Uma bela carnificina


eventhorizon,

Carnage – em português, O Deus da Carnificina -, de Roman Polanski, é em certa medida o oposto de muitos dos filmes que podemos ver hoje em dia: actores de qualidade misturados com actores com menos qualidade em produções feitas para mostrarem grandes cenários (normalmente feitos em computador) pirotecnia, efeitos especiais e cenas de acção e suspense que querem ser muito originais mas que acabam por ser invariavelmente iguais. E é justamente por ser o oposto dessa tendência que Carnage é um filme excelente e refrescante – Polanski juntou quatro actores de provas dadas, colocou-os numa sala – numa única sala, em todo o filme – e deu-lhes um argumento bem escrito e inteligente para trabalharem. O resto é talento puro – e que talento. Jodie Foster, John C. Reilly, Kate Winslet e Christoph Waltz representam dois casais a tentar resolver amigavelmente um confronto violento entre os seus filhos, ainda crianças – mas da tentativa de amenização até ao mais puro ressentimento vai uma distância mesmo muito curta. 

 

A força de Carnage, como já disse, reside nos actores, que têm desempenhos formidáveis. Destaco, no entanto, Christoph Waltz, uma vez mais absolutamente brilhante. Vê-lo representar é uma maravilha. Polanski merece todos os elogios por este filme, mas há que colocar também uma velinha a Tarantino – que o mostrou ao mundo em Inglourious Basterds, e lhe deu o lugar que merece com toda a justiça: entre as estrelas do cinema mundial. Como aquelas com quem contracena neste filme.

6 comentários em “Uma bela carnificina”

  1. Este não perco, tem tudo para eu gostar! Obrigada pela dica. Justíssimo o que dizes de Tarantino, não sou grande fã dos filmes dele mas tem a minha eterna gratidão por ter revelado um actor com a craveira de Cristoph Waltz.
    Bom ano cinéfilo para ti, Skywalker!

    1. Recomendo muito, Ana! Por acaso calhou ir ontem à estreia, não estava planeado. São 80 minutos muito bem passados. O filme é divertidíssimo, e consegue ter umas entrelinhas muito interessantes. E sim, o Christoph Waltz é um senhor. A continuar assim, não acaba a carreira apenas com um Óscar.

      O ano cinematográfico de 2011 salvou-se com este e com o Melancholia (que é formidável – só não escrevi sobre ele porque foi bastante falado por aqui). Tenho grandes expectativas para 2012 – já foram anunciadas duas estreias muito promissoras – mas sobre isso tenho um post para publicar hoje ou amanhã (espero!).

      Bom ano cinéfilo, Ana 🙂

  2. Sou talvez suspeito porque Polanski é um dos cineastas vivos que mais aprecio. Gostei do filme, género ‘huis clos’, uma espécie de ‘Quem Tem Medo de Virginia Woolf?’ sem a intensidade dramática deste último (a propósito, recomendo a peça em cena no Teatro Nacional, com excelentes interpretações de Maria João Luís e Virgílio Castelo).
    Espero ter tempo para escrever sobre o filme. E sobre a peça. Recomendo ambos.

    1. Mas a peça na qual este filme se baseia (God of Carnage) está em exibição por cá? Ao ler algumas reviews ao filme no imdb.com e no rottentomatoes.com fiquei com vontade de ver… e eu nem sou grande apreciador de teatro!

      O filme é mesmo muito divertido. Mas, lá está – entre as gargalhadas que provoca, está também uma crítica bastante violenta a uma série de aspectos mais ou menos hipócritas da nossa sociedade. Achei particularmente interessante a personagem da Jodie Foster, sobretudo porque não consigo gostar de pessoas como aquela personagem (e conheço algumas).

      Já agora, reparaste na rápida aparição do realizador no filme?

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