
Mercado de Natal em 2010 – Stade
Por altura do 1.º Domingo do Advento (que este ano foi a 29 de Novembro), arrancam os Mercados de Natal, na Alemanha, prolongando-se até aos dias 22 ou 23 de Dezembro. É uma grande tradição, que, além de inaugurar a época natalícia, vem trazer luz e calor num clima extremamente agreste. Em Dezembro, começa a escurecer pelas três e meia da tarde. E, se o céu estiver nublado, nem chega bem a clarear, durante todo o dia. A isto se juntam temperaturas normalmente negativas. No caso de haver positivas, raramente sobem acima dos 5ºC.
Por isso, todos os anos, as pessoas aguardam ansiosamente os Mercados de Natal, onde, além dos enfeites e quinquilharias natalícias, se encontram comes e bebes e onde o Glühwein é rei (vinho quente com especiarias). Para as crianças, ou adultos que não queiram ou não possam beber álcool, há ponche quente de sumo de frutas, também com especiarias. Até se aprecia o frio cortante, os alemães costumam dizer que o Glühwein só sabe bem, quando está um frio de rachar. E têm razão.

Brindar com Glühwein, no Mercado de Natal (Philipp von Ditfurth/dpa)
Assim se enchem os centros das cidades de calor humano e convívio. Raramente, os alemães são tão extrovertidos como nos Mercados de Natal. Também há vários palcos espalhados pelo recinto e Stade, onde vivo, não é excepção. O Horst e eu costumamos actuar com o nosso coro Gospel. O público aplaude eufórico, o que nos aquece os corações, mesmo sabendo que muitas das pessoas talvez o faça apenas por já estarem com um grão na asa.
Este ano, não há Mercados de Natal. Apesar de alguma iluminação e uma ou outra árvore enfeitada, os centros citadinos estão vazios. Dezembro parece que custa mais a passar, as pessoas andam tristes. Em Janeiro, os dias são igualmente curtos, mas o facto de estarem a crescer e de se ter iniciado um novo ano, tem um efeito psicológico benéfico. Em Dezembro, são os Mercados de Natal que costumam afugentar as depressões de Inverno.
E a situação vai piorar. O governo decidiu hoje um lockdown total a partir da próxima quarta-feira, ou seja, além dos restaurantes, já fechados desde o início de Novembro, vão fechar todas as lojas (à excepção de supermercados e farmácias) e as férias de Natal começam mais cedo, a fim de se fecharem as escolas. Nos festejos familiares, apenas se podem juntar, no máximo, quatro pessoas a um agregado familiar. E os revellions foram proibidos, assim como ajuntamentos ao ar livre (muitos alemães costumam ir para a rua lançar foguetes, à meia-noite, um pretexto para se formarem ajuntamentos, com muito álcool à mistura).
À semelhança do que se passa no resto do mundo, a situação nunca esteve tão má, apesar das restrições impostas desde o início de Novembro. Não trouxeram o efeito desejado, pelo contrário: batem-se recordes de números de infectados, na passada sexta-feira, quase se atingiram os 30.000! Se não se encontrar um travão, os hospitais podem mesmo entrar em colapso, no país com um dos melhores sistemas de saúde do mundo.
Mesmo com a vacinação planeada, as pessoas não conseguem ver a luz ao fundo do túnel. Todos temos ainda na memória as imagens do papa Francisco praticamente sozinho, na celebração da Sexta-Feira Santa. Nessa altura, não imaginávamos que as imagens natalícias seriam ainda mais tristes.

É triste ver a Alemanha a embarcar neste disparate de fechar lojas e, muiito pior, de fechar escolas. Está a prejudicar a sua população e a sua economia muito mais do que o vírus alguma vez faria ou fará.
Ter 30 mil casos diários, para um país da dimensão da Alemanha, nada tem de especial ou trágico. 30 mil na Alemanha é equivalente a menos de 4 mil em Portugal – e Portugal tem isso há várias semanas, sem que se tenham fechado escolas por causa disso.
Fechar as escolas é prejudicar as crianças e jovens, prejudicar os cidadãos do futuro. E para quê? Para proteger velhos que, de qualquer forma, morreriam no prazo de seis meses? Que disparate.
Eu tinha Angela Merkel em melhor conta. Agora, vejo-a também a embarcar na histeria covidiana.
Venho corrigir uma informação que ontem não tive tempo de esclarecer. As medidas em relação às escolas variam de “Bundesland” para “Bundesland”, pois há regiões mais atingidas do que outras. Se alguns antecipam as férias, outros resolveram levantar a obrigatoriedade escolar, pedindo aos pais que não mandem os filhos para a escola (ou para os infantários), caso tenham condições para os manter consigo, ou com alguém.
Gostava de saber quem é que me proteje deste imbecil anónimo?
Pois por cá não está melhor. Para lá dos números, tenho conseguido passar por isto como entre os pingos da chuva, nem sei bem como. Mas nesta semana o número de portas familiares fechadas com o malfadado papel afixado bateu-me em cheio, e estou à espera de um teste para saber se a coisa me entrou literalmente em casa. Se for um Natal triste em casa já vou com sorte. E tudo indica que a situação vai piorar.
o número de portas familiares fechadas com o malfadado papel afixado
Que malfadado papel? Porque estão as portas fechadas? Não entendo, por favor explique.
Fechado por Covid. Tabacarias, pastelaria, café, papelaria, relojoaria. De repente ficou tudo assim.
Boa sorte, António.
Negativo. Escapei desta.
Feliz Natal, e obrigado.
Como se tornou costume por esta Europa fora (mas felizmente não em Portugal), o governo alemão vai submeter a totalidade da Alemanha a medidas repressivas duríssimas, quando a epidemia está a recrudescer somente nalgumas partes da Alemanha. O todo vai pagar pela parte.
Infelizmente, está a recrudescer em muitas partes da Alemanha, apesar de bastantes medidas restritivas, que vigoram há mais de um mês. Em Portugal, porém, constata-se uma diminuição no número de infectados, já teve cerca de 8.000 e anda agora entre os 4 e 5.000. Na Alemanha batem-se recordes quase todos os dias.
está a recrudescer em muitas partes da Alemanha, apesar de bastantes medidas restritivas, que vigoram há mais de um mês
(1) Isso só mostra que as medidas restritivas até agora tomadas foram ineficazes. O que sugere que as medidas restritivas mais duras a aplicar agora também serão, em grande medida, ineficazes. O que sugere que talvez fosse boa ideia deixar de aplicar medidas restritivas, cuja eficácia é duvidosa e pode até ser nula.
(2) O facto de a infeção estar a recrudescer em todo o país não justifica que se apliquem as mesmas medidas a todo o país. As medidas mais duras só deveriam ser aplicadas naquelas partes do país que já atingiram um certo nível, considerado insustentável, de infeção. É o que se está a fazer em Portugal e em Inglaterra, e o que se deveria fazer alhures.
Por ter nascido na véspera do Natal, cresci com um natural ressentimento para com o dia festivo que sempre me roubou a possibilidade de, como o resto das crianças, ter uma única festa de aniversário.
Desde que vim para a Tailândia, devido a um contacto mais frequente com as minhas netas (uma com 7 anos, a outra com 3), o Natal com direito a árvore montada a preceito e prendas colocadas pelo Pai Natal enquanto dormimos, passou a fazer parte de um ritual anual para elas – é o meu modo de contribuir para que elas, 364 dias vivendo sob a influência budista, tenham ao menos um dia cosmopolita.
Cara, Cristina Torrão, a minha solidariedade para consigo e para com os seus, agora que, como diz, a Alemanha «decidiu (…) um lockdown total a partir da próxima quarta-feira». Não vai ser fácil: eu sei porque vivi essa imposição de Abril ao início de Julho… e ainda me lembro de um dia ter tido a necessidade de comprar uma chucha para a minha neta que, devido à proibição de circulação entre cidades acabou por ficar “fechada” connosco, e só ao fim de uns 3 ou 4 dias ter encontrado uma numa das poucas farmácias que sobreviveram à falta de clientes. Nos hipermercados, a secção onde se encontram as chuchas tinha sido vedada por ordens das autoridades locais. Naturalmente, apenas mais uma das muitas medidas exageradas e sem sentido que também foram tomadas.
Em poucos dias, o número de casos começaram a descer e no começo de Maio, apesar de continuar a ser obrigatório usar a maldita máscara, já era frequente ver rostos sem máscara. Durantes meses, a Tailândia não registou um único caso local.
Em finais de Novembro, um grupo de nacionais para evitar a obrigatória quarentena para entrar no país, conseguiu atravessar ilegalmente a fronteira com o Myanmar. Por causa desse acto irresponsável, em menos de duas semanas, cerca de 45 nacionais foram infectados. Ainda hoje foi anunciado um novo caso quando se julgava que o número de infectados já tinha sido controlado há 2 dias e claro, a segurança com que vivíamos, acabou por voltar ao ponto 0.
Que tudo corra bem por aí.
Obrigada, igualmente.
Vivo em Berlim e é engraçado que antes não dava assim especial valor a estes mercados de Natal (que não celebro). Mas acabava sempre por ir com amigos que eram mais devotos destes mercados e pelo menos pela comida e bebida, mas a verdade é que este ano sinto falta de ver estes espaços cheios pela cidade. Como disse e bem, traziam um pouco mais de calor ao frio natural desta época. Esperemos que 2021 por esta altura seja melhor.
Esperemos que sim, Filipe.
Como não ligo ao Natal e sinto particular desprezo por iluminações e banda sonora da época… meh.
(este ano não há almoços de Natal da empresa, hurraaaaaa)
O que custa realmente é o dia a dia, não poder visitar alguém, ou prestar assistência a um doente, nem que seja a psicológica.
Gosto do convívio espontâneo, não aquele forçado por calendarizações. O 1º está ferido de morte, o 2º lá renascerá das cinzas,
batem-se recordes de números de infectados, na passada sexta-feira, quase se atingiram os 30.000!
Este número é totalmente enganador. Faz parte da prática generalizada que tem sido seguida para aterrorizar a população, de utilizar em cada momento o número pior que esteja à disposição.
Como se vê em
https://www.google.pt/search?sxsrf=ALeKk 017NpzbzjE3MHSnX77qkG2xCc9pyA%3A16080465 88486&source=hp&ei=_NfYX9K6GonGae7-s-gN&q=covid-19+numbers&oq=co&gs_lcp=CgZwc3ktYWIQARgAMgQIIxAnMgQIIxAnM gQIIxAnMgcIABDJAxBDMgUILhCRAjIFCAAQkQIyB AgAEEMyCAguEMcBEKMCMgIIADIICC4QxwEQowI6B wgjEOoCECc6CAguEMkDEJECUIYbWIEfYIMraAFwA HgAgAF4iAHeAZIBAzAuMpgBAKABAaoBB2d3cy13a XqwAQo&sclient=psy-ab
os números de novos infetados na Alemanha têm oscilado consideravelmente de dia para dia, sendo o número médio atual inferior a 20 mil novos casos diários. Como a Alemanha tem uma população 8 vezes superior à portuguesa, isso seria equivalente a 2500 casos diários em Portugal – uma ninharia, muito acima da qual Portugal viveu durante muitas semanas. A Alemanha poderia perfeitamente suportar 20 mil novos casos diários ser recorrer a lockdowns!
Há algo de estranho nos números que são divulgados na Alemanha. Ao fim-de-semana, são muito mais baixos e já se fez saber que é devido a muitas regiões não fazerem contagens nesses dias. Depois, vão aumentando, à medida que a semana avança. Não é por acaso que o máximo de quase 30.000 surgiu numa sexta-feira.
Como há oscilações dessas, compara-se o número diário com o do mesmo dia da semana anterior. Hoje, por exemplo, foram divulgados 14.432 novos casos de infecção, mais cerca de 400 do que na terça da semana passada (14.054). É nestes indicadores que o governo se baseia para impor o “Lockdown”, já que, dizem, os números continuam a subir.
Enfim, contas…
Deixo o link de onde tirei estes números. É em alemão, mas para que não digam que os inventei: orama/id_89124022/corona-neuinfektionen-r ki-meldet-fallzahlen-aber-ohne-sachsen-d aten.html
https://www.t-online.de/nachrichten/pan
Lindo texto! Sabe a “glühwein com o frio de rachar…”, cante á mesma, em casa…
Apesar de tudo desejo um feliz Natal!
Obrigada, igualmente. Com saúde!