Uma desgraça nunca vem só


Sérgio de Almeida Correia,

Compreende-se que deslocando-se a Macau e à China a convite do Embaixador da RPC em Portugal, a delegação parlamentar portuguesa chefiada pelo deputado Sérgio Sousa Pinto, presidente da Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas na AR, esteja limitada nas declarações que faz. Aliás, seria tão incompreensível que fossem deselegantes para com quem os convidou como que para o agradecimento tivessem de repetir a anterior distribuição de lambidelas.

Mas, convenhamos, dizer que o que se está a passar em Hong Kong com as leis da extradição não é preocupação da Assembleia da República, sendo preocupação dos parceiros europeus de Portugal, do Parlamento Europeu e dos portugueses, que ainda são, que aqui vivem, e ao mesmo tempo, e na posição em que está, vir discutir com a Secretária para a Administração e Justiça questões relativas ao protocolo entre a Ordem dos Advogados e a AAM, é não ter a mínima noção das prioridades. Nem dos dislates.

Com tanta coisa importante e a preocupar quem cá vive, até parece que esse seria assunto para os fulanos tratarem com a Dra. Sónia Chan.

Já não bastava José Luís Carneiro não ler jornais, e ter dito que nenhum português lhe fez chegar quaisquer preocupações sobre a eventual aprovação de uma lei de extradição, o que era mentira, como agora temos os assalariados parlamentares, dependentes profissionais dos compadrios da paupérrima política nacional, a colocarem-se na posição habitual dos meias-lecas de cada vez que saem em excursão para fora da pátria.

É o que dá andarem a ouvir quem não devem, sem se informarem convenientemente, antes de botarem discurso. Há mais mundo para fora das irmandades e confrarias habituais.

4 comentários em “Uma desgraça nunca vem só”

  1. “Não interessa saber se este regime é comunista ou é um neo-mandarinato burocrático. O que interessa é que esta enorme massa humana se libertou das experiências imperialistas europeias do século XIX, que foram um dos episódios mais lastimosos do Ocidente”, afirmou. A trajectória da China constitui “um êxito histórico” que “o mundo deve olhar com admiração”, acrescentou.

    Ora bem, quer Sérgio Pinto dizer que a China, ao libertar-se “das experiências imperialistas europeias do século XIX, que foram um dos episódios mais lastimosos do Ocidente”, vê com bastante interesse os ensinamentos dessa experiência, começando a aplicá-los no Tibete.
    Em resumo, o ocidente é mãe carinhosa que embala os mais elementares alimentos de crescimento e progresso.

    Espero que o Dalai-Lama convide Sérgio Pinto a botar discurso sobre a matéria.

    1. Está enganado.

      Por exemplo:

      https://www.scmp.com/news/hong-kong/law-and-crime/article/3005253/britain-voiced-concerns-over-hong-kong-extradition-law

      https://qz.com/1643858/foreign-governments-are-worried-about-hong-kongs-extradition-law/

      https://www.theguardian.com/commentisfree/2019/jun/14/britain-hong-kong-china-power-extradition-chris-patten

      https://www.gov.uk/government/news/foreign-secretary-statement-on-protests-in-hong-kong

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