
Uma das consequências que a era Sócrates trouxe para o PS foi arrasar completamente a sua credibilidade por muitos e bons anos, sem que nenhum militante tivesse dado um passo para evitar o descalabro do seu partido. Em Março de 2011, nas vésperas de um pedido de ajuda externa, depois de ter aumentado os salários aos funcionários públicos, baixado o IVA e insistido no TGV, e ainda com o caso TVI e outros quejandos, Sócrates conseguia ser reeleito secretário-geral do PS com 93% dos votos. Com a fuga de Sócrates para Paris, após a quase-bancarrota do Estado, o PS atirou-se para os braços de Seguro, uma versão socialista de Passos Coelho, mas é evidente que o partido não está pacificado. A única razão para Seguro ainda não ter caído é a obsessão de António Costa pela destruição de todas as vias de trânsito em Lisboa, em ordem a transformar a cidade num paraíso para as ciclovias. No dia em que António Costa achar que já construiu ciclovias suficientes em Lisboa, Seguro bem pode apanhar também uma bicicleta e ir pedalar para outro lado.
O caso da ADSE aqui descrito demonstra assim um partido em estado de delírio absoluto. O coordenador do PS para a saúde acha que os funcionários públicos ainda não sofreram bastante e propõe a extinção do seu subsector de saúde porque “é um sistema único na Europa e é injusto“. Mas a seguir o líder parlamentar, que talvez devesse ter previamente coordenado o coordenador, vem dizer que “o PS não é a favor da extinção da ADSE“. Face a isso, esperar-se-ia a demissão do coordenador, mas ele limita-se a dizer que só deu uma opinião pessoal de que foi feito um “aproveitamento miserável“. Está visto que as opiniões pessoais do coordenador da saúde do PS não são para levar a sério e devem ser ignoradas. Mas os ex-Ministros da Saúde do PS como Correia de Campos e Ana Jorge afinal levam-no a sério e são claramente favoráveis à extinção da ADSE. Resta saber porque não a extinguiram então quando foram governo.
Entretanto já começaram logo as vozes do PS a bater na liderança. Com uma clareza extraordinária e um enorme sentido de oportunidade, Sérgio Sousa Pinto diz isto: “O futuro da ADSE está a dilacerar o PS. A ala situacionista-parlamentarista-pós-socialista enfrenta a ala oficialista-situacionista-ratista-neo-socialista e a nova sensibilidade europeista-situacionista-ex-socialista-anti-tabagista. Reclamo um Congresso antecipado“. Já José Lello parece demonstrar muito maior realismo e diz o seguinte: “a maioria dos funcionários públicos são eleitores do PS. Se o PSD malhava nos funcionários públicos, o PS também teria aí de molhar a sopa. Se eles tinham um Moedas, o PS aspiraria a ter, pelo menos, uns moedinhas!“.
Desgraçado do país que tem que aturar com políticos destes. Para além de um péssimo governo, temos ainda um desastre de oposição. Portugal está definitivamente perdido.

Realmente, se o coordenador do PS para a área da Saúde tem sobre a área de que é coordenador apenas opiniões pessoais que absolutamente nada têm a ver com as posições oficiais do partido sobre a mesma área, estamos mergulhados num manicómio de malucos irrecuperáveis.
A credibilidade do PS foi sido arrasada pelo Sócrates “por muitos e bons anos”.
Quanto à credibilidade do PSD, o Coelho está a tratar disso, também por “muitos e bons anos”.
Relativamente à credibilidade do CDS de Portas, não vale a pena falar muito.
Da credibilidade da extrema esquerda também está tudo dito.
Perante isto, o que se segue é, naturalmente, o caos.
E, depois do caos, uma “nova ordem”.
Que, necessariamente, não poderá ser ditada pelos nossos “parceiros” comunitários, nem tão-pouco pelos banqueiros.
Mas talvez por um ditador escolhido por eles.
A história está sempre a repetir-se.
A gente é que finge ignorá-lo…
Concordo com a sua análise e agora pergunto eu : será que haverá futuro para que alguém de fora se dê ao trabalho de nos impor um comissário politico ?
A Europa que manda e paga está a borrifar-se para esta extensão de África que nos torna-mos , onde tal como em África impera o amiguismo , as clientelas , a impunidade ( o isaltino quando vai dentro ?).
Se não formos nós a alavancar a mudança ninguém o fará por nós, tenho a certeza , a não ser que descubram alguma riqueza que possa ser explorada por esses de quem fala.
O PS , PSD e CDS não são opções para governar o País , temos de ser nós a limpar a m…. em que nos meteram para satisfazerem a sua gula e a dos o que os comandam. Quanto ao BE apagar-se-á brevemente.
O PC demonstra ao longo dos anos coerência é certo mas se até a CHINA foi berço do Capitalismo Selvagem que poderá o PC fazer perante os fantasmas do passado , deveria evoluir mas julgo que não conseguirá!
Desde sempre ouvi os meus pais dizerem-me que a politica é um esterco e de facto todos os dias e cada vez mais se vêem exemplos disso e sendo assim volto a perguntar :
Quais as opções existentes para quem tem valores , tinha objectivos e tinha um dedo que adivinhava o que seria a seguir sócrates tendo já adivinhado o que seria sócrates .
Não sei o que se escreveu por aqui quando alguém tinha um slogan acerca do falar verdade , ou quando se aumentou a FP e se baixou o IVA em pleno olho do furacão mas contínuo a acreditar que a Honestidade , a Honra , a Lealdade e outros Valores que me foram transmitidos e ensinados poderão prevalecer mas isso terá sempre de partir de Nós.
E se o PS está dividido em três (pelo menos) alas, sendo que uma é a “situacionista-parlamentarista-pós-socia lista”, outra a “oficialista-situacionista-ratista-neo-s ocialista”, e uma terceira a “sensibilidade europeista-situacionista-ex-socialista-a nti-tabagista”, um congresso é urgente.
Um congresso ou uma junta médica?
Estou convencido que António José Seguro ainda vai surpreender, pela positiva. Para isto, António José Seguro necessita acabar com o que Sòcrates começou, ou seja, arrasar a ala socratiana que o outro tanto se empenhou em formar. Se António José Seguro não tomar esta atitude o PS será uma daquelas “people´s republic” onde a meta será sempre manter a posição que tantos ambicionam, mas para uns poucos. O pior cenário que pode acontecer no PS, e em particular a José Seguro, é este, o Tozé, tentar apanhar boleia de Sócrates e do seu, deste último, staff. Com a ideia com que fiquei de Sócrates, acredito que ele é capaz de pensar ter capacidade para fazer um regresso às luzes da ribalta. Ora, compete a Seguro mantê-lo no deserto, para ver se o messianismo a que se arrogou lhe passa por completo. Que aí, no deserto, tenha uma verdadeira conversão, e que fique depois quieto num qualquer convento a flagelar-se, como penitência! Não haverá falta de “frades” que venham em seu auxílio para lhe dar a extrema unção.
Já basta ele ter propagado essa aura messiânica a Pedro Passos Coelho e a alguns desta Cia. (companhia). Só que Passos Coelho – e já que se fala em trocos, Moedas – tem uma visão terceiro mundista da economia e do estado social, ou seja, resume-se a meter nas favelas a maioria da população e ajudar a criar corpo a uns poucos. Eles andam a beber muitas das políticas de países africanos e das políticas de outrora na américa do sul e latina. Disse bem, de outrora (vejam o que por lá tem mudado).
A ADSE, e outros subsistemas, a meu ver, é o seguro do sistema privado de saúde, e a integração destes subsistemas no SNS é uma boa ideia, mas não agora, neste momento, em que começam a atirar para as favelas os funcionários públicos, pensionistas e reformados, mas também tantos outros que não são funcionários públicos.
A única forma de aumentar as receitas do SNS é começar a transferir os funcionários públicos para as várias especialidades e serviços de diagnóstico por este proporcionado, no sentido de aumentar a colecta através das taxas moderadoras e diminuir os encargos que são pagos ao serviço privado de saúde. Aqui sim, haverá moderação e contenção. No fundo os subsistemas de saúde não são mais que o financiamento encapotado do serviço privado de saúde.
Porém, quando um dia for levada a efeito a integração do serviço militar de saúde não se esqueçam de aproveitar o que eles têm de muito bom, em especial o bom atendimento, cuidados prestados e boa gestão.
“Moedas – tem uma visão terceiro mundista da economia e do estado social, ou seja, resume-se a meter nas favelas a maioria da população e ajudar a criar corpo a uns poucos. Eles andam a beber muitas das políticas de países africanos e das políticas de outrora na américa do sul e latina. “
Você julga que ninguém leu Orwell, que não sabe os truques das esquerdas ?
Julga que pode mentir descaradamente?
O Governo PSD CDS cortou parte do défice aumentando impostos , ou seja tornou efectivo o aumento do Estado que só existia por causa do défice de cada ano.
O Estado é mais de 50% da economia e você tem a lata de falar de África?
Ficámos claro a saber que o pensamento único é a única coisa que tolera para os portugueses mesmo os que não pensam como você.
Porque não diz então que em Portugal se vive como no Mónaco?
Muito bem, gostei dessa sobre o pensamento único. Contraponho com o que o meu caro lucky sugere: não, não sou pelo pensamento uniforme. O seu comentário fez-me lembrar a teoria dos fundamentalistas de todo o género: confundem unidade com uniformidade.
Diz o lucky que eles cortaram parte do défice aumentando impostos. Cortaram mesmo? Então não vê que eles tranferiram o défice para as famílias e para a sociedade, para o estado? Não vê que o défice que eles estão a gerar na economia está a agravar essa mesma economia, deficitando-a e debilitando também o papel do estado?
Falou em Orwell, e fugiu-lhe a boca para a sua própria verdade.
Por outro lado, verifico que a sua dimensão política está por demais balizada. O lucky ainda acredita nessas balizas sociais, direita e esquerda? Quer o comunismo ortodoxo quer o capitalismo ultraliberal revelam a mesma faceta, eles ajem no interesse de poucos, ou seja, no seu próprio interesse.
Em África e noutros países o estado tem sido efectivamente um peso para os cidadãos, porque refém de interesses particulares, ou de grupos ou de corporações; com ausência total do papel que lhe devia ser inerente.
A política do menos estado significa exactamente isso, um estado refém desses interesses. E em Portugal não é necessário acabar com o estado, mas sim banir do estado o peso desses interesses e corporativismos.
Já aqui referi aonde podemos encontrar o papel do estado social e onde tem sido usado. Como vê precisamos mesmo de mais estado, de forma diferente e bem mais eficiente nos seus métodos de gestão.
Aqui confunde-se eficiência com mais desregulamentação. Temos vindo a sacrificar interesses de uma nação em nome de uma qualquer teoria global sem corpo e sem rosto. Andam a tentar dar forma a um deus desconhecido. Este messianismo não vai longe.
Julgo ter respondido à descarada mentira que aponta; não sei bem em que direcção, mas aponta.
Em aditamento, gostaria de deixar aqui, em particular ao autor deste blog (que julgo ser um académico), uma pequena “oferta” para que todos possamos reflectir sobre a viciação do pensamento, a massificação das atitudes e a globalização sem sentido que se pretende imprimir à sociedade actual.
O orador foi ministro da educação na Finlândia. Julgo que o tema merece uma reflexão por parte dos académicos, professores, pais, políticos e sociedade em geral. Aqui vai em duas versões, uma longa e outra breve:
http://www.youtube.com/watch?v=s8AdyYMkx gI
http://www.youtube.com/watch?v=YoMzsaRTW 5U
Nota: Faço isto pela minha crença incondicional na liberdade do Homem. A educação não é um direito que se circunscreve a um estabelecimento de ensino e tampouco se completa num sistema educativo instituído. A Universidade da Vida é a fonte de inspiração para a reforma do pensamento, contrariando também a viciação que nos foi incutida pela tradição e pela injecção, também ela viciante, deste novo paradigma que leva pelo nome globalização.
Não está a ser rigoroso com o que afirmou ( eu ouvi) Correia de Campos.
Não advogou a extinção da ADSE mas criticou que ela assente no funcionamento por especialidades e defendeu a necessidade de ser repensada.