
(cerca de Matola-Rio, 2000, reprodução de fotografia de Luís Abélard)
Os textos de blog são de ocasião. Mesmo assim vou seleccionando alguns aos quais ainda encontro sentido. Para uma memória do que fui pensando e vivendo. E que colijo, acima de tudo para que a minha filha um dia os possa “folhear” (em scroll down, claro) para saber o que o velho pai ia resmungando. Mas se em alguns destes textos outrem neles ainda encontrar motivos de interesse isso será um prazer para mim.
Aos meus 50 anos, e após duas décadas em Moçambique, inesperadas razões pessoais fizeram-me regressar a Portugal. Por um lado, quase nem notei que havia estado ausente, pois logo fui abarcado com veemência pelo velho núcleo de amigos. Mas, por outro lado menos pessoal, após os primeiros tempos de estada – e apesar de sempre ter mantido o contacto com o país – fui ficando espantado com o ambiente geral, com a discussão pública, numa sensação de irrealidade. Levei algum tempo a recentrar-me, a olhar para o que os outros olham, essa que é a melhor forma do mortal comum viver em algum sítio. Nesse período de aclimatação fui blogando. Juntei agora um conjunto de 38 postais a recordar essa quase reaprendizagem do país, e chamei-lhe o meu “Ocaso Boreal” – quem tiver paciência e interesse bastar-lhe-á “clicar” no título e gravar o pdf. Na capa coloquei-lhe esta fotografia, feita pelo meu amigo Luís Abélard, de quem tenho saudades.
(E para quem tiver curiosidade sobre outras colecções que já fiz sobre o que venho perorando em blogs desde 2003, elas estão arroladas aqui.)

Admiro o trabalho e a capacidade de organização.
Aquilo que estamos a falar é escrever um livro, paginá-lo, fazer as capas, públicá-lo e colocá-lo, gratuitamente, à disposição de todos.
É um gesto de grande altruísmo.
Faço, apenas, um pequeno reparo, nesta transposição de “posts” para livro perdem-se os comentários e as respostas aos comentários que às vezes, tantas vezes, são tão (ou mais) interessantes como (que) o texto original.
Bem, direi que – salvo as óbvias diferenças – é o mesmo que a diferença entre um disco de estúdio e um disco ao vivo…