Vi e ouvi a entrevista dada por Rui Rio a Clara de Sousa no Jornal da Noite da SIC.
Devo dizer que nunca tive particular simpatia pelo estilo do personagem, em especial, porque o seu discurso e a sua postura casaram sempre muito mal com algumas das escolhas que patrocinou e promoveu enquanto presidente do PSD, revelando uma tremenda falta de coerência que rapidamente o desacreditou e contribuiu para degradar ainda mais o lodaçal da política nacional.
Mas importa agora também dizer que Rui Rio tem razão quando se queixa do modo de actuação da PJ e do MP, quando se queixa deste modelo de investigação-espectáculo em que os nossos órgãos de política e investigação criminal se especializaram de há uns anos a esta parte com o patrocínio de uma certa comunicação social que adora, e só está bem, exactamente a chafurdar nesse mesmo lodaçal e num jornalismo feito de casos, de intrigalhada e de meias-verdades que se alimenta da ignorância, da boçalidade e da mediocridade instaladas.
E também tem razão quando refere que foi cometido um crime de violação do segredo de justiça, mais um, digo eu, dos muitos que têm sido cometidos sem que se acabe de vez com um segredo de justiça que só serve esse mesmo jornalismo e um justicialismo de labregos promovidos que tanto tem contribuído para ajudar a acelerar a degradação da democracia, contribuindo para o achincalhamento da actividade política e das instituições políticas e judiciais.
Assistindo-lhe igualmente razão quando pergunta porquê que esta operação só afecta o PSD e porquê que só abrange o período em que ele foi dirigente entre 2018 e 2021.
E Rio volta, ainda, a ter razão quando diz que “isto não é um país que se apresente“, embora todos os portugueses saibam que já não é país que se apresente em relação ao que estamos a falar, e também em relação às práticas dos partidos, à selecção das elites políticas, à ética política e de governo há muitas décadas.
Dito isto, vamos então olhar para a indignação de Rui Rio quanto aos argumentos que apresenta quanto ao que está em causa no processo que conduziu às buscas. E em relação a esta, Rui Rio espalhou-se ao comprido.
Não é aceitável para ninguém de bom senso e com um mínimo de preocupação com o abandalhamento da vida política a que temos assistido, com a chegada de tanto (sim, são muitos, demasiados) corrupto aos partidos, às bancadas do parlamento, às autarquias, aos governos, ouvir Rui Rio dizer sobre o que está verdadeiramente em causa – desvio de dinheiros públicos para financiar à revelia do estipulado na lei os partidos políticos – que tudo isto é “ridículo” porque “isto de que estamos a falar é uma prática transversal aos partidos desde sempre” e que “nos anos 80 já era assim“.
E aqui Rio esteve muito mal, revelando bem a essência dos políticos que têm dirigido Portugal nos últimos, pelo menos, 40 anos. Porque não só não serve de argumento o facto de ser uma prática transversal, como é deveras grave, a serem verdadeiras as suspeitas que se use dinheiro do Estado, como refere o Expresso, para pagar a pelo menos 11 funcionários do partido, “sendo que um deles até já se tinha reformado“!
Porque se era assim, não devia ser.
E é nisto, nestas pequenas-grandes coisas, que se revela a bandalheira em que se tornou a vida política nacional, transformada no lodaçal de que há pouco falava.
Porque sendo Rio um homem sério, e eu não duvido que o seja, como muitos mais que estiveram à frente dos partidos também o serão, não se compreende que tendo tido a possibilidade de corrigir práticas de discutível legalidade, para não dizer manifestamente ilegais e inaceitáveis em qualquer Estado de direito, numa república que se preze e numa democracia que funcione com decência, que não tomasse a iniciativa de colocar um travão nessa bandalheira, nessa promiscuidade de funções e de dinheiros em que se perdem os partidos. Então lá porque é prática os outros roubarem ou serem corruptos também temos de ser como eles? E temos de ficar calados, aproveitando uma situação ilegal para também enriquecermos ou pouparmos uns cobres?
Infelizmente, a condescendência e a tolerância com as más práticas consistentes (e não apenas na política), o silêncio, a falta de iniciativa sobre estas matérias, no sentido de aumentar verdadeiramente a transparência e evitar que esta se transforme num mero cumprimento de formalidades sem sentido para fazer de conta que é tudo sério, a falta de vontade para trazer mais seriedade à actividade política, de dignificá-la naquilo que verdadeiramente importa, tem constituído comportamento aceite e transversal a todos os partidos.
Não é por isso de estranhar que alguns peçam descaradamente dinheiro no exercício de funções políticas, que sendo membros dos governos da República arranjem todas as moscambilhas e mais algumas para ganharem dinheiro por debaixo da mesa, outros para despacharem ou atrasarem processos, trocarem favores, tornarem-se dirigentes desportivos, empreiteiros de sucesso, empresários ou ex-régulos de diferentes tabancas que são condecorados em Belém e apresentados como exemplos nacionais até que se perceba que andaram a vida toda a roubar o Estado, as empresas e os portugueses, ou que deixaram que se roubasse e nada fizeram porque isso era normal, porque sempre foi assim.
Se as leis estão mal, a começar pelas do segredo de justiça e do financiamento partidário, mudem-nas; se tudo o que existe é hipócrita e sem sentido tenham a coragem de dizê-lo. Tomem a iniciativa, façam quando têm possibilidade de fazer. Sejam coerentes, e deixem de se comportar como pantomineiros fala-baratos que depois se queixam como virgens ofendidas do que viram fazer e deixar que se fizesse quando o lodaçal lhes entra pela casa adentro.
P.S. Alguém sabe se João Gomes Cravinho ainda é ministro? Há coisas que não são do foro da justiça, são do foro da ética e da decência, caso o primeiro-ministro ande distraído com a nova época da bola.


uma pedrada no charco socialista não adianta nem atrasa.
um deles fugiu do pântano para a ó nu.
a velhinha da PGR estava toda risonha.
Quando eu fui assaltado
Tomaram o que eu tinha
Quase me deram fim
Meus cartões, talões de cheques
Nem um documentos deixaram
Prá mim, me levaram até a roupa
Nunca vi tanta maldade
Fiquei nú com a mão no bolso
Pelas ruas da cidade
aqui a mão é no nosso bolso
O sr Cravinho ex da defesa (?) vai continuar ministro pois é mais um daqueles “excelentes ministros”. O outro Cravinho é que era um péssimo ministro, pois promovia leis anti-corrupção no parlamento,e foi despachado para o estrangeiro.
Muito bem, Sérgio. Subscrevo na íntegra.
Obrigado, João.
Eu fico estarrecido com tudo, com as más práticas partidárias que vulgarizaram a corrupção e com o embuste do MP ao enviar 100, sim, CEM inspectores dar espectaculo em frente às camaras de TV.
Isto está tudo torto e jamais se endireitará.
É preciso obrigar os elementos/funcionários do Ministério Público (MP), Polícia Judiciária (PJ), e de todos os sectores do Estado, desde o topo até à base da cadeia hierárquica, a declarar se colaboram/pertencem à Maçonaria ou a outras sociedades secretas (Jesuítas, Opus Dei, etc.).
Não se pode permitir em Portugal a judicialização da política, esta situação que ocorreu é uma manobra por parte dos liberais/maçonaria para intimidar o Presidente Rui Rio e fazê-lo desistir de uma eventual candidatura à Presidência da República.
O Presidente Rui Rio tem toda a razão naquilo que disse na entrevista e a sua credibilidade e honestidade saem ainda mais reforçadas, pois os erros e más práticas que expôs por parte das entidades envolvidas, há muito que o próprio tem vindo a denunciar e a apresentar soluções para os problemas.
Totalmente de acordo consigo.
O Ministério Publico e a Policia Judiciaria sâo gémeos e são duas instituições podres decadentes,persecutórias,opressoras e absurdas impunes e imunes que abusam do poder e que fazem tudo o que querem e que destruiram e continuam a destruir a vida de milhares de cidadãos santos e honestos só para ganhar prémios de produtividade e quando atacam figuras publicas para fazerem brilharetes nos media,já deviam ter sido extintas há muitos anos. A Pide eram uns meninos do coro comparados com estas duas chungarias absurdas que são o MP e a PJ . Detesto o Rui Rio,é apenas um fala barato engraxador do PS,mas não acredito que seja corrupto,isto são apenas fantasias absurdas do MP e PJ que são os verdadeiros reis da terreola e os politicos só os criticam quando a miséria lhes bate á porta. Um país onde o abuso de poder juridico é o pão nosso de cada dia é um país de nada! Mas o que interessa isso se há futebois , musica pimba alcool e tabernas com fartura…
Assinado: Toino dos Pombos
Que gentinha é esta dotada de status magistral?
Discordo do Sérgio e concordo com Rui Rio.
Se o Estado financia os partidos, então deve fazê-lo sem estar a espiar dentro deles (os partidos) de que forma gastam o dinheiro. Se o gastam na atividade parlamentar ou noutra coisa qualquer, isso deve ser decisão deles. Os partidos devem ser livres de gastar a subvenção que o Estado lhes dá da forma que considerem mais avisada. O Estado não tem nada que andar a espiolhar-lhes as contas.
De resto, a atuação do Ministério Público neste caso foi, como infelizmente é costume, um nojo.
Sou dos que pensam que o Rui Rio, na entrevista com a Clara de Sousa, prestou um bom serviço ao País.
Não entendo como é que o poder judicial quer controlar as despesas dos Partidos políticos, com o argumento de que são subsidiados pelo Estado.
Concordo!
Por falar em “isto não é país que se apresente”. Pelo menos 96 pessoas foram detidas em diversos confrontos e 255 veículos foram queimados durante a noite do feriado nacional francês, entre sexta-feira e sábado.
Apesar das ocorrências, noticia a agência Efe, este ano o número de incidentes diminuiu em 40% face ao ano passado.
O ministro francês do Interior, Gérald Darmanin, apontou este sábado na sua conta do Twitter, ainda com número provisórios, a “queda significativa” nos danos materiais, e atribuiu-a “às forças da ordem, à sua presença e aos numerosos controlos preventivos realizados”.No total, 45.000 polícias saíram às ruas nas noites da véspera e do dia 14 de julho, havendo registo de sete agentes feridos, um número menor do que o verificado em 2022, com 21 polícias feridos.
Daqui https://observador.pt/2023/07/15/pelo-m enos-96-detidos-e-255-carros-queimados-n a-noite-do-feriado-nacional-frances/
“Com o mal dos outros podemos nós bem”
Concordo (por isso vejamos então) as-do-pais-real-diz-que-e-uma-49882
https://imagenssem.blogs.sapo.pt/notici
Esta sonsice é muito tuga e, claro, reflecte-se na letra das leis, redigidas por tugas. Sem ambiguidades seria mais difícil governar…