![portugal_asdfshf67sdf67std7f6ts76dfsdfsdf[1].gif portugal_asdfshf67sdf67std7f6ts76dfsdfsdf[1].gif](https://delito.brucke-multimedia.com/images/2018/21069253_ULIbs.gif)
Portugal é dos países da Europa onde menos se lê: só compramos, em média, 1,3 livros por ano. Estes péssimos índices, que não merecem qualquer tipo de censura social, ajudam a explicar por que motivo 45% dos alunos do 5.º ano de escolaridade são incapazes de identificar Portugal no mapa da Europa Ocidental – algo que se justifica pelo facto de o ensino, entre nós, estar cada vez mais desprovido de exigência, privilegiando-se o carácter “lúdico” da aprendizagem, que deve merecer a “adesão emocional” das crianças enquanto o esforço se ausenta das salas de aula.
Há tempos, num grupo de cerca de dezena e meia de pessoas da chamada classe média-alta reunidas em Lisboa, perguntei a cada uma delas se tinha comprado algum livro no ano anterior. Excepto num caso, as respostas foram todas negativas. A nossa chamada elite vive divorciada de leituras: é incapaz de comprar um romance ou um jornal, por exemplo. Sai de casa para abancar num restaurante, mesmo caro, mas nem lhe ocorre deslocar-se a um teatro ou um cinema, a um concerto ou a uma exposição.
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Em Novembro de 2013, fechou em Lisboa o cinema King. Foi durante anos o que mais frequentei. Lá vi alguns filmes inesquecíveis – vários de Pedro Almodóvar, por exemplo. Em diversas ocasiões não havia praticamente mais ninguém na sala: era fácil antever que acabaria por encerrar. Como encerrara o Londres, em Fevereiro desse ano – outro cinema da capital de que fui visitante assíduo. Nos últimos meses o seu estado de degradação tornara-se de tal modo evidente que não custava antecipar-lhe o fim.
Depois de fechado, muitos do que o votaram ao abandono lembraram-se de pôr a circular um abaixo-assinado entre os moradores da zona exigindo à câmara que não autorizasse a abertura de uma loja chinesa no seu lugar. Ainda me lembro do ar de espanto da senhora que me pôs o papel à frente, pedindo a minha assinatura, quando lhe respondi que me recuso a subscrever petições xenófobas. A loja abriu em 2014 e lá está, sempre cheia, no preciso local onde existia o antigo cinema, quase sempre vazio. Os mesmos que viraram as costas à sala de espectáculos passaram a acorrer ao estabelecimento comercial – incluindo ex-promotores do tal abaixo-assinado prontamente esquecido.
Somos assim: deixamos encerrar jornais, cinemas, livrarias. No momento em que fecham, logo surge o habitual coro de carpideiras lamentando o sucedido. Em regra, quem mais chora é quem menos contribui para evitar em tempo útil que o deserto cultural vá alastrando entre nós numa escalada galopante.
Quantos pais, incluindo na petulante Lisboa, nunca oferecem um livro aos filhos? Quantos já os levaram a visitar um monumento ou um museu? Quantos reagem com um resignado encolher de ombros à notícia de que um filho de dez anos é incapaz de apontar Portugal no mapa?
Que modelo de exigência estamos a proporcionar à geração que vai seguir-se?

o facto de o ensino, entre nós, estar cada vez mais desprovido de exigência, […] enquanto o esforço se ausenta das salas de aula
O Pedro Correia tem filhos cuja educação acompanhe para poder fazer, com conhecimento de causa, estas afirmações?
Eu tenho filhos e posso afirmar, sem sombra de dúvida, que às crianças são hoje exigidas muito mais aprendizagens do que quando eu tinha a idade delas. Além das matérias usuais que nós aprendíamos têm ainda que fazer montes de trabalhos de casa (que no meu tempo estavam quase ausentes depois da primária) sobre temas específicos que frequentemente estão a milhas do entendimento de uma criança normal.
..não são exigidas + aprendizagens, são “exigidas,” pelos ‘sobas’ dos ministérios, mais “valências”…
Negligencia-se exigência nos pilares básicos da aprendizagem – matemática, lingua portuguesa, física e quimíca, história, geografia… – que agravam o fosso “social” (para entrar no paleio da xuxalada pedagógica que pespega estas atoardas para justificar as multiplas incompetências..) – para miúdos cujos pais se dão ao trabalho de (ou têm mais disponilidade para) apoiar de modo proximo os filhos e suprir estas negligências básicas e os disciplinam no estudo, aprendizagem e uso metodico do que se aprendeu, resultam os alunos excelentes [que podem ser depois “pastoreados” nos media como mostruario da “geração mais bem preparada de sempre”] que acabam, muitos deles, por na primeira oportunidade, ir trabalhar para o Estrangeiro. Os outros, carambolam entre salas de aula entre processos de aprendizagem que são um “collage” de patranhada e treta de sociologos e politicos da treta que apenas promovem uma cultura de demissão e des-responsabilização – uma amiga professora de física-quimica, conta-me que 70% de alunos do 9o. ano são incapazes de usar de forma rapida e estruturada, uma regra de três simples. E no início do ano, quando perguntados sobre “o que queriam fazer quando fossem grandes”, uma boa percentagem (não a “maioria”, pelo menos por enquanto..) respondia: “reformado do Estado”!!
nem lhe ocorre deslocar-se a […] um cinema, a um concerto
As pessoas hoje em dia vêem mais filmes do que antigamente. Só que, vêem-nos em casa na televisão, não necessitam de ir ao cinema como dantes se necessitava.
Idem em matéria de concertos. Hoje em dia não faltam concertos e, além deles, as pessoas consumem música a toda a hora – em aparelhos portáteis.
“consumem”, diz muito bem; são em geral músicas para levar sumiço, sumirem no ar dos tempos. Mas algo me diz que os concertos a que se referia o autor do post não são exactamente os mesmos que são consumidos.
E no entanto é verdade que o cinema caseiro derrotou as salas de cinema. Tem razão.
Sou do tempo em que nas paredes da sala de aula permaneciam expostos durante todo ano diversos mapas, físicos e humanos, sobre os quais os alunos podiam ser interrogados a qualquer momento ou tirar dúvidas quando necessário.
Sou do tempo em que um atlas era considerado um bem valioso a possuir, e um globo terrestre um objecto a cobiçar.
O desenvolvimento do cálculo mental e da memorização, nomeadamente a memória visual, está definitivamente fora de moda. Os pedagogos de turno consideram que isso traumatiza as criancinhas.
Com os resultados que estão à vista, sem surpresa.
O desenvolvimento do cálculo mental e da memorização, nomeadamente a memória visual, está definitivamente fora de moda.
Não sei a que se refere concretamente. A aprender a recitar o Corão todo, por exemplo? (É um excelente exercício de memória, não o duvido.) O meu pai tinha aprendido na escola a dizer todos os afluentes do Douro e do Tejo, pela margem esquerda e pela margem direita, e criticava-me por não saber o mesmo. É a isso que se refere? Os meus filhos aprenderam a tabuada de cor e aprenderam diversos métodos de cálculo mental.
Quanto à memória visual, a minha é e sempre foi muito má, apesar de ter andado na escola já há vários decénios. Será que no tempo em que andei na escola já não se treinava a memória visual?
Você tem a mania de se intrometer nas conversas alheias.
Nunca lhe ensinaram que isso revela falta de educação?
Esses mapas continuam expostos nas salas de aula. E felizmente já não há retratos do Salazar afixados nas paredes.
Desse e do Maomé.
Para além de nos obrigar a reflectir na realidade que é a falta daquilo a que antigamente se chamava cultura geral, este texto remete- nos ao cantinho das memórias felizes, ao tempo em que a adolescência se vivia feliz e despreocupada num local lindo da capital, situado entre o Salão Portugal ( actual sede do Comitê Olímpico de Portugal) e o Cinema Restelo ( mais um Pingo Doce) , que apesar de ter sido durante anos um must de elites nacionais e estrangeiras, não escapou ao triste destino a que foram votadas as grandes salas de cinema de Lisboa. Vi por lá muitos fimes que me fizeram comprar os livros dos quais os argumentos foram adaptados e que me ensinaram que um filme nem sempre expressa com precisão a ideia subjacente ao conteúdo do que foi escrito.
Para mim, ler um livro sempre foi natural. É certo que alguns foi por obrigação, mas mesmo muitos desses revisitei por puro prazer, com olhos e percepção mais madura e paciente.
Presentemente os livros são uma chatice. Não têm botões para ligar ou desligar, ou fazer likes ou comentar. Não têm emoticons, nem sons nem notificações. Não são in nem tema para beber um copo ou abanar o capacete…
Os filmes mais tarde ou mais cedo saem numa versão para PS e são muito mais fixes até do que o IMAX.
TPC. Os trabalhos de casa, no meu tempo eram um absurdo, do qual não me arrependo, porque me ajudaram a adquirir uma bagagem invejável. No tempo das minhas filhas deixou de haver tanta exigência. Os miudos transitavam sempre de ano até cumprirem a escolaridade obrigatória. Presentemente grande percentagem dos nossos doutores, engenheiros, arquitectos, etc. Indiscutivelmente bons na sua área, não são muito cultos no sentido de procurarem interesses em outras áreas . História é passado, ciência é futuro, política é aborrecido, futebol é kitsch… livros… pois, talvez quando chegar ao nível 200 do LoL.
Perante tal panorama, como não precisar de formadores de sosquilos para treinar competências como bom senso?!
Mim não ser robot, só ver muita televisão…
Formadores de competências… enfim…
Há tempos vi uma reportagem da SIC, se não estou em erro, à porta do Técnico, onde se perguntava aos alunos passantes algo tão básico como a tabuada. 90% errou na resposta.
Precisariam mais formação em aritmética, sem calculadoras ou telemóveis que calculassem x ou y, ou o coseno, ou a raiz quadrada ? Sem sombra de dúvida.
Precisavam sobretudo ter terminado o 12ª ano a saber um mínimo de calculo mental, com bom senso ou não.
As evidências são muitas, quanto a competências e conhecimentos.
Apenas pergunto quanto disto é responsabilidade da Escola e quanto é irresponsabilidade dos pais.
Parafraseando o Pedro Correia uns comentários abaixo:
“Quando se fala nestas questões da educação, a base começa a falhar em tudo isto.
Falha em casa, antes de falhar na escola.”
Aquela reportagem em que apenas meteram os alunos que não sabiam responder e ignoraram todos aqueles que sabiam? É que por cada aluno que não sabe “algo tão básico” consigo encontrar dezenas que sabem. É que se não soubessem a tabuada nem uma cadeira conseguiam fazer.
O sensacionalismo não tem limites.
Essa resposta faz parte daquilo a que agora se chama alternative facts. Quando algo acerta em cheio e se torna inconveniente, diverge-se a realidade para um universo alternativo…
Curiosamente o aluno que falhou mais respostas até era anónimo…
“Curiosamente o aluno que falhou mais respostas até era anónimo…”
E vem falar em alternative facts? Durante essa pseudo-reportagem baseada em evidências anedóticas, nenhum dos alunos teve a cara tapada durante a reportagem.
Se a reportagem é uma pseudo- coisa com “evidências anedóticas”, como pode afirmar que não houve caras tapadas? Afinal viu a pseudo-coisa, não viu, existe, não existe, escondem-se, dão a cara ? Ou é mais um teórico da conspiração daqueles que acham que reportagens chocantes como esta da ignorância de matérias básicos ou até quem sabe, do holocausto, foram esquemas urdidos, pela direita conspiradoura ou pela alta finança judaica ?… putos a armar aos cucos… enfim.
É verdade… até se via ao longe uma banca de triagem para os que sabiam a tabuada e para os que não sabiam… uns para a esquerda outros para a direita, como nos campos de concentração.
Tenha juizo, Anónimo…
É uma média baixa, 1,3 livros por ano, mas será fiável? Conheço algumas pessoas que já não dispensam o Kindle, e por exemplo no meu caso – gosto dos livros em papel – compro quase tudo na Amazon, porque os livros em Portugal são caríssimos. Esses casos serão contados?
Fonte: om/portugueses-compram-em-media-13-livro s-por-ano-e-leem-nos-e-qual-e-a-sua-rela cao-com-o-digital/
https://www.comunidadeculturaearte.c
Não sei se o não se ler hoje em Portugal tem algo a ver com o ensino de hoje, penso que historicamente Portugal nunca teve bem no que se refere aos Portugueses lerem.
Não foi o livros que me obrigaram a ler no liceu que me levaram a gostar de ler, foi o cultivo da leitura que havia na minha família materna.
Quando crianças e sei que isso já tinha décadas, em casa de meu avô materno muitas pessoas da aldeia iam para casa dele ao serão onde se lia em voz alta livros para os que não soubessem ler tivessem acesso a essas obras. Lembro-me que quando meu avô passou a ter dificuldades de saúde, minha mãe lia no lugar dele.
No meu cantinho no chão lia Blyton, Exupéry e muitos outros autores para públicos infantis e juvenis.
Hoje leio mais de 40 livros por ano de vários géneros.
No liceu lembro-me do sacrifício que foi imporem-me livros que não se adequavam à minha realidade e maturidade… mas a boa formação familiar sobrepôs-se à desformação do ensino.
Tem certamente a noção de que faz parte de uma minoria absoluta. Mas felicito-o por isso.
Justamente aqui cai a calinada do verbo “tar”. Portugal nunca TEVE bem?
“ajudam a explicar por que motivo 45% dos alunos do 5.º ano de escolaridade são incapazes de identificar Portugal no mapa da Europa Ocidental”
Isso não será sensacionalismo misturado com “fake news”? É que essa lengalenga do “ai os miúdos de hoje em dia” já é velha.
Um pouco mais de bom senso, Pedro Correia.
Não sei a que se refere quando alude a “sensacionalismo”. 5-dos-alunos-nao–situam-portugal-no-map a-da-europa-9408926.html
Esta percentagem resulta de um estudo que incidiu sobre 90 mil provas de aferição de alunos do 5.º ano, em 2016 e 2017.
A menos que o Diário de Notícias também seja “sensacionalista”…
https://www.dn.pt/portugal/interior/4
Ehhh, já foi menos; efeitos do Digital, dizem…
Não resisto a fazer uma curva no caminho: há uns tempos perguntavam-lhe insistentemente se, acorrendo a falange em peso no dia 23, o Pedro meteria a viola no saco; agora, um comentador pergunta-lhe insistentemente se tem filhos… o Pedro faz parte de alguma Kelly Family?
A propósito de insistências e inexistências, Sarin: tem sabido novidades do nosso amigo Doktor Kälhau?
Herr Doktor está em processo de desconstrução ou reconstrução ou algo entre ambos.
Mas mantém-se o mesmo nas visitas que me faz.
Não existe nenhum meio de comunicação isento de sensacionalismo. Ou já nos esquecemos das armas de destruição maciça, a “fake news” do século?
As fake news continuam por aqueles que negam:
https://www.nytimes.com/interactive/2014/1 0/14/world/middleeast/us-casualties-of-i raq-chemical-weapons.html
Acrescentaria que na matemática se passa o mesmo. Por exemplo ainda ontem um jovem recorreu do telemóvel para fazer uma simples multiplicação. Para ele 6×7 foi uma conta muiiiiiiito difícil.
Mas vai lá dizer ao Nogueira que a culpa é dos professores, vai!
Estamos a formar legiões de analfabetos funcionais, meu amigo.
Com o dinheiro de todos nós.
“Com o dinheiro de todos nós.” De todos nós? Do seu talvez. Com o meu não, eu fujo aos impostos sempre que posso e por isso pago uma ridicularia.
Você não se limita a fugir aos impostos.
Também foge ao arquivo de identificação.
“Também foge ao arquivo de identificação.” Sou tudo menos burro.
Daqui dirijo as minhas saudações para o seu paraíso fiscal.
“dirijo as minhas saudações para o seu paraíso fiscal.” E eu saúdo-o por permitir (podendo não o fazer) comentários anónimos embora de má vontade e sempre a rabujar. Mas é uma das grandes virtudes do Delito que faz com que eu o leia todos os dias.
Caro anónimo da evasão fiscal,
Não se preocupe que evasão fiscal dá direito a homenagens no parlamento. Pergunte ao seu camarada Belmiro.
Caro Contribuinte:
Conheço bem essa malta toda.
e por que não perguntar aos professores se (parte d) a culpa não será do Nogueira e do que ele realmente representa?
vai-se a ver e até diziam que sim.
É uma boa sugestão. ssores/mario-nogueira-o-ex-escuteiro-que-d eixou-a-escola-ha-20-anos
Eu, se fosse professor, teria alguma dificuldade em sentir-me representado por alguém que não dá uma aula desde 1989 – o ano em que foi derrubado o Muro de Berlim.
http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/profe
precisamente e por exemplo.
Deve ser mesmo caso para ‘Guinness Book’. Alguém já se terá lembrado disto?
Nogueira teria muita concorrência, a ser assim, e apenas com candidatos aqui do mui nobre retângulo.
Não dar aulas para ser dirigente sindical, o ultraje!
Se Mário Nogueira quisesse não dar aulas, deveria ter sido deputado ou aceitado um tacho uma empresa qualquer recém-privatizada.
Ah! Então quem tem a culpa pelo facto do jovem não saber fazer contas são os professores o Nogueira?
O Ministério da Educação não tem nada a ver com isso? Nem mesmo quando obriga os professores a escrever páginas e páginas de relatórios em “eduquês”, em que têm de justificar porque motivo um aluno que não sabe fazer uma conta de 6×7 não deve transitar de ano? A minha vizinha do 11º, que é professora, já me mostrou um relatório desses e nem consegui acreditar.
É por essas e por outras, que essa mesma vizinha me jura que reza, todas as noites, para que a estupidez, a inveja, a maldade e a ignorância do “português médio” nunca se transformem em água, senão morremos todos afogados…
Acredite que sou muito sensível à questão que aqui traz.
Quanto ao Nogueira, não faz o menor sentido os professores serem representados por alguém que deixou de dar aulas há três décadas.
“Ah! Então quem tem a culpa pelo facto do jovem não saber fazer contas são os professores o Nogueira?
O Ministério da Educação não tem nada a ver com isso? Nem mesmo quando obriga os professores a escrever páginas e páginas de relatórios em “eduquês”
Julga que o Nogueira não tem nada que ver com o eduquês? Você julga que a CGTP aceitava uma política de (des)educação que fosse contrária aos seus interesses?
E onde estão as provas de que esse tal Nogueira, os professores, a CGTP (a Opus Dei, a Sociedade Protetora dos Animais, o SOS Racismo e o que mais quiserem acrescentar) têm alguma coisa a ver com o “eduquês”?
É que isto de fazer afirmações avulsas (e sem provas) e colocar tudo no mesmo saco é, no mínimo, indecente.
Não me admira absolutamente nada que haja jovens que precisem de recorrer a uma calculadora para fazerem uma simples conta de 6×7, quando se pode ler a seguinte “pérola de cultura” do Ministério da Educação:
“A evolução do processo educativo dos alunos no Ensino Básico assume uma lógica de Ciclo, considerando-se excecional a retenção dos alunos em anos não terminais (art.º25.º DL n.º139/2012).”
Isto já para não falar daquelas situações em que o Ministério da Educação pressiona os professores a passar alunos com 8 milhões de negativas, desde que – e por contraditório que pareça – estes demonstrem ter desenvolvido as aprendizagens essenciais para prosseguir com sucesso os seus estudos (ponto 5, do artº 21 do despacho normativo 1F/2016).
Sabem o que vos digo? Virgindade, virgindade quem ainda a tem chama-lhe sua. E, normalmente, quem ainda a tem (refiro-me à virgindade, claro) tende a sentir-se moralmente superior aos demais, arrogando-se o direito de lapidar o seu próximo, por dá cá aquela palha. Pergunto-me se será o caso de alguns comentadeiros deste blog, ao vê-los, com ar altivo, a atirar a primeira pedra ao Nogueira e – principalmente – aos professores…
Os professores estão sujeitos a orientações pedagógicas e curriculares que, definidas pelo Ministério da Educação, correspondem àquilo que se convencionou chamar “política educativa” – e que na maioria dos casos se assemelha a experimentalismo avulso.
Por outro lado, os alunos estão sujeitos a famílias… estas, mais ou menos interessadas em formar indivíduos – e entre este “mais” e este “menos” cabe de tudo, dos pais que acompanham a avaliação aos que refilam com a falta de tpc, dos que refilam com o telemóvel desligado na sala de aula aos que pedem satisfações pela “retenção” do anjinho no final do ano…
Não é só dos professores.
Muitos pais só querem que os meninos consigam o ambicionado “canudo”. Seja como for. O grau de exigência é muito reduzido. E, sim, estes problemas começam em casa, na família, antes de se projectarem na escola.
É bom que o vamos recordando, porque as famílias que não exigem aos filhos estão geralmente na linha da frente nas exigências à escola.
E eu todos os dias mandava para a escola uma mãe cheia de energia e recebia uma professora primária quase esgotada.
Pedro, à lista acrescento que também deixamos encerrar lojas históricas, pastelarias de referência e restaurantes tradicionais. Lembro-me que, quando o Sul América, na Av. Roma, encerrou para dar lugar a um Burger King, caiu o Carmo e a Trindade. Fiquei triste, como fico sempre quando algum local da minha história, onde já fui imensamente feliz, fecha portas, mas ele próprio não reuniu as condições para continuar. erica-90566
Escrevi sobre isso na altura:
https://insensatez.blogs.sapo.pt/sul-am
E terminei assim:
“Se acho que deviam manter abertos os locais de antigamente, mesmo quando o serviço não é o melhor, mesmo quando a pastelaria já não é estupenda, apenas para não me sentir emocionalmente “substituída” e completamente abandonada? Sim, acho. Mas só porque sou importante. Só por mim. Porque há locais que não se modernizaram. Há locais que não se adaptaram. Há locais que já não existem para a nova fornada de habitantes destes bairros. Mas são locais cuja existência serve para nos unirmos às nossas saudades.
E isso já é muito. E isso já é suficiente.”
Gostei do texto que escreveu mas acho que a “culpa”, para além de quem não frequenta os espaços, é também (e principalmente) deles mesmos, que têm sempre dificuldade em ler o que o mercado pede. E o mercado, Pedro, é mesmo quem dita as regras disto tudo.
Tenho assistido ao encerramento de muitas lojas nessa zona da cidade, Catarina. Foi o Sul-América, também a Suprema, há pouco fechou a charcutaria Riviera, na Avenida da Igreja. Dizem-me que já fechou igualmente a célebre Biarritz, no largo da Igreja de São João de Brito.
É a minha zona de Lisboa.
A verdade é que, como sublinha, vários destes estabelecimento não souberam acompanhar os novos hábitos de consumo. Como se devessem ser os clientes a adaptar–se a eles.
Recordo-me que no último Natal em que a Sul-América esteve aberta fui lá comprar um bolo-rei. Foi o pior que alguma vez me veio parar às mãos. Literalmente incomestível.
Aldrabaram-me. Mas logo fiz a jura de nunca mais lá entrar. Assim foi. Muita gente, por este ou outros motivos, deve ter feito o mesmo que eu.
Serão os novos hábitos de consumo ou será a gentrificação?
Um turista americano (ou seja, de um país com 30 vezes a população portuguesa) conhece melhor o Burger King que esses sítios que referiu.
Segundo Borges, a partir dos 50 deve-se reler…
É um excelente conselho.
Acreditaram piamente que a Educação Publica(e falsa privada) com programas criados pelo Kremlin da 5 de Outubro iria trazer o Homem Novo do 25 de Abril.
Não perceberam que o sistema de ensino não existe para dar saber e independência aos alunos. Existe para servir e sustentar o poder político.
Os únicos saberes que ainda funcionam são aqueles onde as coisas têm de funcionar: aviação, engenharia civil e saúde – e mesmo assim nesta ultima há questões…
Os jornais morrem porque sempre deram e dão sempre cada vez mais poder à religião política. Logo basta 1.
Nunca conheci ninguém que espumasse tanto ódio contra os jornalistas como você. Se vivesse no Estado Novo, teria dado um diligente funcionário da Comissão de Censura.
Tem piada um dos meus ódios ao jornalismo é continuada censura que os jornalistas fazem.
Depois deste tempo todo você ainda não me entende. Ou não quer.
“teria dado um diligente funcionário da Comissão de Censura.” Ele foi e ficou-lhe o indisfarçável tique.
Acho piada a como estes comentadores de bancada pelos vistos só conhecem miúdos que não sabem coisas elementares. Não quero ofender ninguém, mas será que é porque vocês (e os vossos amigos) não os educaram bem? É que por cada criança que não sabe identificar Portugal num mapa encontra-se muitas que sabem.
Mas o que importa é o sensacionalismo e as evidências anedóticas.
Acho piada – ou melhor: não acho piada nenhuma – que alguém se atreva a botar sentenças em casa alheia, entrando por aqui dentro sem fazer aquilo que é de bom-tom pôr em prática: identificar-se.
Eu seria incapaz de entrar na casas dos outros – e quem diz casas diz blogues, é apenas uma questão de escala – de cara tapada, como aqueles jagunços que espalharam o terror em Alcochete a 15 de Maio.
Quando se fala em educação, ora aqui está: eis uma falha elementar em educação. Estas coisas andam sempre ligadas, para o bem ou para o mal.
“Eu seria incapaz de entrar na casas dos outros – e quem diz casas diz blogues, é apenas uma questão de escala ” Há uma diferença: as casas em geral têm a porta fechada mas este blogue tem a porta aberta (e bem) a todos que queiram entrar. É uma das suas grandes virtudes. Compare este blogue com os que não têm (ou quase não têm) comentários. Não embirre com o desconhecido, o desconhecido por vezes é mais importante do que o conhecido.
Irrelevante se a porta está fechada ou está aberta.
Se a porta da casa do seu vizinho estiver aberta você não entra certamente por ali adentro.
Ou, se entrar, bate à porta – mesmo aberta.
E dirá sempre quem é.
Quando se fala nestas questões da educação, a base começa a falhar em tudo isto.
Falha em casa, antes de falhar na escola.
Questiono-me sempre que princípios poderão transmitir aos filhos os pais que se comportam sem respeitar regras básicas da convivência em sociedade.
“Ou, se entrar, bate à porta – mesmo aberta.” Num blogue que aceita anónimos faço clique que é o equivalente informático a bater à porta. Aparece-me uma resposta (pelo menos no Delito) que é o equivalente informático ao entre. Temos de perceber que com blogues o clique com o rato substitui o tradicional bater com os nós dos dedos. Quem não perceber isto está mal.
Questão pertinente, Pedro. Também me questiono não raras vezes;
“Questiono-me sempre que princípios poderão transmitir aos filhos os pais que se comportam sem respeitar regras básicas da convivência em sociedade.”
Aos professores cabe ensinar aos pais educar – a educação tem de vir de casa, do seio familiar, cabe aos encarregados de educação transmitir valores morais e sociais. Se não for assim…é o que se vê!! Descalabro!
O problema de base é sempre esse, Té. E estas questões quase nunca se discutem. São uma espécie de tabu, que vamos varrendo para debaixo do tapete.
Na minha geração ia-se jantar e ao cinema — ou à feira do livro — ou saíamos depois de jantar para beber um café e estávamos a beber gins até às quinhentas. Na geração seguinte deixei de ver as pessoas fazer isso — os cinemas fecharam, muitos cafés também. Sempre pensei que tinham passado para o facebook ou coisa assim e disparavam depois directamente para as discotecas. Reavivou-se agora os cafés e o comércio de rua mais por causa do turismo.
Acho que há muita coisa que deixou de existir (como muitos cinemas de referência, por exemplo o Quarteto ou King em Lx ou o Avenida em Coimbra) porque os estilos de vida mudaram completamente — e sobretudo porque isso coincidiu com a crise económica que começou em 2003 e só acabou 2015 se é que acabou mesmo.
De notar também que o cinema já não é propriamente cinema do género que existe pelo prazer de contar histórias e refinar a arte cinematográfica — é mais um alinhamento de causas ambientais, quotas raciais e questões de género — como aquele filme tremendamente estúpido em que a raça humana está em extinção e a única mulher fértil é… não, a sério, adivinhem…
“Na minha geração ia-se jantar e ao cinema” – Na minha também. E, na dos meus filhos idem. Não vejo assim tão grande diferença…ainda que eles sejam da era das novas tecnologias. Há coisas que nunca mudam e a tradição ainda é o que era.
…
Ainda há famílias que cumprem o seu papel e educam. Que compram livros, vão ao cinema, ao teatro, a exposições, visitar museus, assistir a concertos. Ainda há famílias que fazem programas em família.
Que se preocupam com os tpc, que ajudam e tiram dúvidas, que os filhos estudem e aprendam mas e sobretudo sejam pessoas – ainda que de palmo e meio – educadas e respeitadoras…que tenham regras, que saibam viver em sociedade.
Que as refeições têm hora marcada e são à mesa, com talheres. Que em cima da mesa não há telemóveis, nem assuntos urgentes para resolver por telemóvel.
Ainda há gente assim.
Caro Pedro, deixe-me começar por lhe dizer que acredito tanto na média de livros anual per capita como no facto de a história da carochinha ser o conto tradicional exclusivamente português (já figurava no «Pentamerone» do G. Basile em 1500 e troca o passo). Tenho um amigo que andava a fazer sondagens dessas e me contou que as pessoas claramente inventavam ao ser questionadas sobre se tinham comprado livros no último ano. “Ah sim, claro. Eu leio livros.” Qual? “Não me lembro bem, aquele do Nobel português… Salazar, não é?”
Outros dados mais relevantes: a categoria máxima da sondagem de hábitos de leitura em Portugal prefigura o “Grande leitor” como “aquele que lê mais de 10 livros por ano”. Em frança é o que lê mais de 10 livros por mês.
Outros dados curiosos: em 1905, creio, lavraram-se os primeiros censos em Portugal e também na Islândia. O número de leitores regulares de livros, em ambos os países era idêntico, menos de 0,5 % da população. Em Portugal a coisa mantém-se; na Islândia 99% da população lê regularmente livros (será a maldição de termos praias e bom tempo, ou estará a coisa relacionada com a reforma educativa dos países escandinavos?). A coisa resulta, de forma inequívoca na forma como cada um dos países reagiu à “crise económica” de 2008.
Para usar uma paralipse, não precisarei de recordar que a constituição islandesa foi revista com participação generalizada de toda a população autorizando acções, processos e penas para banqueiros e políticos claramente indigitáveis pelos danos ao país – entre muitas outras melhorias sociais.
Só faltou Portugal fazer como certos países do terceiro mundo fazem no que toca a resíduos tóxicos e lixos perigosos e propor-se a receber tais indivíduos. Certamente que a economia nacional teria melhorado visivelmente.