Um país cada vez mais insignificante


Sérgio de Almeida Correia,

A entrevista que Carlos Queiroz deu esta noite a Judite de Sousa é um pouco, à maneira de Clausewitz, a continuação do processo Casa Pia por outros meios. Substitui-se o Cruz pelo Queiroz e o martírio continua. Enquanto houver um Carlos a fazer de bombo da festa o povo continua entretido, os “paineleiros”, a expressão não é da minha lavra, dizem que não são juristas e cada um deles vai dizendo de sua justiça durante horas a fio. Tudo o que se passa actualmente com o polivalente Laurentino, com o sofrível Madaíl ou com a tal de ADoP (a sigla é com minúscula no meio), traduz bem o país de carlinhos em que nos tornámos. E resume-se a uma única palavra: trapalhada. Uma trapalhada resolve-se com uma guia de marcha para os trapalhões. Ou um pontapé nos fundilhos da cambada. Isso seria num país decente. Aqui os trapalhões discutem de cátedra a trapalhada.

 

P.S. Entretanto, chegaram ao estúdio da RTP o autarca/bombeiro, também advogado/comentador e, ao que dizem, por vezes, paineleiro/cronista e, nas horas vagas, político/opinador encartado Fernando Seara e um senhor com ar de ser o contabilista dele que está preocupado com os milhões. Um autarca de gravata lilás e um contabilista era o que fazia falta no Teatro Camões, depois da meia-noite e meia, para o ar de enterro ser completo. Não há um que se enxergue mas acabam todos a dizer que somos os melhores do mundo.

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