Uma “força-tarefa” suicida


Ana Vidal,

 

Acabo de receber um mail de uma agência literária brasileira (Agência Lis), apresentando os seus serviços em Portugal e convidando autores, ilustradores, revisores e tradutores a tirarem partido deles. Não temos cá no burgo, como é costume em outros países, tradição de agenciamento literário. Enfim, admito que será só uma questão de tempo. Mas… como quer uma agência literária – repito, LITERÁRIA – conseguir convencer alguém com uma apresentação escrita neste português miserável??


“Para a Lis, uma agência literária cumpre dentro do mundo da cultura, e publicação em particular, a função social de levar a autores e editores, tanto nacional como internacionalmente, e para suportar a forma do texto para os leitores. Portanto acompanhar o autor em seu processo criativo e nos envolvemos na divulgação de textos.

Acreditamos na formação de uma força-tarefa composta pela agência, autores, editores e livreiros para os nossos escritores atingir leitores.”

25 comentários em “Uma “força-tarefa” suicida”

  1. A segunda frase no google tradutor dá uma frase inteligível em inglês: “We believe in forming a task force comprised of agency, authors, publishers and booksellers for our writers to reach readers”.
    Provavelmente contrataram um consultor americano que lhes sugeriu usarem textos de agências literárias americanas.

    1. A iniciativa parece-me notável e louvável.
      O uso de um português que não é lisboês, também, até porque alarga os horizontes e possibilidades.
      Naturalmente que isto de alargar horizontes e possibilidades é algo que atormenta a mentalidade invejosa, mesquinha e preguiçosa que carateriza tantos portugueses.

      1. Lisboês?? Alargar horizontes e possibilidades?? Explique-me lá então em que país da lusofonia – ou mesmo do mundo – este português está correcto. Isto se não for muito incómodo, claro. Se quiser fazer a caridade de iluminar esta minha mentalidade invejosa, mesquinha e preguiçosa, fico muito agradecida.

    2. Sim, provavelmente foi isso mesmo o que aconteceu. Força-tarefa é obviamente uma tradução directa e grosseira de task force, e o resto é tão macarrónico que só pode ser uma tradução mecânica. Mas convenhamos que a preguiça é uma péssima estratégia para uma agência literária.

  2. Eu admito que levantei a sobrancelha foi com isto: “Portanto acompanhar o autor em seu processo criativo e nos envolvemos na divulgação de textos.”

      1. Ouch… tão vidrado fiquei na anterior referência que essa acabou por me passar ao lado.
        Enfim… polindo com esmero a minha vertente magnânima, talvez tenha sido problema com a tradução de br-pt; ainda que duvide que alterasse tempos verbais.

        De qualquer maneira, erro de tradutor – seja lá ele qual for – não desculpa uma simples revisão.

        1. A questão nem é essa, CeC, é mais grave do que isso: uma agência literária que se propõe internacionalizar os seus autores não pode usar traduções do google nos seus textos! Para mim está arrumada, assim como para muitos outros autores, tenho a certeza.

  3. O último parágrafo explica sintéticamente o objectivo dessa agência: “acreditam na formação de uma força”.
    Devem ter ido buscar a inspiração ao tema da Nelly Furtado, cantado com a sua pronuncia luso-canadiana-açoreana: «comemá força, comemá força, comemá força que ninguém irá aparar…»

    1. Presumo que seja uma piada futebolística, mas eu não percebo nada do assunto e para não fazer má figura vou resistir à tentação de perguntar-lhe o que quer dizer. 🙂

    1. É verdade, Júlio, eu sei que é assim. Em Portugal não é tão mau, mas o ensino do português também vai mal.

      Mas, neste caso, o que é gritante é que uma “agência literária” se apresente assim.

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