Hoje é o primeiro Domingo do Advento. Na Alemanha, devido à proximidade das Igrejas Católica e Luterana, o Advento é uma época de preparação para o Natal intensamente vivida. Para isso, muito contribui a Coroa do Advento, um arranjo com folhas de azevinho ou de pinheiro manso, contendo quatro velas. No primeiro Domingo, acende-se uma vela e, nos seguintes, vai-se acrescentando mais uma, até chegar às quatro, no último Domingo antes do Natal. A Coroa do Advento é uma invenção luterana do século XIX e não falta em nenhuma casa alemã, seja Católica, seja Protestante. O Calendário do Advento, com a mesma origem e, no início, pensado para crianças, é igualmente uma grande tradição.
Vivemos tempos difíceis, com a pandemia mais activa do que nunca, evitando grandes convívios nos mercados de Natal alemães (alguns tornaram mesmo a ser cancelados). Também muitas famílias já se perguntam se será avisado reunirem-se para a Consoada. Devido à tristeza e à falta de esperança, crianças e jovens ligados à Igreja Luterana andaram ontem, no centro de Stade, a distribuir bênçãos.
Vinham na forma de um pequeno saquinho de papel, atado com um lacinho. O Horst e eu também tivemos direito, sem fazer ideia do que vinha lá dentro. Resolvemos abrir só hoje, no primeiro Domingo do Advento. Eu escolhi o lacinho verde (o outro era prateado) e deparei com uma velinha enfeitada com três estrelinhas e um poema, escrito num papel vermelho. A sua autora chama-se Hanna Buiting e eu gostei tanto, que resolvi traduzi-lo, embora seja extremamente difícil traduzir poesia. Mas darei o meu melhor.

Do que se necessita
Há muito esperada
Envolta em eternidade
Em todo o lado conhecida
E no entanto
Rodeia-te um mistério
A ti, criança do presépio
Início de todos os inícios
Realizadora de desejos
Pessoa-saudade
Como te hei-de receber?
Diz-me
Murmura nos meus sonhos
A tua bênção
Para que ela me envolva
E o Natal aconteça
É esta a verdadeira função da Igreja: ser uma luz na escuridão, um sinal de esperança, um momento de reflexão. Obrigada, Igreja Evangélica Luterana de Stade! Obrigada às crianças e aos jovens que distribuíram as bênçãos!

A nossa alternativa à Coroa do Advento. Hoje acendemos a primeira luzinha.

Excelente postal pré-natalício, Cristina. Espero que o vosso Advento e o vosso Natal corram muito bem. Com essas luzinhas de esperança a iluminar-vos.
Muito obrigada, Pedro.
Nunca pensei que o Outono viesse a ser tão escuro, por aqui. Esta grande explosão de casos ainda não tinha acontecido. E agora, depois de surgirem as vacinas, ninguém esperava. Bem sei que há muita gente por vacinar, mas mesmo assim…
Pelo menos, o Verão foi bom, em Portugal. Parecia mesmo que a vida estava prestes a voltar ao normal. Enfim.
Tudo de bom também para si.
O poema é muito bonito e significativo e a mensagem também é marcada pela esperança que todos necessitamos. Obrigado.
A Coroa Advento, de tradição familiar germânica, acabou por ser adoptada pelos católicos e, creio que impropriamente, invadir a liturgia católica. Não está em causa o seu valor simbólico, mas penso que não era preciso passar da realidade familiar. A sede de novidade e a mania de importar tudo redundou mesmo num certo consumismo de velinhas… E depois, temos, como há dias ouvi, a canção “O Tannenbaum” traduzida por “Ó Luz de Deus” a acompanhar o acto, em pleno início de Advento… Enfim.
Realmente, não faz sentido essa tradução de “O Tannenbaum”. Não havia antigamente uma versão que lhe era mais fiel e que começava assim: “Meu bom pinheiro, de Natal, que bela a tua verdura”?
Quanto a invadir a liturgia católica, não entendo bem. A liturgia católica alemã tem essa tradição. Na Alemanha, os cristãos dividem-se entre o catolicismo e o luteranismo, mais ou menos metade da população para cada lado. Eu, por acaso, vivo numa zona de maioria luterana. Mas há outras de maioria católica, como a Baviera, por exemplo.
Gosto destes costumes do Advento, uma época, muitas vezes, aproveitada para desacelerar, para a reflexão, como preparação para o Natal. Quando vivia em Portugal, tinha a sensação de que o Natal chegava de rompante e desaparecia da mesma maneira.
Já esperava esta resposta, Cristina e compreendo a sua posição. Medi bem a palavra “invadir” porque, efectivamente essa tradição não é nossa (portuguesa) e muito menos faz sentido fazer parte da própria liturgia que não precisa de mais uma coisa. Esta já tem os sinais suficientes para se viver o Advento; basta sabê-los usar. A inserir algo da tradição popular deveria ser português e não de uma cultura importada por muito bela que seja. Quanto à canção o caricato é cantar-se uma canção que toda a gente sabe que é de Natal e não de Advento… Não se trata de uma tradução mas de uma adaptação de um texto que, como refere na sua tradução, fala do “pinheirinho” e das suas verdes agulhinhas… e não da luz… De facto, a vivência do Advento é quase imperceptível, mas o Natal não chega de rompante em 25 de Dezembro; infelizmente, chega “de rompante”, a meados de Novembro” com os anúncios da “Popota” as figurinhas do Pai Natal a trepara as varandas e as luzinhas a alumiar as casas… A publicidade é que manda. Bom Advento, Cristina e família, que eu vou procurar fazer o mesmo… e sem velinhas…
Não há dúvida de que se exagera nos enfeites e nos símbolos natalícios (que, muitas vezes, nada têm a ver com o Natal). E começa-se cedo demais, sim.
Obrigada, igualmente.
“Quem não trabalha não terá o que comer” São Paulo
« Tréveris (em alemão: Trier) … Tréveris foi fundada no século I a.C. como Augusta dos Tréveros (Augusta Treverorum), supostamente pelo próprio imperador Augusto. Nos séculos III e IV, sediou o governo do Império Romano e foi capital da província de Bélgica Prima….. Tréveris está localizada na região do rio Mosela, divisa com Luxemburgo e norte da França. Tem ruínas romanas antigas como por exemplo a Porta Nigra.
Não vivo nessa zona, mas já lá estive.
Fui educada no protestantismo (que chegou à minha família por via do casamento de uma das primas da minha avó com um alemão) por isso a mim toca-me sempre mais fundo a simplicidade da liturgia protestante e os pequenos gestos que inspira nos seus seguidores. Como este, aqui descrito.
Feliz Natal, Cristina
Sim, esta simplicidade também faz bem. Os alemães são muito ecuménicos, as duas formas de viver o Cristianismo estão aqui bastante ligadas. Há inclusive missas conjuntas, aliás, sem Eucaristia, pois Roma não permite, para bastante tristeza da Igreja Católica alemã.
Feliz Natal, Teresa.
Obrigada pelo seu texto. Fiquei mais conhecedora, mais rica.
Obrigada eu pelo seu comentário.