TSF – Governo Sombra (1)

Começo pelo programa que ouço mais religiosamente. O Governo Sombra – que começou na rádio em 2008 e entretanto se estendeu à televisão – tem vários méritos. É um programa despretensioso e bem-humorado, que, sendo embora mais leviano do que projectos alternativos, tem a enorme qualidade de dar a conhecer pontos-de-vista que normalmente ficavam de fora dos programas de comentário político tradicional (já tinham tido alguns espaços, lembrarão os leitores mais velhos do que eu, mas estavam na sombra – justamente – nos últimos anos). Para além disso, e de novo ao contrário da maioria dos programas do género, o Governo Sombra consegue manter-se fresco. Os comentadores são – foram escolhidos por isso – completamente independentes daquilo que comentam e isso contribui para que não fiquem rapidamente acantonados em posições repetidas semanalmente, para tédio dos ouvintes, como sucede com programas como O Contraditório da Antena 1.

Boa ideia, Zé Maria. Esta série promete.
Eu creio que os comentadores do Contraditório também são completamente independentes daquilo que comentam. Julgo que não estão filiados em nenhum partido.
Por outro lado, Marcelo Rebelo de Sousa não é nada independente daquilo que comenta, o que não o impede de manter amplas audiências.
Não são independentes no sentido de terem um determinado posicionamento político de antemão, pelo que depois vão gerindo tacticamente os comentários para não se desviarem dessa linha. Eu não critico necessariamente, simplesmente para mim o programa torna-se menos interessante. Mas há exemplos piores, como aqueles programas regulares com dois comentadores, um ligado ao PS e outro ao PSD…puro tédio.