Uma crise de ambição


Paulo Sousa,

Fazendo referência a José Mourinho, a imprensa britânica já retratou António Horta Osório como o “Special One” das finanças. O seu percurso profissional coloca este português numa restrita elite dos gestores de nível mundial.

Em declarações recentes faz uma análise da situação económica do nosso país dizendo que “temos um problema claro de crescimento e ambição da sociedade portuguesa, estamos satisfeitos com o nível de riqueza que temos e satisfeitos com um País que não cresce”.

Vivemos inundados em análises que repetidamente nos lembram que não alcançaremos resultados diferentes com as formulas habituais, e ainda assim tudo indica que os portugueses preferem seguir alienados numa luta intestina pela disputa de migalhas.

No futuro, estas duas décadas iniciadas com a vitória eleitoral de António Guterres serão lembradas como uma época desperdiçada, profundamente marcante para uma geração que assim foi impedida de melhorar de vida.

Não há bem que sempre dure, nem mal que nunca acabe. Um dia isto mudará.

51 comentários em “Uma crise de ambição”

  1. Não sei se estamos como estamos por incompetência das ditas elites ou do da plebe em geral, se aquelas são realmente o pior que o país tem para oferecer ou apenas uma amostra significativa do mesmo.
    Discutem-se direitos e relações laborais como se estivéssemos em meados do século XX, e a reboque de meia dúzia de grupos profissionais (na “legislação” do teletrabalho houve propostas de visitas surpresa a casa do empregado. Sério, visitas surpresa), nomeadamente ligados a Função Pública.
    Carregam-se empresas com novas taxas para financiar isto e aquilo, esquecendo (ou não) que em última análise quem as paga são os consumidores.

    1. Vivemos a debater detalhes como o que referiu. Governa-se para a próxima sondagem e manda-se lixar a próxima geração. Mas as ditas elites, de facto, são um espelho do resto.

      1. Só uma população idiota continua a votar nos mesmos na esperança de obter resultados diferentes. Que o “centrão” é todo igual.
        Este país é merecedor do que nos espera, e já não existe a fibra que em tempos gritou “ao Paço, ao Paço, que matam o Mestre!”

  2. Não sei, e espero bem que não, que em 30 Jan tudo fique na mesma. Não esquecer que em Portugal a maior parte das sondagens são encomendas.
    Quanto ao dia em que isto mudará, duvido que seja a medio / longo prazo. Não esquecer que desde os descobrimentos foi sempre a pique para baixo.

        1. Agora chama-se “União Europeia”. A autocracia, a não-imputabilidade, a propaganda, o discurso Novilingua e controle da informação, a intelligentsia, a nomenklatura, as ameaças a estados soberanos, está tudo lá.
          Visitei a antiga União Soviética na década de 80 e é alarmante a coincidência das justificações, termos e chavões utilizados.
          Só não temos KGB/FSB. Não ? Temos ?

  3. O problema estrutural da sociedade portuguesa não é propriamente falta de ambição.
    O problema é que toda a sociedade se habituou a pensar em termos de “carreiras” e de promoção em função da antiguidade e não em função do mérito.
    Toda a sociedade portuguesa e todo o mind set dos portugueses estão estruturados em torno da ideia de que, independentemente do mérito e do esforço de cada um, um jovem deve começar por trabalhar muito e ganhar pouco e que, gradualmente, à medida que envelhece, passará a trabalhar menos e a ganhar mais, quer se esforce muito quer pouco e quer tenha muito mérito quer pouco.
    Em português corrente chama-se a isso a “carreira” e é por isso que todos os sindicatos lutam.
    É por causa desta ideia que ninguém quer fazer ondas, ninguém quer ser disruptivo. Toda a gente jovem está à espera de agradar aos velhos – que são quem têm o poder e o dinheiro, na sociedade portuguesa – para aceder, progressivamente, ao posto deles.
    Portugal tornou-se, tal e qual como a Itália, uma gerontocracia. E é por isso que Portugal, tal e qual como a Itália, estagna.

      1. Não, não é falta de ambição.
        Os portugueses têm ambição. Têm ambição de subir de posto, de serem promovidos, de passarem a ganhar mais.
        Mas sabem que isso acontecerá, não pelo seu mérito, mas sim pela sua idade. Ou seja, sabem que, quando chegaram aos 40, 50, 60 anos serão promovidos e passarão a ter mais dinheiro e mais poder. Quer se esforcem muito quer pouco.
        É assim que eles sabem que Portugal está organizado e é assim que eles querem que Portugal continue a estar organizado.
        Quem não se resigna à gerontocracia, emigra. Os que ficam, os que não emigram, consideram a gerontocracia justa e adequada e querem que Portugal continue a ser assim.

        1. Há muitos anos essa era a lógica em todo o mercado de trabalho. A rigidez e insensibilidade para com o freguês que essa dinâmica implica, levou todas as empresas que assim funcionavam à falência. Hoje em dia isso deve existir apenas no funcionalismo público. Observar isso é como ir a uma loja de antiguidades.

          1. “Hoje em dia isso deve existir apenas no funcionalismo público. Observar isso é como ir a uma loja de antiguidades.” Será, mas não exclusivamente. Nem todas as empresas que assim funcionavam foram, creia, necessariamente à falência.
            Em todo o caso e tendo em conta a dimensão desse funcionalismo e a burocratização da relação do poder com o cidadão (mais não seja para dar algo que fazer a parte não menor desse funcionalismo, e não há simplex que verdadeiramente nos valha), não é uma loja de antiguidades isso que somos obrigados a visitar outra e outra e outra vez nas nossas vidas: é um verdadeiro hipermercado de antiguidades. Que nos impõe – inamovível e substantivamente irresponsabilizável no que faz ou não faz – o que vende, ao preço a que quer vender e no tempo em que o quer fazer.

          2. Algumas poderão até manter-se graças a rendas resultantes de enviesamentos do mercado. Até a lei das falências ajuda a complicar o crescimento económico de que tanto precisamos.

          1. “Enquanto houver um português sem trabalho e sem pão, a Revolução continua”, suponho que seja isto.

        2. Tempos houve em que evolução profissional passava por concursos/exames e imediatamente passou a ser por mérito, que alguns pouco mérito tinham mas não faziam greves.
          Por vezes esquecemo-nos, e o Sr. Horta deve saber isso, que o grande tecido do “trabalho” é
          fabril com grande ocupação de mão d’obra até à Auto Europa, por isso qual é a ambição de todos aqueles trabalhadores? Abrirem uma fábrica de calçado ou de têxteis? Ou uma oficina de automóveis?
          A questão é sempre a mesma, por causa dos funcionários públicos e tal. É só darmos uma voltinha pelos funcionários públicos dos países da UE e ficamos a saber quantos são e qual é a sua ambição.
          O Sr. Horta, talvez, não quisesse dizer concretamente quem é que não tem ambição. Calhando são sempre os mesmos que se deixam ultrapassar, ou até cedem o lugar, pelos espanhóis.

          1. Porquê estudar mais, investir mais, trabalhar mais, se o resultado do esforço é pagar um cada vez maior percentil de impostos que devora o que se ganha, entregar uma fatia crescente ao Estado, e deixar migalhas ?

  4. Há sempre uns iluminados que se julgam portadores de soluções milagrosas para aplicar a todos, só que, na prática não passam de ideias fantasiosas com o único fim de tomar o poder.
    Veja-se o caso da gestão da pandemia na Madeira em que o pequenino ditador também acha que está a fazer o melhor para todos.
    Se a maioria está de acordo com o sistema, porque carga de água é que a minoria há-de achar que tem uma solução melhor para todos?
    Ou também é da teoria do PCP que está sempre a defender o “nosso povo” das malfeitorias do governo?
    Cada um é livre de defender as ideologias que quiser, mas se as ideologias que defendemos não são as da maioria, e não conseguimos passar a nossa mensagem, só temos é de ficar resignados e tentar mostrar por meio de acções que somos melhor que os outros.

      1. É essa é que é a sua argumentação?
        Se as minhas são grandoladas as suas são o quê? Arianas?
        Já reparou que estas discussões são como no futebol, o meu clube é sempre o maior, nem que esteja na terceira divisão.
        Se o seu clube é melhor que os outros só tem é de demonstrar escusa é de dizer que a “Liga” não presta.
        Essa teoria, que a solução das minorias é melhor que a solução das maiorias faz-me lembrar a frase do deputado Tiririca, ” vota no Tiririca que pior não fica”.

        1. Não terá entendido. As grandoladas eram a manifestação de uma minoria contra um governo legítimo. As grandoladas eram também legítimas, mas parece que para si o meu texto é de mau gosto. Talvez se dar por isso, confirma a tese.

          1. Não, o seu texto não é de mau gosto, retrata é apenas a opinião de um grupo que neste momento é minoritário. Por isso é que lhe dei o exemplo do ditadorzinho da Madeira, se eventualmente o PSD fosse maioria no Continente o que é que podíamos sofrer. Não tem nada a ver com competência, tem a ver é com prepotência, demonstração gratuita de poder sem nexo.
            No tempo do Coelho, também havia uns iluminados a dizer que o país estava melhor as pessoas é que não percebiam. Pois, as pessoas eram estúpidas na altura.
            Ó Paulo Sousa já se interrogou porque é que as pessoas não aderem à sua mensagem de ambição? Ou porque é que tem tanta dificuldade em demonstrar a seriedade das suas ideias de crescimento para o país?

          1. “Além de anónimo, não seja também idiota.”
            Anónimo não sou, toda a gente me conhece. Idiota sim, toda a gente o diz mas eu não noto nada. Nem acredito.

  5. Privatizaram o céu venderam a Terra
    Encomendaram o véu mas ocultaram a guerra
    Educaram, nunca disseram como realmente era
    Este mundo tem picos a mais pa esfera

    E enquanto metade espera outros querem passar à frente
    Vivemos todos num quem me dera que isto fosse diferente
    Andamos, de costas voltadas pro tempo
    Porque custa a passar ou porque passa rapidamente
    https://genius.com/Subtil-esperanca-lyrics

  6. O problema é que isto não muda num dia que nunca chegará, enquanto não houver pernas nem engenho para ir mudando.
    Enquanto isto, os costumeiros obreiros da desgraça vão repetindo até à exaustão o estafado empecilho, de alto lá com as passadas maiores que as nossa empenadas e curtas pernas.

  7. “Uma crise de ambição”
    deve ser substituida por
    “Crise de ambição por desenho”

    Esse foi sempre o objectivo do regime, acabar com toda a ambição que não seja a do Estado Socialista.

  8. Não é só o “Special One”! O homem é bruxo! Sabe que ambições têm as outras pessoas só de olhar para elas e sabe a solução para todos os males da economia portuguêsa, a cura da Covid, os números do euromilhões e o mais que se queira.
    Sabe, mas não nos diz que nós somos burros e não percebemos. Teremos de ter paciência e viver sem Uns Especiais em estrangeiro, e descobrir o nosso caminho sózinhos.

    1. Não é só este “Special One”, é também a OCDE, a UE e o exemplo de todos quantos seguiram fórmulas diferentes da nossa e já nos ultrapassaram. Haverá quem ache que estão todos errados e que por isso devemos continuar orgulhosamente sós, a definir o nosso futuro. Sem mudanças será apenas a definhar o nosso futuro.

      1. Estou consigo
        Proclama-se aos sete ventos que o mal do País são os funcionários publicos,…mas quando corre mal o porquinho mealheiro quem é ?
        Acabem com os RSI e outros subsidios que sustentam o ócio e o crime, e depois verão parte do país a crescer. O Funcionário Publico não toma o pequeno almoço às 10 da manhã no café da esquina. A maior parte dos FP” ganham o salario minino, e muitos não recebem abonos para os filhos, sendo que há carreiras técnicas no Estado, que servem o Cidadão, que deslocados, auferem muito menos que um casal que tenha 2 filhos, mas com RSI, Abonos, Tarifas Sociais, bens entregues pela Caritas ou outros, como agora Internet a preço apropriado, e depois como nada fazem desenvolvem doenças (vg. hipertensão, diabetes, etc..) onde vão sobrecarregar o SNS e, ainda reclamam …
        Sou filho de emigrante e neto de contrabandista, na zona da raia -interior -(para politicos, fica à saída das pontes de Lisboa) , nada lhes foi dado, bem como a muitos outros Portugueses também não, pelo que, deixem de ver programas estupidos nas TV’s e telenovelas, e estudem e trabalhem, pensem pela vossa cabeça, sendo auto critico e não engolindo tudo.
        Apenas um desabafo.
        Cumprimentos.

        1. O problema, como se existisse apenas um, não é a existências dos Funcionários Públicos. O país precisa deles e sem eles não se pode levar minimamente a sério. Teríamos sim, menos problemas, se o funcionalismo público fosse reorganizado e adaptado às necessidades país sem descurar que quem o compõe seja remunerado de forma equilibrada com os restantes trabalhadores. A facção imobilista do país, perante qualquer tentativa de (ou até a sua simples menção) uma reforma dos serviços, reage como se de um ataque à sua classe se tratasse.

  9. nem sei se deva rir.
    Bem, para alem de que muitos santos afinal sao de pes de barros, e gostava de ver o mourinho mas a treinar o carcavelinhos, saltando divisoes, e colocando-o na primeira divisao num apice.
    Gostava de ver o tal senhor a “salvar” o BES, sem despedir ninguem e sem dinheiros internos. Realmente estranhasse que existindo tamanho portugues lá fora, nao se recorresse a ele para operar o milagre de fazer omolete sem ovos.

    Mas o que realmente importa, tambem aqui : significa que naquele pais o tal banqueiro conseguiu colocar os residentes todos plenos e felizes ? Por outras palavras: esses paises da primeira divisao para que, porque existem governos, se tudo corre sobre rodas, e portanto paises sem problemas.
    Carissimo, face a essa realidade, que sao os problemas em todos os paises, melhor faria explicar o que quer dizer com ambiçao.

    1. Eu lembro-me do União de Leiria em 4º lugar na época de 2001/2002. Lembra-se quem era o treinador?
      Mas pelo que entendi o seu ponto não é esse. Por não gostar da mensagem ataca o mensageiro. Prefere manter a situação, e dessa forma confirma o título do postal.

      1. o fascinio pelo Banqueiro é o equivalente ao meu fascinio pela torre dos clerigos.
        Portanto estamos conversados sobre o que penso mas da mensagem.
        Nem de proposito acabo de ver do jn no instagram, o joao pinto, ex capitao : a mistica é ir buscar forças onde nao existem.

  10. Se me permitem um comentariozinho, vejo que os comentadores batem sempre no mesmo, funcionários públicos, que consideram excessivos, mas quando os pais não têm professores para os seus filhos uivam que nem lobos; ou quando vão a um hospital e esperam horas e horas a fio nas urgências ou meses/anos para realizarem uma cirurgia, vão para as teves queixarem-se que ninguém quer saber deles, é certo que nas autarquias há gente a mais, como é possível em Lisboa ter dez mil pessoas ao serviço da edilidade!
    Mas há uma coisa que é muito pior que isto, as nossas elites privadas, que gerem as suas empresas apenas com um sentido de lucro, para eles, claro, e os trabalhadores, ou “colaboradores” para ser mais chique, como diria o Eça, ganham uma vida inteira pouco mais que o salário mínimo, peguemos no turismo que na última década teve um crescimento gigantesco e daí? O que é que os ditos “colaboradores” beneficiaram com os lucros das pequenas e médias empresas? Talvez um veículos de alta cilindrada alemãs que os proprietários das empresas acabaram por comprar, uns barcos ou, a última atitude chique mesmo de verdade, adquirir um daqueles veículos americanos, elétricos, claro, que como símbolo um “T” ou um tê!
    Por último, os partidos políticos, aqui como em qualquer país democrático são razoáveis e agem de acordo com o que os eleitores, que o são sempre, querem; é como os proprietários das empresas que elegem um mercado ou um produto porque sabem que é isso mesmo que o mercado quer; ou não será por isso que o Dr. Horta e Costa tem tido tanto sucesso a guardar as poupanças ou os roubos de alguns, na administração de bancos em países que se sabe que são “lavandarias” dos dinheiros sujos.

    1. As empresas privadas mal geridas por empresários com a 4ª classe, descrição recorrente e simplista feita defensores do imobilismo do país, são as entidades que mais beneficiarão com a reduzida atratividade da nossa economia. A barreira fiscal, a burocracia dos serviços, a disfuncionalidade da justiça, ao impedirem que investimento estrangeiro, que introduziria competitividade ao nosso mercado, são o maior seguro vida que se possa dar aos que já esgotaram o seu potencial.

  11. Portugal não cresce há 20 anos, desde que aderiu de forma anti-democrática à ditadura NeoLiberal da Zona Euro. A dívida externa privada disparou, e só foi travada de 2011 para cá graças aos cortes estruturais nos rendimentos do trabalho e nos instrumentos (lei laboral, contratos colectivos, horas extraordinárias, sindicalismo) que antes davam aos trabalhadores no privado um pingo de poder negocial. Enquanto eativermos no Euro, isto não vao mudar. À Esquerda temos PCP e BEa dizer a verdade, mas à Direita qual é a alternativa? São todos igualmente Euro-fanáticoa (ou do Extremo-Europeísmo) que aceita tudo o que seja mau para Portugal, desde que vá dando umas migalhas em subsídios Europeus para aquela “elite” que vive em torno da bolha do poder Lisbonense.
    Sem EUROexit, Portugal não tem futuro. Sem renegociar dívida, Portugal não tem futuro. Sem banco central próprio a definir política moeetária adequada à nossa economia, vamos continuar em morte lenta, ou sem crescimento nem investimento, ou com crescimento baseado nos sectores de baixa produtividade como o turismo. Portugal precisa de uma maioria patriótica, não só de Esquerda (PCP e BE) mas tambén de Centro-Direita. Estes 20 anos perdidos são culpa dos Eurocornos. O país de salários mínimos (sic Eugénio Rosa) é resultado da liberalização excessiva e falta de protecciobismo. A “elite” Lisbonense vive principescamente na sua zona gentrificada enquanto o reato do país definha. Voltámos ao valor de desigualdade no índice Gini de 1973. Fizémos tudo errado. Aúltima grande reforma estrutural positiva foi em 1979 (criação do SNS por PCP, UDP (BE), e PS), e já não há mais anéis no dedo para vender (privatizar aos desbarato e contra os nossos próprios interesses eatratégicos) pelo que agora o Extremo-Centro anda em conversas para vender tamvém a mão (acabar de vez com o SNS Público) e o braço (plafonamento/financeirização da segurança social). Tudo errado, tudo a caminhar para o lado oposto aoa melhores exemplos: os países nórdicos, ora fora do Euro, ora fora também da NATO, ou até fora da UE, cheios de serviços públicos bem financiados, e a maioria cheia de direitos laborais e sindicalizados, com muito maior carga fiscal (não é preciso subir impostos, basta não ter um offshore da Madeira, vistos gold, borlas no IRS para expatriadoa, etc) e com o Estado detentor dos sectores estratégicos (REN e CTT privados são caso quase único no Mundo).
    É triste ver a falta de pensamento em blogues da Direita como este, que 20 anos após a asnwira capital (excessiva luberalização e adesão anti-democrática à ditadura do Euro) continua, em nome do seu Euro-fanatismo que partilha a 100% com o PS, a fazer de conta que não sabe qual é o problema.
    #EUROexit

    1. Essa foi a política levada a cabo pela Venezuela, onde o processo do #bolivarexit já praticamente concluído. Desde que o governo autorizou a circulação do dólar a vida dos venezuelanos teve finalmente algumas melhorias, ligeiras mas efectivas.

      1. Claro, já cá faltava a idiotice…
        Agora ter moeda própria (algo que existe em todo o Mundo e só não é praticado pelos 19 palermas do Euro desde 2001) é a “vuvuzela kuba estalinismo”… Agora, ter uma política de câmbio amiga das exportações, compatível com pleno emprego e com a poupança, e ter uma dívida nacional controlada (porque não é ao exterior, mas sim ao próprio país em geral e ao próprio banco central em particular, como acontece com os SUSTENTÁVEIS 250% de dívida pública do Japão, governado por conservadores de Direita).

        Meu caro, eu vivo na Dinamarca, uso coroas dinamarquesas no dia-a-dia, não uso Euros. Quando vou passear à Suécia, estou 100% seguro num país fora da NATO. E quanto fui de férias a uns belos fiordes Noruegueses, estava num país fora da UE.

        Todos com muito mais sindicalismo, muitos mais direitos laborais, todos com moeda própria, todos com forte regulação do Estado e intervenção em sectores estratégicos, todos democracias porque todos soberanos. E em todos se vive muitíssimo melhor que no “Chile Pinochetistas” do Sul da Europa, em que os Euro-fanáticos transformaram Portugal, país do qual tive de fugir.

        Por isso, antes de voltar a responder com uma idiotice “vuvuzela kuba estaline” ao nível da Extrema-Direita, fica a saber que está a falar com um refugiado português, que teve de fugir dessa tragédia (do extremismo neoliberal e eurofanático) em que vocês querem impor (sem eleições nem referendos) aos portugueses.

        Agora tchau, vou começar o meu turno de 6 horas (30/semana) para ganhar o equivalente a 4 mil € por mês, aqui na Dinamarca, um país que você com o seu cérebro tresloucado, acha que tem “a política levada a cabo pela Venezuela”. Para pessoas como você, nem com a vacina essa doença passa, que isso de que você sofre é bem pior que a covid…
        Se tivesse ficado em Portugal, teria de produzir ainda mais, trabalhar mais 10 horas por semana, fora as horas extra mal pagas, e mesmo pagando menos impostos, iria receber um salário muitíssimo mais baixo (1000€ ou menos). O problema de Portugal, cada vez tenho mais a certeza, é que o 25-Abril ficou incompleto: até deitou o regime fascista abaixo, mas o fascismo ficou por lá entranhado, ora nos “cérebros” do patronato, ora nos “cérebros” das elites que financiam certos partidos. Nunca hão de sair da cepa torta.

        1. Antes do euro também tínhamos uma política cambial amiga das exportações. Sabe o que isso significa? Lembra-se desse tempo de desvalorização mais ou menos regular da moeda e do impacto que isso tinha na aquisição de bens que não produzimos? Sabe o impacto que isso tem nas taxas de juro? E na dificuldade que isso acarreta no controlo da inflação, e do peso que a inflação tem na algibeira dos pobres em especial?
          Brinca com as palavras refugiado em fuga do neo-liberalismo com a ligeireza de quem faz por ignorar o que se passa nos países de onde fogem os verdadeiros refugiados. Faz também por ignorar que a Suécia se sente tão segura fora da NATO que até já reintroduziu o SMO e, tal como na Finlândia, têm diversos partidos que perante as permanentes provocações da Rússia, fazem da adesão à aliança Atlântica uma das suas bandeiras?
          Mesmo com a definitiva sina que os emigrantes têm colada à alma, que quando no país de origem são de fora, e quando fora são do seu país de origem, espero que permaneça nessa terra das farturas, e que seja coerente com a sobranceria e desprezo que exibe, não participando por isso nas nossas eleições. Já cá temos palermas suficientes a defender o soberanismo nacionalista da moeda própria e do “orgulhosamente sós” em luta permanente contra a disciplina das finanças públicas.

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