Não menosprezem José Sócrates: estamos perante um político profissional. Gostemos ou não gostemos dele, consideremos ou não que é um péssimo governante, admitamos ou não a contínua quebra das suas promessas mais emblemáticas, pensemos ou não que ninguém como ele tem sido o maior coveiro do estado social em Portugal, nunca devemos subestimar o seu talento como manobrador político nem a sua inegável capacidade de sobrevivência contra ventos e marés.
Em suma: um político profissional como Sócrates não pode ser combatido eficazmente com métodos amadorísticos. Cada palavra deve ser bem medida, cada acção tem de ser consequente, cada medida alternativa anunciada requer estudo profundo nas suas causas e consequências. À esquerda, Francisco Louçã há muito percebeu isto. À direita, Paulo Portas não ignora esta evidência. No PSD, ontem como hoje, muitos entendem que basta algum alarido mediático e uma persistente marcação da agenda jornalística para que o ciclo político se altere.
É um erro profundo pensar assim.
NOTA: Publiquei este texto no DELITO a 21 de Agosto. Creio que a sucessão de factos ocorrida nas últimas 48 horas, tendo como pretexto o Orçamento de Estado para 2011, dá acrescida razão a estas linhas – daí o motivo de as reeditar agora.


Pedro, profissionais são todos eles, incluindo os do PSD. Sócrates, quer queiramos quer não, é um grande profissional. Da política partidária, claro, o que não inclui para os efeitos da minha definição o governo do país.
A questão é que o PSD vem há anos a defender a “meritocracia” e só escolhe incapazes para o comandar. Desde Santana a Menezes, da Manuela ao Passos Coelho. No meio disto já tenho saudades do baixinho (nunca recordo como se chamava).
Aquele partido está armadilhado.
Salvo melhor opimião, o post refere-se ao político profissional José Sócrates e não ao PSD. Mas é claro que há sempre maneira de tentar desviar as atenções do que está em causa… E para tanto não falta, pelos vistos, quem se preste a isso.
O comentário do Luís M. Jorge é absolutamente oportuno. Como é que o Borges Ferreira separa uma coisa da outra? Sócrates está no poder porque, gostemos ou não – e eu não gosto -, foi escolhido pelo voto da maioria dos portugueses. Antes das eleições legislativas, as europeias permitiram aferir o desagrado que o eleitorado sentia pelo PS. E o que fez o PSD? O que se viu: asneira atrás de asneira. A verdade é que o PSD é um dos grandes culpados, se não o maior, por Sócrates ainda estar no poder.
O problema do PSD, desde logo, é o próprio PSD – um partido que se intitula social-democrata sem o ser. Outro problema, tão óbvio que fere a vista, são as “cabecinhas pensadoras” que por lá pairam. Fariam melhor em pedir emprestado o ‘chapéu pensador’ ao Professor Pardal.
Absolutamente de acordo. E não vejo o que isso tenha a ver com o que escrevi. O que eu quis dizer foi que, a qualquer referência a Sócrates ou ao seu desgoverno, há sempre quem venha com “o PSD isto, o PSD aquilo”, etc.. É fatal.
(Devo esclarecer que nunca fui, não sou nem penso vir a ser militante do PSD ou seu eleitor).
Político profissional chamo eu a Churchill.
A este, se é profissional nalguma não será na política – que não é feita de golpes.
Nós, portugueses é que somos profissionais no amor ao sofrimento.
Churchill? Disso já não há.
Li o texto em Agosto e reli-o agora. Concordei inteiramente com ele na época e relembro-o a cada dia que passa.
Ontem, foi o dia exacto para o relembrar. E, quer se queira quer não, amadores são todos os outros.
Agora, surge a oportunidade soberana de sair em glória, perfeitamente vitimizado, a pretexto de um orçamento que não passará sem o aval da oposição.
Infelizmente, ainda não será desta, mas todos os outros ficaram nitidamente “presos”.
Este é o dedo do profissional, que com a mesma cara, o mesmo ar sério e preocupado com o país e os seus cidadãos e utilizando rigorosamente as mesmas frases que justificam uma teoria, consegue justificar também exactamente o inverso.
Isto é retórica, isto é profissionalismo.
O golpismo, as manobras, os trejeitos, tudo nele foi estudado e tiro-lhe o chapéu à forma como ainda convence alguns.
Ontem, ainda completou o quadro com um discurso fora do país e apontando o dedo à oposição, como se esta tivesse o dever de fazer o Orçamento de Estado.
Confesso, é de mestre!
Daí que PPC se recuse a reunir mais a sós com ele.
E ficou igualmente, sem palavras.
Tantas vezes me tenho lembrado que se fosse em terras de nuestros hermanos, existe uma ETA que não brinca.
JS fez um nó cego ao PSD. Não há forma de desatar o nó.
É um nó de marinheiro de muitas marés, não há como desatar.
É que, no caso, não se trata de inglês técnico … estamos a falar de um doutoramento honoris causa.
PPC disse categoricamente aos portugueses que não aprovaria um orçamento que aumentasse os impostos. JS não hesitou: apresentou um orçamento em que se prevê o aumento de impostos, cortando margem de manobra a PPC. Ou o PSD viabiliza o orçamento, faltando (pela segunda vez em seis meses) à palavra aos portugueses, ou não viabiliza e é acusado por JS de crime de lesa-pátria, com o beneplácito do PR, e grita aos quatro ventos que não o deixam governar.
Chamo a isto um nó cego. E não vejo como possa ser desfeito.
Posso fazer uma adenda ao título?
Um político prifissional e um mentiroso compulsivo.
Assim já está completo.
Como então já disse, estás carregado de razão, compadre. Se nunca se deve subestimar um adversário, no caso concreto o risco é de uma evidência gritante. O PSD tem de cuidar-se, mas de cuidar-se seriamente.
Tanto amadorismo confrange.
Este cavalheiro é uma carraça. Alojou-se, custa a remover e mete nojo.
Cumpts.
Só será removido pelo voto.
Tenho de dar-te razão, claro. Brinco com o facto de ele ser alienado mas sei bem que tudo nele é estudado, pesado, calculado ao milímetro (embora seja preocupante, psicologicamente falando, aquela infinita resistência aos ataques mais graves sem nunca deprimir ou alterar um músculo). Mas acrescento só dois pontos:
1. Acredito, quero ainda acreditar, que a definição de “político profissional” não tem por força de ser negativa ao ponto de incluir obrigatoriamente o golpismo, as manobras, os trejeitos, as mentiras, etc. Ingenuidade minha? Talvez, mas preciso de acreditar que ainda vai havendo gente honesta e bem intencionada na política. E essa má fama é o que afasta e desmotiva, muitas vezes, os mais capazes.
2. O pior mal deste país é este sebastianismo desesperante que pôe toda a esperança, preguiçosamente, num qualquer salvador da pátria que faça tudo o que é preciso de modo a que nenhum de nós tenha de mexer um dedo ou incomodar-se. Neste momento esse “salvador” é o PSD, de quem esperamos, como sempre, milagres. Era bem melhor que procurássemos intervir, todos nós e cada um à sua medida, para que o estado das coisas melhore. Mas continuamos a ser eternos treinadores de bancada, opinando e criticando tudo e fazendo… nada.
Sócrates retirou por completo margem de manobra ao PSD na questão do orçamento. É incrível como os sociais-democratas se meteram no atoleiro montado pelo PM e só descobriram isso quando estavam bem dentro do buraco.
Pedro:
Tens toda a razão acho que nem todos aprenderam ainda que o aldrabão-mor tem sete vidas como os gatos e só comendo do próprio veneno será possível confrontá-lo e mesmo assim dará a volta ao texto negando o que disse minutos antes. O que me admira no PS onde existe gente decente é deixarem-se ser aldrabados por esta seita sem pestanejarem.