Confesso que já começo a estar farto das histórias da GNR e dos problemas causados pela forma como a instituição tem sido gerida em democracia.
Não fosse isso e nunca teríamos tido os casos de corrupção que tivemos, os processos judiciais pelas mais variadas razões, a caça às bruxas que a partir de certa altura começou a ser feita em relação a sargentos e praças, enquanto o oficialato escapava incólume, havendo mesmo quem de uma forma ou de outra acabasse beneficiado por uma inexplicável protecção do poder político e judicial. Nessa altura foi particularmente visível a diferença entre os critérios de oportunidade e os de legalidade, como se tudo aquilo que aconteceu fosse única e exclusivamente da responsabilidade dos que na estrada fechavam os olhos a algumas infracções menores, recebiam umas gorjetas, abasteciam gasóleo em marinas ou recebiam uns frangos de aviário para as festas da criançada.
A notícia que é hoje publicada no DN, dando conta de que o general Mourato Nunes, embora já não exerça quaisquer funções na GNR, continua a beneficiar de um motorista particular, pago por todos nós, não deverá ser apenas motivo de indignação. Merece também denúncia e adequada reflexão.
A situação não é seguramente virgem, mas isso não a torna desculpável.
Para mim, bem entendido, República é sinónimo de cidadania, de rigor, de justiça, de equilíbrio, de bom senso, de comportamentos éticos e morais acima de qualquer suspeita, públicos ou privados, em especial no que diz respeito aos titulares de cargos públicos, aos titulares de órgãos de soberania, aos dirigentes, sejam eles militares ou civis. Por isso mesmo entendo que a República tem de ser capaz de incutir nos seus generais uma outra mentalidade, uma outra postura, e obrigá-los a dar o exemplo. Mourato Nunes, uma espécie de Gilberto Madaíl militar que com a conivência do poder político não achou necessário apresentar a demissão com o que se soube ao longo dos casos da GNR de Albufeira e de Sintra, devia ter sido o primeiro a recusar esta escandalosa situação de que o DN dá conta.
Uma única situação como esta mancha a GNR. Mas mancha também a República em ano de centenário. E a recorrência de casos destes, aparentemente insignificantes, envolvendo motoristas ou outro pessoal menor, seja com um general reformado ou com um primeiro-ministro em exercício, só serve para desprestigiá-la e diminuir as suas instituições. O País e a democracia saem sempre a perder.


Tens inteira razão, Sérgio. E registo o desapego com que referes o regime e as suas instituições, como é teu hábito, o que acrescenta sempre à razão.
Então mas a república não é isso mesmo?
Ser uma senhora da vida para dar de mamar ao maior numero possivel de mamões?
É…aguenta e não chora…é por isso que está aí o sem_tenário menos 48…para mamarem ainda mais!