Uma lição de ironia


Pedro Correia,

 

Numa boa entrevista conduzida por Tiago Pereira para o jornal i, o escritor Onésimo Teotónio Pereira – açoriano radicado nos Estados Unidos, o que o leva a encarar o Atlântico como “um rio” – ensina-nos através de uma pequena história o que é a ironia, arte muito pouco cultivada em Portugal.

A história é esta:

«Um tipo vai a uma casa de chá, onde estão senhoras educadas, e pergunta: “Há aqui algum sítio onde se possa mijar?” As senhoras respondem: “Olhe, o senhor naquele corredor vira à direita, na segunda porta está escrito cavalheiros”. Não faça caso, entre.»

Admirável ironia, tão rara aos nossos ouvidos, muito mais treinados para escutar sarcasmos.

5 comentários em “Uma lição de ironia”

  1. Conheci Onésimo Teotónio Pereira recentemente, na Terceira, onde foi fazer uma conferência, coisa que faz praticamente parte do seu dia-a-dia, nos EUA e fora. Além da vastíssima obra publicada, é um homem tão brilhante quanto simples e tem esse dom extraordinário de nos fazer aprender sempre algo mais. Quase sempre, com a ironia que cultiva sobremaneira.

      1. É um excelente escritor, Patrícia e João. Infelizmente menos conhecido entre nós do que devia. O facto de estar longe, e de não frequentar certas capelinhas de Lisboa, contribui para isso.

  2. E devia cultivar-se mais, para não perdermos a preciosa herança do Eça. Hoje em dia a maior parte das piadas são mais parecidas com escritos de porta de wc público: óbvias, alarves e de cheiro duvidoso.

    1. De facto, Ana, a ironia parece quase erradicada do nosso quotidiano. Substituída pelo sarcasmo mais grosseiro. Até na política se nota isso. Ou sobretudo na política.

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