Da simples leitura dos títulos da imprensa de hoje, que retrato do País emerge?
– “Fogos queimam o triplo de 2009” (Correio da Manhã)
– “Quatro áreas protegidas já têm estragos das chamas” (i)
– “Há cada vez menos incendiários nas prisões nacionais” (DN)
– “Estado deixa 80 mil sem urgências sociais” (DN)
– “Estado não controla pensões de enfermeiros e professores” (JN)
– “Iodo pode ter causado cegueira a doentes de clínica de Lagoa” (JN)
– “Ordem admite não ter capacidade para avaliar as queixas por erros dos médicos” (Público)
– “Advogados: bastonário trava cursos e deixa mil licenciados sem saída” (DN)
– “Algarve está cheio de turistas sem dinheiro” (Expresso)
– “PIB só cresce duas décimas” (Correio da Manhã)
– “Economia em risco de congelar com austeridade” (Público)
Emerge o retrato de um país desprotegido, desamparado, mal tratado. Um país sem rumo, sem perspectivas de futuro. Um país doente. Um país que diríamos do terceiro mundo. Se no terceiro mundo não faltassem países com um crescimento económico muito superior a duas décimas.


Caro Pedro, tendo em conta o material humano que abunda aqui pelo burgo, seria de esperar outra coisa? A mediocridade e corrupção dos valores alastra diariamente pela sociedade e o povinho tuga não se importa, pois a maioria intimamente sabe a única hipótese que têm de “singrar” na vida e terem sucesso é se aproveitarem também uma oportunidade e ocuparem o lugar dum desses “bandidos” que (nem tanto assim) criticam no balcão do café ou no dispensador de água lá na empresa. E estando nesse lugar, fariam exactamente a mesma coisa.
A maioria que odeia Sócrates e restantes apaniguados é por inveja (entenda-se os laranjas e afins, que fazem o mesmo ou pior para lá chegarem) e a que o adora é porque se revê ou quereria rever no seu percurso, tão ao nosso jeito (chico-espertice, aldrabice, grandiloquência oca, megalomania, etc…).
São poucos os que ficam estarrecidos pelo facto do sistema permitir gente dessa jaez chegar aos lugares de poder e influência que chegam. Porque é de ficar estarrecido com a mediocridade que nos “lidera”.
Percebo bem o que o leva a escrever estas linhas. Veja lá o que a simples leitura de alguns títulos de capa de jornais nos pode suscitar.
Pedro,
De tal modo é verdadeiro o título que escolheu que, também a mim, esta manhã, ao escrever, me ocorreu a analogia com a linguagem clínica, no caso: “Um País a Arder, entre Diagnósticos e Opções Terapêuticas”…
É triste… tristemente real…
Um abraço.
Grato, uma vez mais.
Incêndios: em 2005 era melhor…mas nao serviu de exemplo.
Clínica: a licença nem existia…os fiscais da Camara de Lagoa observam bem…como os demais por esse país fora.
Duas décimas: em 6 meses … num país que nao quer TRABALHAR e é paga a PREGUIÇA…o que se pode esperar?
Ainda não estamos entendidos sobre as maiúsculas?
obviamente nao. Seja censor. nao publique pela saúde dos seus timpanos…só que é de visao que se trata.
Engano seu. Estou preocupado com as suas orelhas, isso sim. Que vão ficar caídas quando perceber que escreveu para o boneco.
Para quem está longe, dói um bocado ler estes títulos, Pedro.
Ainda mais, porque como vêm demonmstrando aqui no blogue, há tantas razões para amar Portugal!
…como hoje em que se comemoram os 625 anos de Aljubarrota
Caro Pedro, não abdicarei dessas razões. Há que remar contra a maré. Mas concordo consigo, até porque já vivi longos anos longe de Portugal: visto de fora, este quadro dói ainda mais.
Grande verdade, caro Pedro. Às vezes penso que o consulado conflituoso e poluído de Sócrates foi, tem sido, um feixe de estratégias privilegiando a terra queimada: semear o caos, o conflito, a impunidade, mostrar-se imune a qualquer necessidade de clarificação, porque é assim que se reina melhor e se passa por entre os pingos da chuva.
Seguimos como ovelhas sem pastor. Literalmente.
Nem mais.
Bem, se fosse marciano e a minha única fonte de informação sobre o que se passa na Terra fosse esta selecção de títulos, meu caro Pedro, talvez ficasse com pior impressão da realidade em que de facto habito (bem como muitos outros terrestres) do que se recebesse uma transmissão dos Jogos Olímpicos de 1936 a preto e branco. Quanto alarmismo.
Quanto alarmismo? Não vejo motivo para isso. Prefiro o estilo usado pelo comandante do navio que se afunda, virado para os passageiros: “A situação não é grave, mas é dramática. Mantenham a calma… e salve-se quem puder!”
Será alarmismo? Tive o cuidado de transcrever títulos de capa de todos os jornais. A soma é significativa, não acha?
É tanto alarmismo como se for a pendura no carro e gritar ao condutor avisando-o que se estão a dirigir para um precipício.
Na lógica só-cretina, quem levanta a voz a alertar para o perigo é bota-baixista, do contra, velho do Restelo, anti-moderno (adoro esta, como se a morte de seres humanos por nascer fosse sinal de modernidade) etc…
Mas para a tugaria que gosta é de festa e de não-pensar, é normal que ache tudo o que o obriga a tomar atenção à realidade como desagradável. E depois o mundo, esse sacana, atreve-se a mudar “em 15 dias”, apanhando “todos” de surpresa.
Bem dito.
Excelente retrato (como é hábito)…
Num país adoentado
tão difícil de se tratar,
fica assim retratado
muito do nosso mal-estar.
Passam a vida a falar
como banais mentirosos,
com o país a revelar
poucos sinais vigorosos.
Como banais mentirosos…