Um texto para ler no dia de hoje


Ana Lima,

Em dia de dérbi (ou derby) aí vai uma contribuição para todos os adeptos das duas equipas (e de outras): trata-se de um texto publicado numa revista que se publicou entre Março de 1926 e Março de 1927, de seu nome “Ordem Nova”, e que tinha como objectivo a mobilização para a luta política a favor da ditadura, promovendo as suas ideias e propostas.

Ribeiro da Silva, o autor do artigo, explicava então, como via o foot-ball, “o mais nefasto jogo de quantos se teem popularizado ùltimamente no nosso país”.

Num tempo em que os jogadores e treinadores são estrelas mediáticas é interessante ver como, em alguns meios, era entendido este desporto, numa altura em que as duas equipas conquistavam os seus primeiros títulos nacionais.

 

 

Este e todos os textos desta publicação (e muitos outros, claro) podem ser consultados na Hemeroteca Digital.

6 comentários em “Um texto para ler no dia de hoje”

  1. Excelente. Obrigado.
    É interessante ler as coisas antigas e ver como as coisas mudaram.

    Veja-se como o Socialismo mudou:

    Contra o Funcionalismo no Estado:
    “Assim se explica tambem o desenvolvimento da emprêgo-mania. As artes e os officios, o commercio e a industria, as profissões liberaes viram desertar das suas fileiras muitos dos seus membros que se trabalhassem diligentemente poderiam ser optimos cidadãos, para se virem alistar nos exercitos numerosos do funccionalismo. Á mesa do orçamento procuravam assentar-se todos os que ambicionavam viver regaladamente sem canceiras e sem trabalhos.”

    Contra o endividamento do Estado pois rouba crédito ás empresas e agricultura:
    “O juro em Portugal mantem-se alto; a taxa do desconto no Banco de Portugal, actualmente de 5 1/2 por cento,(Novembro de 1897.) tem sido normalmente de 6 por cento, nunca descendo abaixo de 5; para a industria não se obtem dinheiro senão acima de 6 por cento; e para a agricultura, em geral, a 10 e mais por cento. A razão d’esta alta permanente do juro é principalmente a concorrencia desastrosa que os governos desde 1851 sempre fizeram ao commercio, á industria e á agricultura, levantando emprestimos a trôco de um juro attrahente e largamente remunerador. Rendimento de facil recepção e bem garantido, na opinião do vulgo, era preferido por todos que dispunham de alguns capitaes e que tinham por ideal uma vida tranquilla sem canceiras e sem cuidados. Entretanto, privadas de capitaes, que só obtinham com juro exorbitante, a agricultura definhava e a industria difficilmente luctava para viver.”

    De:
    A DISSOLUÇÃO DO REGIMEN CAPITALISTA

    BIBLIOTHECA POPULAR DE ORIENTAÇÃO SOCIALISTA

    Teixeira Bastos 1897.

    http://www.gutenberg.org/files/24701/24701-h/24701-h.htm

    1. A história será sempre fundamental para compreendermos o presente. Mas se há coisas que foram mudando ou mudaram radicalmente, outras houve que se mantiveram ou foram mesmo agravadas…

  2. Que coisa fantástica, Ana. É engraçado como a prova do tempo torna coisas à época normais agora extraordinariamente ridículas. É ver a quantidade de rapazes “atrofiados” pelo futebol por essas ruas..!

    P.S. Já agora, não resisto a indignar-me contra o malfadado acordo ortográfico que nos tirou o “c” da palavra “fructo”. Que chatice!

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