Perturbada com a história dramática de Amina Filali, sobre esta lei aberrante escrevi isto no Delito, há quase um ano. Graças à intervenção incansável dos activistas dos direitos humanos em Marrocos e às inúmeras manifestações internacionais de indignação perante esta prática legal, a lei vai, finalmente, ser revista. É pouco, dir-me-ão. Claro que é pouco: os abusos sobre mulheres nos países árabes não se limitam a esta situação, há um mundo de direitos fundamentais que ainda lhes são negados. Mas é um princípio, e saúdo o rastilho que há-de atear o fogo. O mundo está em mudança, e acredito que não terá sido por acaso que o ministério para o Desenvolvimento Social de Marrocos foi entregue a uma mulher.


Muito importante!
Muito importante mesmo, Luís. Espero que seja mesmo um rastilho.
não terá sido por acaso que o ministério para o Desenvolvimento Social de Marrocos foi entregue a uma mulher
Isso possivelmente também terá algo a ver com o facto de que atualmente em Marrocos – tal como na generalidade do mundo islâmico e não só – as mulheres possuem mais formação académica do que os homens, constituindo uma larga maioria dos estudantes universitários, pelo que se torna cada vez mais difícil ignorar as suas qualificações.
É possível, mas esse facto também já é, por si só, sintomático da mudança. Houve um tempo em que as mulheres árabes não tinham sequer acesso ao ensino, e isso ainda acontece em alguns países. No Afeganistão dos Talibans, por exemplo.