Um outing no Muppet Show


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Vai para aí um arraial feliz, na notícia que dois bonecos Marretas saíram do armário. E logo os mais estupores percorrem a galeria de personagens BD e animação, declarando risonhos “outings” na galeria dos heróis – o pacto de leitura que estes letrados cometem mostra-os bem limitados,  até descendentes daquele tão fora de moda “neo-realismo”, não há volta a dar, é o triste fado.

Após 1989, com o final do genocidismo, a esquerda europeia gringou-se e nisso virou identitarista. A sacra aliança operários-camponeses virou mulheres-homossexuais, os livros de Marx foram para as arrecadações e Foucault passou a “ficar bem” na decoração de interiores.

Agora mesmo, com todas estas saudações festivas ao casal de fantoches, ocorre-me – na enevoada memória, pois não vejo um episódio dos Marretas há 40 anos – que a única personagem feminina (“pessoa do género feminino e da comunidade branca”, como a descreveria um antropólogo se escrevendo no Público) era a vaca da porca Piggy, uma megera, desleal ninfomaníaca, egocêntrica, obesa desafinada e que, pior do que tudo, azucrinava a cabeça do seu pobre e sofrido namorado (“pessoa do género masculino e da comunidade verde, como o descreveria um antropólogo se escrevendo no Público). Um “must” em termos de estereótipos sexistas …

Camaradas feministas estamos à espera de quê? Agora que todos louvam a pertinência dos fantoches Marretas não exercerão a vossa crítica ideológica, não apontarão a série como uma vil manobra anti-pessoasdogénerofeminino? Ou a aliança de classe, perdão, de identidades sobreleva-se, a bem da unidade do Partido, coisa do centralismo democrático? E ficar-se-ão no elogio ao casalinho fantoche?

 

14 comentários em “Um outing no Muppet Show”

  1. A lenda de que Batman e Robin seriam um casal vem dos anos 1950, quando o psiquiatra Frederic Wertham, ao publicar o livro “A Sedução dos Inocentes”, a respeito dos “efeitos nefastos” da banda desenhada sobre os jovens da época, sugeriu, pela primeira vez, que os dois heróis eram homossexuais.

    No filme “Batguano”, Batman e Robin são casal gay em futuro apocalíptico.

    https://youtu.be/82MsvF4_zOI

    1. Sim mas também há para aí imensos tipos que correm tudo à pazada: o Lucky Luke e o Jolly Jumper, o Tonto e o Lone Ranger, o Zorro e o Sargento Garcia, o Major Alvega e o Spitfire, a Barbara e a Ella, e por aí adiante. Não há paciência …

  2. A rua sésamo e os marretas são coisas distintas… bem distintas…! Um é para crianças o outro é um universo para adultos… curiosamente, o casal homossexual é revelado na série para crianças…

  3. “…os livros de Marx foram para as arrecadações…”

    Não, pelo contrário, é simplesmente aplicação da lógica Marxista e a sua expansão.

    De patrões vs operários-camponeses, a dualidade opressores – oprimidos que explica o mundo partiu-se para outras dimensões onde supostamente encontram a mesma relação.
    Nem que tenham de inventar novas classes de opressores e oprimidos para como essa descoberta demonstrarem a própria virtude para obter poder social e depois político.

    1. Meu caro quem “inventou”a dualidade não foi Marx. Foi a Religião, sobretudo o Maniqueísmo da antiga Pérsia. E a luta entre grupos vem,sobretudo, de Darwin e não consta ter sido este um marxista

      1. Onde falei em quem inventou?

        Marx e os Marxistas levaram a um extremo em que mundo é visto exclusivamente pelo prisma utilitário de opressores e oprimidos, exploradores , e explorados, privilegiados e não priviligiados. Utilitário porque é apenas uma táctica para obter Poder a partir da definição de grupos.

        Enquanto outras religiões têm uma importante componente da superação individual, o pecado é essencialmente do individuo dentro da própria religião o que implica necessariamente o reconhecimento da pessoa e a sua vontade, no Marxismo o pecado é de classe.

        Enquanto os racistas usam a cor da pele, um Marxista usa tudo o que puder ser definido como classe e isso implica claro se o contexto for favorável a cor da pele.

        No epicentro do Marxismo mundial,os EUA, as classes não param de crescer

        https://www.thecollegefix.com/whites-only-meetings-help-university-staff-students-work-toward-white-consciousness/

        1. Toda a Moral e a toda Lei reflectem o interesse conservador da posição social da classe dominante. Elas reflectem uma justiça interesseira, não a Justiça interessada, emanada dos céus. E sim os de cima não raras vezes têm Direitos Divinos.

          A maioria se não todas as religiões têm uma componente de aceitação dos males deste mundo. De não beligerância com as voltas do destino em nome de uma morte viva. Assim as religiões visam a passividade,protegendo a estrutura social. Napoleão sabia-o.

          Marxista os EUA? Hmmm

  4. Discordo da classificação, a miss piggy é uma suína antropomorfizada cis-hetero racializada branca.

    É fácil imaginar uma tese de doutoramento com bolsa da FCT dedicada ao “impacto e legado das representações dxs corpxs no Muppet Show : o ideário da mulher suíno”. Vou pensar nisso para as férias.

  5. Ou, como a esquerda progressista se transformou numa caricatura, testando os limites do ridículo! Subversivos e suicidários, apontando vícios como virtudes e virtudes como vícios!!
    Salvem-me dos sonhos desta gente!!

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