
«Basta stolto pregiudizio contro di lui.»
Uma declaração extraordinária de Bento XVI, rompendo o silêncio. Em defesa do seu sucessor, Francisco – eleito faz hoje cinco anos como dirigente supremo da Igreja Católica.
Uma declaração que desautoriza sem rodeios nem sofismas todos quantos pretendem invocar o Papa emérito para denegrir quem o rendeu no trono de Pedro, movidos por ódio político, ideológico ou religioso em relação ao actual Sumo Pontífice, autêntico “pároco do mundo”, como o designa a revista italiana Panorama.
Basta de preconceitos tontos contra ele.

Rerum Novarum
Dilexit veritatem.
“Quanto aos ricos e aos patrões, não devem tratar o operário como escravo, mas respeitar nele a dignidade do homem, realçada ainda pela do Cristão. O trabalho do corpo, pelo testemunho comum da razão e da filosofia cristã, longe de ser um objeto de vergonha, honra o homem, porque lhe fornece um nobre meio de sustentar a sua vida. O que é vergonhoso e desumano é usar dos homens como de vis instrumentos de lucro, e não os estimar senão na proporção do vigor dos seus braços.”
Acho que é o que se chama uma perítrope — dirigida a todos os catarinas martins e millennials deste mundo. No fundo o que ele quer dizer é “basta de preconceitos contra mim”.
Na realidade duas personalidades muito diferentes, mas gosto de ambos e penso que poucos papas recentes foram alvo de tantos preconceitos como o emérito, mas os seus textos são de uma riqueza que só lendo se apreende a sua mensagem.
O atual mais popular, mas no fundo com a mesma mensagem e objetivo.
Penso o mesmo, Carlos. E registo, uma vez mais, a capacidade que Bento XVI tem de nos surpreender: há cinco anos, com a resignação (impensável num Papa dos tempos modernos), agora com esta declaração exclusiva à imprensa italiana sobre o seu sucessor. Calando as vozes críticas que tentavam usá-lo como caução intelectual e teológica contra Francisco.