Há quem tenha orgasmos intelectuais por ir à televisão. Não é o meu caso.
Mas vou: para promover o livro, para aceder a um pedido simpático, sempre com a ideia de que as pessoas gostam de colocar um rosto num nome e, afinal, ao fim de tanto livro talvez tenha de deixar de ser menos recatada. Ontem, dentro deste espírito, lá fui para a RTP Informação fazer aquilo que se chama a revista de Imprensa.
Não me avisaram que teria de esperar mais de uma hora.
Andei perdida com o Fernando Alvim pelo sítio, encontrei o Alvim por mero acaso. Acabámos por dar com o museu da RTP e segurança com uma resposta para nos ajudar ou sinalética? Nada.
Depois, cúmulo do cúmulo, fui informada que entraria no ar às 00:50 e se trazia boas notícias que ninguém dera, dentro da minha área, sobre livros portugueses que “então é melhor tirar o microfone e sair”. A senhora pivot, muito simpática aliás, encarregaria-se-ia de fazer a revisão da imprensa sozinha. A pergunta será: porra, então porque é que não faz todos os dias e tiram as pessoas de casa a um domingo? Esqueçam, estou a ser má. Existiam cinco capas de jornal, todas com as mesmas coisas que a RTP Infomação repetiu o dia inteiro, nada de muito excitante (a recessão, a madeira, bla bla bla) e depois duas coisas internacionais que me apareceram, no ar, sem aviso prévio e a que devo juntar um comentário: o fim das touradas na Catalunha e as manifestações em Luanda. Eu gosto da arte do improviso. Àquela hora, confesso, tenho porventura menos força de vontade, já estou num segundo sono, mas a verdade é que fiz o que mandaram. Não mostrei a nova egoísta, apesar de ter sido apresentada como editora da mesma (aliás directora que é um erro comum). Não falei das mulheres da arábia saudita com ar de felicidade porque continuam a ter muitas restrições, nomeadamente não podem – como não podíamos nós – sair do país sem autorização dos maridos ou pais. Podia ter feito a ponte para o livro da Inês Pedrosa que ganhou o prémio da Máxima e que se centra numa certa geração de homens que fez o 25 de Abril. Não pode ser, na RTP livro não entra.
Não referi a nomeação de José Eduardo Agualusa para o prémio Courrier International, pela mesma razão, sendo que ele é um dos maiores oponentes ao regime angolano. Conclusão? Fui encher o ecrã, fazer de boneca (que odeio) como um peça de carne no talho. Depois recebi umas mensagens a dizer que é uma pena não fazer televisão, ai que bonita que estavas. Francamente. Alguém me deixa fazer um programa de rádio? Obrigada.

Não acredito que não te deixaram falar de livros… então para que raio convidam um escritor, para fazer de analista político? Que absurdo.
Faço coro contigo: um programa de rádio, já! Queres companhia? Alinho. Até porque na rádio não há essa esquizofrenia da imagem, as pessoas valem pelo que têm para dizer.
Pois é, Ana, na televisão valem pelo boneco. Ao fim de mais de vinte anos de carteira profissional como jornalista recusei três vezes ir para a TV. Sempre me disseram: ah, tens um bom boneco. O pior disto é que o coordenador da noite, muito aflito, foi ligar a alguém hierarquicamente superior dizendo que eu tinha a egoísta, o livro do agualusa e da inês, ai jesus! Depois chegou perto de mim, já sentada e com microfone na lapela e disse-me: o meu chefe diz que ou faz como sempre fazemos, sem mostrar livros, ou então tem de sair. Claro que tudo isto estava muito bem se me tirassem de casa com a ideia de me darem um cheque, mas a televisão vive disto: vamos lá convidar X ou Y e depois eles ou elas dizem umas coisas à borla e vão à vida, ainda devem ficar agradecidos(as) porque os convidámos. Enfim, não há paciência e eu que sempre andei a dizer que não, que não vou a festas (ou raramente), que nunca quis fazer lançamentos de livros etc sempre fui criticada por ser bicho do mato. Ora, merda. Prefiro ser um bicho, então. E quanto à rádio, vamos nessa! beijos
De que é que estão à espera?
De um convite? 🙂
🙂
É por essas e por outras, Patrícia, que tenho fama de ser antipático. Digo logo NÃO. Salvo as excepções da praxe, porque ainda há profissionais competentes, a maioria dessa gajada convida A como podia convidar Z. Pedem nomes “giros”, fazem o convite (sem saber ao certo o que faz o convidado) e vão enchendo tempo de antena à borla. Já sabia que tens bom feitio, mas ao domingo de manhã!? É obra! Bj
pois é, Eduardo, tens toda a razão. Claro que eu nunca pensei que tens mau feitio, pelo contrário) Foi burrice e uma perda de tempo. A única coisa boa disto é a lição, não é? Enfim. Beijo
Eu ofereço-me para fazer o programa de rádio consigo… por lá trabalhei uma vida e estou desempregado. Bj
🙂 boa!
Passe a cobrar :). Gastou dinheiro+tempo para lá ir.
Mas o disparate está aí mesmo: se fosse um trabalho é que poderiam impor-te o que dizer ou o que não dizer; assim, convidada, não faz qualquer sentido.
Tem calma, Partrícia, não te amofines. Para a próxima dizes que não.
Não tenhas dúvidas, Ivone, que o um não será, mas não me convidarão mais porque escrevi um email à direcção pedindo para se esquecerem de mim, não sou um pedaço de carne no talho:) Beijo
Mas isso não faz sentido nenhum e acho que até um bocado desrespeitoso. Bolas, que gente.
É o país que temos. E diziam eles que queriam fazer algo de diferente. Enfim. beijos
Que cena, Patrícia. Há quem se pele por aparecer… há quem se afirme nunca aparecendo… mas o certo é que a visibilidade pode funcionar para o marketing pessoal e isso não tem mal nenhum. Só que o mínimo eram uns trabalhozinhos preparatórios… Pensei que a RTP funcionasse melhor, já que sustentamos aquilo tudo a caviar. Desliga, para a próxima vingas-te: dizes que sim e baldas-te à última da hora!!!
Da próxima vez, como expliquei à Ivone, nem se lembram de mim porque alguém deve ter levado nas orelhas com o email que enviei aos responsáveis. Fazer o quê? beijos