Há sempre uma primeira vez, para tudo e para todos. Comigo, deu-se há uns dias, quando fiquei incomunicável. Explico-me. Nessa santa terra onde fui descansar, o meu telemóvel caiu ao chão. Como tantas vezes, já, antes acontecera. Remontadas as peças que se haviam espalhado, o dito retomou a forma original e parecia de excelente saúde. Voltou, assim, para a carteira que é o local onde habitualmente o coloco.
Aí ficou, tranquilo, até que precisei de fazer uma chamada. Marcado o número, nem eu me fazia ouvir, nem do outro lado alguém bugia. Voltei a ligar e a experiência repetiu-se. Apesar de tecnologicamente incompetente dediquei-me à tarefa de eventual reparadora. Desliguei o dito, esventrei-o e voltei a ligá-lo.
Chamada retomada, o silencio bilateral foi a resposta. Foi nessa altura que me dei conta do numero de pessoas que tentaram falar-me. Alarmante!
Numa última tentativa, fui ao botão de aumentar o som que estava a meio da escala e, convencida, aumentei-o. Singularmente, a cada investida, o regulador descia mais.
Bingo! Fez-se luz. A queda, lateral, fizera perecer o botão maravilha, aquele que nos destina à comunicação mais ou menos ruidosa.
Dei-me, todavia, conta, do agradável que havia sido aquele silêncio forçado. Como já aqui escrevi, desde Abril, o meu ritmo mudou. Passei a funcionar a vapor, numa época em que a norma é andar a todo o gás…
Assim, resolvi que iria continuar neste dolce farniente de telemóveis, num retorno a tempos saudosos em que tinha todo o tempo do mundo. Quem quiser falar-me, manda mail. Que eu verei, claro, quando ligar o computador. Sem qualquer garantia de data.
Mas que este novo ritmo telefónico me está a agradar, não há qualquer dúvida…

