Uma estratégia brilhante


Rui Rocha,

O PS avançou de forma decidida com uma proposta de flexibilização do défice de 2013 para 5%. O PS reuniu com a troika e é justo presumir que terá defendido essa proposta com unhas e dentes. Apesar desse esforço titânico, tudo o que o PS conseguiu foi retirar uma conclusão. Na verdade,  o secretário nacional do PS veio acusar a troika de ser inflexivel. Pelo visto, e de acordo com Eurico Brilhante Dias, “a percepção é que há uma enorme relutância na flexibilização [da meta do défice]”.. Isto é, o PS apesar dos dentes e das unhas afiadas com que terá entrado na reunião, nada conseguiu. Dando de barato que a flexibilização do défice teria efeitos positivos e que o governo tentará igualmente defendê-la, Passos Coelho ganhou o dia graças a esta, chamemos-lhe assim, estratégia do PS. Se não tiver sucesso, a coisa é compreensível: pois se o próprio PS não conseguiu e se a troika é inflexível… Pelo contrário, se conseguir obter uma margem de flexibilização, terá obtido sucesso onde o PS falhou. Se é certo que o PS foi representado na reunião por Brilhante Dias, não é menos verdade que há dias em que a estratégia do PS é brilhante.

10 comentários em “Uma estratégia brilhante”

  1. Mas o Freitas que sofre da coluna já deu a táctica infalível. Que é afinal simplicícícíssima. Passos Coelho tem de ter uma conversa “olhos nos olhos” com a Judite de Sousa, perdão, com a Angela Merkel.

  2. Absolutamente de acordo e, por isso mesmo, não percebi a “intervenção” do Marco António Costa a acusar a Troika de falta de coerência. O homem mudou-se para o PS?

  3. Meu caro amigo, já tínhamos percebido que o PS, está noutro planeta.
    Como não tem estratégia para o País, desata a dizer mal de tudo e principalmente do Governo.
    É difícil gostar deste governo, mas quem para lá for, será pior que este.
    São tretas o que a oposição diz, pois então o governo quer 4,5% e o PS diz que é falhanço do Governo. o PS afinal pede 5%, o que é isto? Pior ainda, não será?
    O Tótó Seguro ainda mesmo a dormir.

  4. Pelos vistos Seguro só mostra coerência no seu plano. Portas já se apercebeu disto, e Passos, que se estava a lixar para as eleições, porque está comprometido com o discurso que sempre apregoou, não é capaz de assumir frontalmente esta linha, e manda outros dizerem.
    Claro está que estão todos, incluindo a troika, com luvas de pelica para não comprometerem as eleições da Merkel. Mas é este o caminho (aumentar as metas do défice), mas também o caminho da redução das taxas de juro, mais o perdão parcial da dívida, mais o caminho da redução do IRS, mais o caminho da redução do IVA na comida (não na bebida) e o aumento do IVA para os artigos de luxo (joias, perfumes, arte, refiro-me a quadros etc.).
    A despesa do estado só está a aumentar porque se retira dinheiro da economia, das mãos das pessoas, para as mãos do estado.
    Se se levasse a efeito despedimentos na função pública com o quadro existente a ruína seria ainda maior. A falta de dinheiro deve-se à falta de políticas decentes e racionais.

    1. Acrescento mais,

      será que alguém pensa que os adiamentos sucessivos da reunião com a troika se deve à dita crise interna? Quem pensa assim engana-se. A troika está aí agora porque era conveniente que a reunião se fizesse próximo das eleições alemãs. As notícias sobre a dita “inflexibilidade” da troika estão aí para chegar aos eleitores alemães e levá-los a apoiar Merkel. Os alemães não são diferentes dos demais, também gostam de show off. Os políticos alemãs conhecem bem a massa que os cerca, eles são oriundos do mesmo sítio que todos os demais.

  5. Este Brilhante Dias tirou média de 14 na universidade e nem emprego conseguiu arranjar. Se não fosse o Professor Crespo de Carvalho a dar-lhe a mão, hoje estava nas obras.

  6. Porque razão está troika menos “dialogante” apesar dos queixumes, arrufos e lamentos da élite nacional?

    …porque não há arquitectura do Estado que podemos pagar; aliás o protagonista do “rascunho” nem sequer o fez e foi promovido em Julho.

    …porque já se quer 5% de défice.

    …porque mantêm-se câmaras, direcções-gerais, fundações, empresas públicas, universidades, hospitais, só se tendo cuidado de umas uniões de fruguesia, uns centros de saúde com meia dúzia de gente a menos, umas escolinhas, uns pós no medicamento…

    …porque …nada disto muda, pois não sabem e quando sabem aparece o “centrão” de interesses instalado.

    Nisto tudo, aparece o Marco com arrufos, e o Brilhante com “bom senso” à troika.
    Bada…m…

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