O deputado do CDS Michael Seufert produziu um notável documento enquanto autor do relatório sobre a Petição 259/XII/2, intitulada «Pela desvinculação de Portugal ao “Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa” de 1990» e apreciada no âmbito da Comissão de Educação, Ciência e Cultura.
Do relato, que pode ser lido na íntegra aqui, destaco os seguintes excertos:
– «Em política às vezes vemos que são os mais persistentes – independentemente do valor das suas posições – que levam água ao seu moinho vencendo os opositores e sobretudo os indiferentes pelo cansaço. No caso do Acordo Ortográfico de 1990 parece que foi isso que se passou. Não havia, e continua a não haver, propriamente uma manifestação nacional a favor duma “ortografia unificada de língua portuguesa”. Nem nacional nem nos outros países do acordo, aliás. O Acordo diz também que “resulta de um aprofundado debate nos países signatários”. Ora esse debate, não conseguindo o relator pronunciar-se sobre os anos 80, tem-se vivido muito nos últimos anos. E diga-se que a desfavor dos defensores do acordo.»
– «É um facto objectivo que, tirando os académicos envolvidos na elaboração do próprio Acordo, é difícil encontrar uma opinião da academia portuguesa favorável ao acordo – por razões variadas.»
– «Importa recordar o perturbante depoimento do vice-presidente da Academia das Ciências no grupo de trabalho. O doutor Anselmo Soares afirmou ipsis verbis que o responsável pela área da Cultura no governo de José Sócrates “ameaçou inclusive o presidente da Academia das Ciências de Lisboa de extinguir a Academia (…) pelo facto de ela não estar ao lado do governo nesta matéria”. A Academia, pela voz do seu vice-presidente, não repudia o Acordo (seria estranho, depois de o ter co-escrito) mas rejeita a sua imposição nos moldes em que foi feita e não se coíbe de apontar erros vários dizendo mesmo ser “uma vergonha” o que se está a passar com a língua portuguesa.»
– «As diferenças nomeadamente entre o Português de Portugal e o do Brasil são tantas que um texto inglês continua a ter de ter duas traduções escritas diferentes consoante for editado no Brasil ou em Portugal.»
– «De alguma maneira essa ortografia unificada contraria a própria história. As várias formas do Português já foram em tempo unas – deixaram de o ser com sucessivos processos em Portugal e no Brasil e poderíamos reconhecer e aceitar essa evolução.»
Este relatório parlamentar constitui uma vitória de todos os opositores do chamado “acordo ortográfico”. Mas é sobretudo uma vitória do nosso idioma, na sua variante escrita euro-afro-asiática, que merece ser devidamente assinalada.
Um documento que prestigia a Assembleia da República e dignifica a cultura portuguesa.


Mas para que raio são o Brasil e a ortografia de lá metidos ao barulho?
O que houve foi uma modificação da ortografia do português em Portugal. Essa modificação constitui um progresso e por isso deve ser mantida, independentemente daquilo que outros países de língua oficial portuguesa (que, todos eles, têm ortografias próprias) decidam ou não decidam fazer.
E que progresso é esse?
Aliás, o que é que é progresso numa língua? Como é que isso se estabelece?
Porque eu consigo determinar que uma TV a cores é melhor do que uma TV a preto e branco, um pentium é mais rápido do que um amiga, etc, mas objeto é melhor do objecto? Por que escala ou medida chega a essa conclusão?
O Michael Seufert é muito novinho e não tem filhos em idade escolar. Se os tivesse, saberia que a nova ortografia já é utilizada nas escolas há pelo menos dois anos. As crianças já estão a ser ativamente ensinadas nela, e uma data de livros, sítios na internet, etc já estão escritos nela. Voltar à ortografia antiga seria uma trapalhada monumental. Teríamos que ensinar de novo uma data de crianças a escrever.
Pois ensine-se! O argumento de que o mal deve ser mantido porque custaria corrigi-lo é aqui absolutamente infame. Vencer pelo cansaço, Luís Lavoura, com ameaças de verdadeiro “gangsterismo de estado”. Em Portugal um governo recorreu ao melhor estilo da oferta que se não poderá recusar, como o cinema a celebrizou.
Na falta de mérito científico ou cultural, demonstradamente inexistente, impõe-se o que se quer pelo medo.
E para si tudo isso está muito bem…
Costa
Vossemecê, bem vejo, é uma dessas crianças. Assim temos de ensinar os adultos todos. Não nos faça tolos.

Este Lavoura não tem conserto: Nem ele sabe porquê, resolveu defender o acordo 90.
Mais uma vez se confirma que a ignorância é atrevida…
“Trapalhada” é a situação actual. Nas escolas e não só…
O acordo ortográfico é fato consumado, na imprensa e nas escolas. Boa sorte ao deputado Zóifeât.
Ainda bem que o “fato” está “consumado” e não consumido. Parabéns ao alfaiate.
Boa!
Não gosto de fato… prefiro paletó!
Eu prefiro terno. De facto.
Passamos então ao insulto pessoalizado. Na falta de argumentação minimamente sólida, opta-se pela desconsideração pessoal de quem pense de forma diferentemente, “brincando” – evidentemente com intenções nada inocentes – com o seu nome.
Um verdadeiro exemplo de seriedade argumentativa e lisura de trato, este “brasileiro”. Há ligações aéreas frequentes com a terra dele; será que sabe disso?
Costa
O argumento do “vai para a tua terra” diz bem sobre a cabecinha de quem o usa. Sou português, vivo no Brasil e nunca ninguém me mandou de volta à terrinha, nem eu o admitia. Muito menos com argumentos “linguísticos” ou ortográficos. Isso é de um baixo nível… Era o que faltava. E como eu há milhares de portugueses em todo o mundo. Já agora, para que conste, sou por princípio contra o acordo ortográfico, porque não é ele que vai uniformizar a língua portuguesa. O cidadão português comum não imagina as palavras diferentes que se usam aqui no Brasil, sobretudo nas áreas mais especializadas. Mas o AO é um facto (é mesmo com C, segundo o acordo é facultativo…) consumado e ninguém morre por causa dele. E as TV, jornais e todo o sistema já o usam! Deixem-no pois viver.
Nunca! Morte ao ao AO malfadado, que ainda Não está consumado!
“Não” é a palavra de ordem adequada.