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Durante trinta e quatro anos detentor do pouco edificante título de “maior lixeira a céu aberto da América”, o Jardim do Gramacho vai finalmente ser encerrado. E fá-lo mesmo a tempo de não envergonhar os brasileiros no Rio+20, a conferência internacional sobre o ambiente que este ano se realiza no Rio de Janeiro – exactamente a cidade onde se situa este mal amado “jardim” – marcada já para o próximo dia 20 de Junho.
Mas até numa lixeira pode nascer a arte. Este estranho e especialíssimo cosmos, policiado apenas por temíveis urubus, onde uma população residente de “catadores” e suas famílias disputa diariamente o seu tóxico habitat com todo o género de indesejável bicharada, foi o cenário inspirador para várias obras do artista plástico Vik Muniz*, a que ele chamou “Lixo Extraordinário”. Usando os residentes do Gramacho como modelos no seu cenário natural, Vik fotografou monumentais composições que depois expôs em vários países (em Lisboa a exposição esteve por vários meses no CCB). O originalíssimo trabalho, que alia a arte à consciência social através da denúncia de uma situação pungente, despertou enorme curiosidade e foi muito premiado. Dessa obra ficou, como registo, um documentário que vale a pena ver. Aqui fica o trailer, mas todo o documentário pode ser visto na net.

O filme é ‘extraordinário’. Passou directamente para os meus preferidos de sempre e a ver a exposição foi comovente.
Tive a sorte de ter por guia na exposição o próprio Vik Muniz. O trabalho dele é mesmo extraordinário, e o documentário está muito bem feito. Chegou a estar nos cinemas do circuito comercial aqui em Portugal, mas acho que pouca gente deu por ele.
Comprei o filme, nem dei por ele no circuito comercial e adorei. Completamente.