Um texto para ler e reflectir do meu amigo Guilherme Valente, um homem sempre atento, preocupado e oportuno em matéria de educação, que é o que marca a diferença entre as nações. E também entre os homens livres e os tristes.
“Dou apenas o exemplo determinante da leitura. Transcrevo de Valter Hugo Mãe o testemunho insuspeito que cita:
“Chocou-me ouvir Alice Vieira dizer que os bestsellers dos anos 80 que a levavam às escolas para falar com miúdos do 6.º ano, agora são os mesmos que a levam para falar com miúdos do 12.º ano. Diz ela que, hoje, os livros que concebeu para miúdos de 13 anos, estão a ser lidos e trabalhados por miúdos de 17, no âmbito das escolas. ‘O que vou fazer? Pelo menos que os apanhemos aos 17, se não estes livros para 13 anos vão ser mais tarde ou mais cedo trabalhados na universidade ou em doutoramentos e eu vou ser chamada para falar com adultos marmanjões que deviam ter entendido isto aos 13 anos’.”
A observação de Alice Vieira demonstra que temos estado, desde há muito, a recuar, que os nossos jovens aprendem cada vez mais tarde o que deviam aprender muito mais cedo.” – Público, 31/12/2013

Não me admira.
Os meus filhos, que creio serem miúdos típicos, recusam-se a ler e, por isso, não sabem ler.
As crianças de hoje estão obcecadas com ecrans. É a televisão, o computador, o telemóvel, o gameboy… Só querem aquilo. Ler, de forma nenhuma.
Caro Lavoura,
Cabe aos pais educá-los, não é assim?
Bom Ano.
Claro que cabe aos pais educar os filhos. O problema é que essa educação se torna cada vez mais difícil, quiçá impossível, em face das solicitações e atrações que a nova sociedade do entretenimento fácil coloca a esses filhos. É um bocado difícil, quiçá impossível, aos pais impedir as crianças de ter acesso a telemóvel, gameboy, computador, televisão e tutti quanti.
A ideologia da D.Alice Vieira é uma das que causaram os resultados que ela agora abomina.
Agora clamam por rigor aquilo que há 10-15 anos acusavam de ser intolerância, descriminação e resquícios de Salazarismo.
Reflectir? isto vai acabar mal, quando os politicamente correctos começarem a comentar. O que acho estranho é que depois de muitos ministros negociadores com sindicatos das escolas ainda o Crato vai julgar que são paninhos quentes que vão acalmar quem nega o declinio bem evidente do ensino publico. Até se dão ao desplante de dizer que não havia rankings quando as primeiras 50 eram liceus oficiais com um ou outra privada. E especialista de muita coisa tambem tenho uma solução milagrosa para inverter o declino: avaliação constante de todos os intervenientes e responsabilização ( o que havia no tempo em que o prof só ficava se aprovado pelo reitor, que por sua vez só ficava se vestisse a camisola e tivesse bons resultados).
Eu acho que a infância e a adolescência se prolooooongam. E a minha teoria é que os pais preferem assim: fá-los mais novos! 🙂
É um facto, a adolescência prolonga-se. Sobretudo a das raparigas. Encontro muitas que, com 20 ou 30 anos de idade, continuam por casar porque continuam a acreditar que haverá uma espécie de príncipe encantado, um homem perfeito, como nos contos de fadas. E, como não se casam, continuam a comportar-se como eternas adolescentes.
Talvez seja um pouco ao contrário. Talvez antigamente as crianças aprendessem certas coisas cedo demais. Há um tempo para a infância, outro para a juventude, outro para a vida adulta. Antigamente, havia muito a tendência para ver nas crianças adultos em miniatura e sobrecarregavam-se com responsabilidades que ainda não conseguiam suportar. Daí uma grande timidez e um extremo medo de falhar, que se revelavam na idade adulta.
Não digo que hoje não se exagere para o outro lado. Mas, como em muitas coisas, talvez seja no meio que esteja a virtude.