Por vezes, no mais inesperado dos lugares despertam inimagináveis vocações. Aconteceu com José Saramago, o que é um – entre tantos outros – aspecto memorável da sua biografia. Impossibilitado de prosseguir os estudos para além do curso profissional de serralharia mecânica na escola industrial Afonso Domngues o jovem Saramago passava os tempos livres recolhido na biblioteca municipal de Lisboa, no Palácio Galveias, ao Campo Pequeno. Enquanto os seus parceiros de geração optavam por folguedos, bailaricos e comezainas, ele cultivava-se com esmero, persistência e determinação naquelas salas austeras que lhe propiciaram o equivalente à formação universitária que oficialmente nunca chegou a ter.
O Nobel de 1998 recorda esse período da sua vida num admirável prefácio escrito para o livro De Volcanas Llena: Biblioteca y Compromiso Social (Gijón, Trea, 2007). “Era um lugar em que o tempo parecia ter parado, com estantes que cobriam as paredes do chão até quase ao tecto, as mesas à espera dos leitores, que nunca eram muitos (…). Não posso recordar com exactidão quanto durou esta aventura, mas o que sei, sem sombra de dúvida, é que se não fosse aquela biblioteca antiga, escura, quase triste, eu não seria o escritor que sou. Ali começaram a escrever-se os meus livros”, escreveu Saramago, lembrando os dias, meses e anos ali passados.
Uma lição de vida.


Foi certamente nessas longas horas de leitura que aprendeu a sanear colegas que não pensavam como ele e a apagar dos seus livros a memória de quem lhe deu a mão quando ainda era tipógrafo da Estúdios Cor.
Uma lição de vida, realmente…
Então e os seus três novos ‘shows’? Andam a correr bem?
Há cobardes vitalícios. Como o deste «Alberto Matos», que até para bater num morto se esconde no anonimato. Um nojo.
E anonimato quer automaticamente significar inverdade, é?
Ou o que Alberto Matos diz é mentira? Se é, merece contestação com base em factos e não insultos. Venham aqueles, portanto.
Para o autor do post, pelos vistos, os mortos são sagrados. Estou que rezará todas as noites aos santos Adolfo (vulgo Hitler) e José (vulgo Estaline), que certamente não lhe faltarão com as graças a que faz jus…
Em tempo: Anonimato é agora o termo aplicável a quem não tem blogue no Sapo? O resto do mundo perdeu direito ao nome próprio, tendo deixado pura e simplesmente de existir, foi?
«Alberto Matos» é o seu «nom de plume»? E também se dedica a «shows»?
“Resposta” própria de quem perdeu e não tem resposta. Logo vi. Passe bem!
Agradeço e retribuo os amáveis votos.
Uma verdadeira lição de vida feita de amizade e amor às letras, palavras, livros, e à sua casa original, a biblioteca. Tive a oportunidade de estudar, mas também tive a oportunidade de me acompanhar da leitura dos mais variados livros desde muito nova. Onde vivia não havia biblioteca e recordo-me com alegre saudosismo de esperar o dia da chegada da biblioteca itinerante da Calouste Gulbenkian (uma vez de quinze em quinze dias, se não me engano) para poder requisitar novos livros e entregar os requisitados. Lamento mesmo que o livro tenha deixado de ser glorificado e que as crianças não consigam com ele criar uma outra ligação.
O amor aos livros pode dar grandes lições de vida. É o caso.
Também me lembro de, na minha meninice, frequentar essas bibliotecas itinerantes que apareciam lá pela terra de tempos a tempos. Infelizmente a ‘sociedade da informação’ e as novas tecnologias desvalorizaram quase por completo a leitura e os livros, fazendo acreditar às gerações mais novas que eles são dispensáveis.
Colocam-se sérios problemas de compatibilização entre as novas tecnologias de informação e o cultivo do gosto pela leitura, pelo que, o encontro ou a convivência entre essas duas realidades deveria ser visto como um desafio a ser assumido de forma determinada e corajosa por parte dos educadores, pais e numa primeira linha professores do ensino primário (básico, 1º ciclo, penso ser essa a designação actual). Há que semear referências na vida das crianças e essas referências partem de nós.