O problema da violência no desporto não é um tema novo. De há vários anos a esta parte que na Europa, em África e na América Latina, em especial no Brasil e na Argentina, as lutas dentro e fora do campo têm chamado a atenção para a necessidade de correcção e de controlo de alguns comportamentos.
Uma breve análise (empírica) revela que normalmente a violência esteve sempre presente no desporto, em maior ou menor escala, mais ou menos contida, mas que tende a aumentar com as crises económicas e sociais.
Os estádios e as suas imediações tornam-se nas arenas do confronto e tudo serve para justificar a violência. O que nos últimos dias aconteceu entre nós mostra-nos que muito pouco tem sido feito e que é necessário tomar medidas a sério que garantam a segurança dos espectáculos desportivos e penalizem de forma inapelável aqueles que dentro ou fora dos estádios contribuam para, ou estimulem, a espiral de violência.
Não faço distinções de grupos ou de claques. Nesta matéria não há nem pode haver clubite.
As claques têm demonstrado, todas sem excepção, que são corpos espúrios do espectáculo desportivo e que não haver qualquer complacência com quem pretende transformar o desporto, e não apenas o futebol como se tem visto pelos exemplos que também temos do hóquei em patins e do futsal, no vomitório das suas frustrações, dos seus insucessos, no espelho da sua cobardia, insegurança e miséria moral.
O Estado, e muito em particular os dirigentes desportivos, tem de ser responsabilizados pelo que está a suceder. O primeiro porque tem por obrigação de garantir a existência de mecanismos de contenção da violência e de segurança dos espectadores. Os segundos porque têm actuado de forma pouco responsável no modo como a condenam e punem, de nada servindo as lágrimas de crocodilo e as palavras de circunstância que agora se ouvem.
No caso dos dirigentes isso é particularmente grave porque estão sempre prontos a perdoar a violência de jogadores e dirigentes, verbal ou física, encarando-a rotineiramente como um pequeno lapso sem consequências. O que se passou entre Sá Pinto e Artur Jorge, ou o murro de Scolari num jogador de uma equipa adversária, deveriam ter tido outras consequências. A indisciplina e a permissividade andam de braço dado com a violência.
Já lá vão uns anos desde o célebre e triste caso do “very-light” na final da Taça de Portugal. Este caso devia ter colocado um ponto final na forma como as claques são encaradas. Mas não. O que se vê é que continuam a ter as suas instalações, algumas vezes dentro dos próprios clubes, organizam viagens de acompanhamento para os clubes que apoiam, gozam de meios substanciais e da protecção de dirigentes, havendo mesmo alguns que se orgulham ou apresentam como cartão de visita o terem sido líderes de claques quando chegam a dirigentes desportivos.
São demasiados os casos de violência nos últimos anos e excessiva a condescendência com a actuação das claques e dos dirigentes que estão dispostos a aceitar passivamente a violência por elas gerada. Temos tido de tudo, do insulto como palavra de ordem habitual, coisa que não se vê em mais nenhum outro lugar, às simples ofensas corporais, passando pelo vandalismo puro e duro, o tráfico de droga e a posse de arma proibida. A maior dureza e organização que tem sido colocada na actuação das forças policias continua, pois, a revelar-se insuficiente. Os petardos continuam a entrar para dentro dos estádios, o vandalismo campeia, a violência gratuita é o mote.
Por mim, quem de forma tão ostensiva promove a violência, ignorando os apelos à calma, ao respeito, à contenção, ao fairplay, tem de ser sancionado. Quem a caminho de um jogo de futebol se dedica a provocar desacatos nos locais por onde passa, agredindo simples transeuntes, assaltando bombas de gasolina e lojas, partindo vidros, arremessando objectos, só pode aspirar a um prémio: a repressão, o regresso ao ponto de partida ou os bancos de uma esquadra. Não pode é seguir viagem até ao estádio como se nada tivesse acontecido, com protecção policial, entrar nele, para continuar a sua escalada, ser saudado pelos jogadores e dirigentes da equipa que apoiam e acabar partindo cadeiras, atirando tudo o que tem à mão para dentro do relvado e deixando depois da sua saída um rasto de destruição e de prejuízos. Se esta escumalha não tem quem a eduque em casa vai ter de ser educada na rua, pelo Estado, e à força se necessário for. Mesmo que para isso seja necessário fazer rolar algumas cabeças, afastar os dirigentes que temos e que mais não têm feito, através do discurso que cultivam, da sua deficientíssima preparação para a responsabilidade dos cargos que ocupam e da pobreza de valores e de princípios que exibem, do que fomentar a violência, dentro e fora dos relvados. Não se pode permitir a continuação deste estado de coisas. Tem de haver alguém que ponha um ponto final nisto. É que a violência é como um vírus que tende a alastrar se não for devidamente contida e reprimida, reflectindo-se depois em casa e no trabalho, no convívio com os outros, nas discussões de café. É tempo de agir e de agir com firmeza. Sem vacilar.

No domingo à noite, até o Rui Santos teve razão. onde é que está o governo a condenar e a reagir sobre os casos de violência no desporto?
Era bom que se pudesse controlar. Enquanto houver dirigentes que não o sabem ser, não haverá possibilidades! Enquanto houver jogadores que façam fita e saiam impunes. Não haverá possibilidades! Enquanto houver dirigentes a trocar palavras azedas entre si. Não haverá possibilidades. Enquanto não houver cursos de dirigente desportivo e só esses o possam exercer…. não haverá possibilidades! Enquanto não houver alguém , cuja “agricultura” seja forte……haverá sempre impunidade. Enquanto o lugar de dirigente da liga for remunerado principescamente ….não haverá impunibilidade . Enquanto lugares destes derem alguma promoção social…….não haverá possibilidades!! Enquanto não houver alguém que goste de desporto pelo desporto, que se consiga por longe do clubismo, ou houver alguém que nos governe sem clubite e que imponha aos outros isenção, nunca serão puníveis os culpados por ter-mos um desporto mau. Claro que isto é lirismo. Claro que isto acontece em todo o mundo! Imponham sanções a quem não merece estar no desporto e este vai-se modificando. Às claques que mostrarem violência, nas as deixem entrar no campo!!!!
Nada a fazer, quanto às claques. Pelo menos no que diz respeito aos dirigentes dos clubes, que criaram o monstro. Agora vivem sob o jugo de uma autêntica “Guarda Pretoriana”, que os protege de supostas ameaças externas (vide chegada de Pinto da Costa ao tribunal de Gondomar, rodeado de Super Dragões…). Mas ai do presidente de clube grande que acabe com elas ou que ouse sequer enfrentá-las… No mínimo levará com um valente enxerto de porrada (de um gang “anónimo”) pela calada da noite. Na pior das hipóteses… É melhor nem sequer tentar imaginar.
As claques organizadas, dado o seu comportamento e ideologia de violência gratuita – declarada sem pudor e com orgulho pelos seus elementos – deviam ser classificadas de associações criminosas.
Certo. Só falta mesmo classificá-las, porque na prática já o são.
Cem por cento de acordo contigo, Sérgio. Sublinho, e subscrevo, esta tua frase: “Não faço distinções de grupos ou de claques. Nesta matéria não há nem pode haver clubite.”
Nem mais.
Quem não apanham num estádio é o filho do meu pai.
A culpa principal cabe a dirigentes desportivos que incendeiam tudo com suas declarações e com a teia de corrupção que os envolve.
Dou simplesmente o exemplo das declarações infelizes do Garção antes do Sporting-A. Madrid sobre a recepção ao Simão…
Aquele tipo nem é um cromo,já é um cartoon…