Acabo de receber um mail de uma agência literária brasileira (Agência Lis), apresentando os seus serviços em Portugal e convidando autores, ilustradores, revisores e tradutores a tirarem partido deles. Não temos cá no burgo, como é costume em outros países, tradição de agenciamento literário. Enfim, admito que será só uma questão de tempo. Mas… como quer uma agência literária – repito, LITERÁRIA – conseguir convencer alguém com uma apresentação escrita neste português miserável??
“Para a Lis, uma agência literária cumpre dentro do mundo da cultura, e publicação em particular, a função social de levar a autores e editores, tanto nacional como internacionalmente, e para suportar a forma do texto para os leitores. Portanto acompanhar o autor em seu processo criativo e nos envolvemos na divulgação de textos.
Acreditamos na formação de uma força-tarefa composta pela agência, autores, editores e livreiros para os nossos escritores atingir leitores.”


O texto parece ter sido escrito pelo tradutor do Google.
Exactamente, Teresa. Mas o mail veio do Brasil e a agência é brasileira. A pergunta parece-me lógica: porquê traduzir português para… português?
isto é gozo. lol
Acho que lhes vou propor reescrever aquela cena toda do site por um preço jeitoso 🙂
Já pensei nisso. Estes assessores bem precisam de uma boa assessoria.
A segunda frase no google tradutor dá uma frase inteligível em inglês: “We believe in forming a task force comprised of agency, authors, publishers and booksellers for our writers to reach readers”.
Provavelmente contrataram um consultor americano que lhes sugeriu usarem textos de agências literárias americanas.
A iniciativa parece-me notável e louvável.
O uso de um português que não é lisboês, também, até porque alarga os horizontes e possibilidades.
Naturalmente que isto de alargar horizontes e possibilidades é algo que atormenta a mentalidade invejosa, mesquinha e preguiçosa que carateriza tantos portugueses.
Lisboês?? Alargar horizontes e possibilidades?? Explique-me lá então em que país da lusofonia – ou mesmo do mundo – este português está correcto. Isto se não for muito incómodo, claro. Se quiser fazer a caridade de iluminar esta minha mentalidade invejosa, mesquinha e preguiçosa, fico muito agradecida.
Sim, provavelmente foi isso mesmo o que aconteceu. Força-tarefa é obviamente uma tradução directa e grosseira de task force, e o resto é tão macarrónico que só pode ser uma tradução mecânica. Mas convenhamos que a preguiça é uma péssima estratégia para uma agência literária.
Eu admito que levantei a sobrancelha foi com isto: “Portanto acompanhar o autor em seu processo criativo e nos envolvemos na divulgação de textos.”
E que tal “para os nossos escritores atingir leitores”?
Ouch… tão vidrado fiquei na anterior referência que essa acabou por me passar ao lado.
Enfim… polindo com esmero a minha vertente magnânima, talvez tenha sido problema com a tradução de br-pt; ainda que duvide que alterasse tempos verbais.
De qualquer maneira, erro de tradutor – seja lá ele qual for – não desculpa uma simples revisão.
A questão nem é essa, CeC, é mais grave do que isso: uma agência literária que se propõe internacionalizar os seus autores não pode usar traduções do google nos seus textos! Para mim está arrumada, assim como para muitos outros autores, tenho a certeza.
O último parágrafo explica sintéticamente o objectivo dessa agência: “acreditam na formação de uma força”.
Devem ter ido buscar a inspiração ao tema da Nelly Furtado, cantado com a sua pronuncia luso-canadiana-açoreana: «comemá força, comemá força, comemá força que ninguém irá aparar…»
Só que esta força é fraquinha, Bartolomeu…
🙂
Ou não…
;))))
Essa agência deve ter sido contratada pelo Jorge Jesus… contrato esse que ainda vigorará.
Presumo que seja uma piada futebolística, mas eu não percebo nada do assunto e para não fazer má figura vou resistir à tentação de perguntar-lhe o que quer dizer. 🙂
http://www.youtube.com/watch?v=Xs-oyMba9 Wg
(há melhores, mas esse aí tem uma selecção engraçada)
Que espétal! 🙂
(obrigada pelo esclarecimento, AF)
Ohhhhh, já cheguei atrasado.
Esta é a gozar, mas também é gira.
http://www.youtube.com/watch?v=EKY4fnMp4 QQ
Isso é Brasil, não conseguimos nem ensinar as nossas crianças o nosso idioma. Por aqui o nível de analfabetos funcionais é alto.
É verdade, Júlio, eu sei que é assim. Em Portugal não é tão mau, mas o ensino do português também vai mal.
Mas, neste caso, o que é gritante é que uma “agência literária” se apresente assim.
O teu post deve ter batido em alguém lá dentro: o link foi suspenso…
Tens razão, o link já não leva à Agência Lis… queres ver que foi isso mesmo o que aconteceu?