cataratas, fazer fisioterapias inexistentes cá que apesar de tanta evolução não havia nem há dinheiro. Agora, descreva aqui, o que as ditaduras de direita fizeram em Espanha, Alemanha, Itália, Chile e porque não Portugal. Teima em apontar o dedo às esquerdas, aponte às direitas e descreva-as.
Continua a fazer a apologia da ditadura cubana.
Sem falar na política política.
Sem falar na proibição dos partidos.
Sem falar na censura à imprensa.
Sem falar nos prisioneiros de consciência.
Sem falar na interdição do direito à greve.
Também na Itália do Mussolini havia quem glorificasse as “conquistas” do regime. Fechando os olhos à ausência total de liberdade.
A diferença é que a ditadura fascista durou 21 anos. E a ditadura cubana já dura há quase 57 anos.
Falo-lhe de Cuba quando falar dos outros países de ditadura de direita. Por incrível que pareça já não consegue distinguir o Ah! Interjeição que indica admiração, espanto…do Há verbo haver e que use isso para humilhar. Antes de dizer que o anónimo, não sabe conjugar o verbo haver, tem de ler com atenção, para não confundir verbo com interjeição.
Isso. Continue a enfiar a cabeça debaixo da areia. A fingir que a ditadura cubana é uma democracia.
Os Portugueses não querem papazinhos, pá. Os verdadeiros Portugueses querem é que esses gajos se ponham na alheta. Há política e políticos a mais nesta terra.
Os portugueses preferem popozinhos.
tudo o que brilha e apita: popós e telelés.
Por isso há tanta gente a gostar de pipi e pipipi.
Costa é exatamente o “político que quer fazer política para (…) os mesmos de sempre”, para uma oligarquia que nos tem exaurido enquanto povo e país.
Preferir rer comportamentos clubístico-partidários e não perceber isto parece-me grave.
A simbiose perfeita com Martelo será a cereja no topo deste “bolo oligárquico”.
Já agora, Seguro e Passos, de entre os imensos defeitos que porventura terão, perceberam que é este vírus oligárquico que destrói o país.
Um já foi afastado e outro estará em vias de o ser se o PR não os estiver no sítio.
Este vírus que tenta condicionar a opinião pública ao entrar nas nossas casas e famílias por via das TVs, PCs, tables, smartphones e afins.
Todavia, não esperavam um nível de maturação tão aprimorado do nosso Povo, conforme se verificou nas últimas eleições e nas mais recentes sondagens em que, apesar de todos “os males infligidos ao país”, Costa não consegue sequer ter mais votos do que o PSD, este PSD afastado das suas “elites”….
Numas eleições em que qualquer Mickey Mouse ganharia a esta Coligação por maioria absoluta, Costa nem consegue ganhar a Passos Coelho.
Afinal, ainda se pode ter esperança neste Povo e país.
Vai demorar mais algum tempo mas os homens bons acabarão por prevalecer sobres estas élites oligárquicas de esquerda e direita Donas Disto Tudo.
Ó Anónimo, tu estás com o olhar torcido e vês as coisas ao contrário: onde dizes que o Costa é “um político que quer fazer política para os portugueses e não para os mesmos de sempre” devias ter escrito que ele é “um político que NÃO quer fazer política para os portugueses, mas PARA os mesmos de sempre”, ou seja, para a seus camaradas de Partido (embora deixe uma boa parte de fora…).
Tanto o Bloco como o PC sabem muito bem que se forem para o governo serão severamente prejudicados nas próximas eleições. O Bloco provavelemte perderia toda a razão de existir. Costa vai ter de se queimar sozinho, o que talvez explique o seu semblante pouco exuberante que tem mostrado nos últimos dias. Não avpcs ou no dia 4 de Outubro mas vai acabar isolado e sem possibilidades de ser resgatado depois das golpadas manhosas que vem praticando desde que tentou correr com Seguro da primeira vez.
^ cheio de gralhas por causa do teclado do iPad: cada vez está pior.
A gralha pode pousar no iPad? Ai pode pode…
À medida que o tempo passa, é cada vez mais difícil acreditar na ópera bufa em que se transformou a política no pós eleições em Portugal. Nem vale a pena tecer considerações sobre isso, todos temos vindo a assistir. Portanto, sem adjectivos quanto às práticas e aos protagonistas. Difícil acreditar que, 40 anos depois de se abrirem as portas à democracia no país, depois da Fonte Luminosa, da implosão da URSS, do derrube do muro de Berlim, eis que o país é arrastado para experimentalismos anacrónicos de Frente Popular. E, ao que parece, por puro desespero político de um partido que, não tendo ganho as eleições, está disposto a tudo, prometendo a felicidade geral da nação, dando de barato que, da última vez que foi poder, a deixou de rastos. E quando, finalmente, se começava a assistir a sinais de mudança nos vários níveis da relação Estado / Cidadãos (mais respeito, mais autonomia, mais independência, menos paternalismo) tudo vai ser posto em causa. Parece, então, que iremos fatalmente prosseguir na senda de líderes “tão respeitados e tão bem sucedidos” quanto alguns dos líderes mais populistas que conhecemos. Parece, então, que nos iremos transformar na “América Latina ” da Europa. Será possível que entremos nessa???
Vasco Pulido Valente hoje no ‘Público’:
“O dr. Cavaco irá dar posse a uma balbúrdia, por definição instável e incoerente, e ainda por cima bastante mais curta do que ele pensa. No meio desta catástrofe só me espanta o dr.António Costa: não o achava estúpido, juro que não.”
Todas as brincadeiras tem um tempo para acabar. Resta confiar no PCP para terminar com a pantomina do Costa antes das portas do parlamento. Mas o que fazer da manifestação mesmo ali á entrada?
O povo é sereno. É só fumaça.
Na pantominocracia, vale tudo.
Os mercados darão resposta a quem faz ouvidos de mercador.
Quando a cabeça não tem juízo, o corpo é que paga (deixa-o sofrer, deixa-o sofrer…).
Gosto desse termo, pantominocracia. Já o registei no meu dicionário de neologismos.
O Pedro tem razão quando critica a postura de Costa, que foi à fonte, pelo ver, duro, foi famoso e não Seguro.
Mas penso que não adiantam as vaias enquanto a donzela não levantar as saias.
Deu três voltas e mostrou o corpete, com todo o topete, mas não esteve rouca a garganta, no acordo traçado, fita de cor de encarnado, que a todos espanta.
Por isso, vamos guardar as vaias até que se lhe levantem as saias.
Faz lembrar aqueles versos do Dantas: “Olha a luz que se apagou / quando ia a cair-lhe a saia.”
Aguardemos então pela Luz. Sem conotações futebolísticas.