Um homicídio foi ontem notícia. Mas com uma diferença em relação àquilo que é habitual sabermos: este foi cometido por um elemento de uma corporação policial. A notícia foi divulgada ontem, à hora do almoço, nos telediários de três canais em sinal aberto, cada qual à sua maneira.
Transcrevo aqui as diferentes versões e proponho aos leitores que me indiquem qual entendem ser a mais correcta e porquê. Podendo, naturalmente, comentar outros aspectos relacionados com este crime.
SIC, 13.16: «A PSP matou uma mulher por engano durante a madrugada passada em Lisboa. A polícia confundiu o carro da vítima com uma viatura em que fugiam os assaltantes de um multibanco. Este desfecho trágico aconteceu na Segunda Circular.»
TVI, 13.18: «Uma mulher foi morta esta manhã durante uma perseguição policial em Lisboa, numa operação destinada a capturar elementos de um gangue que de madrugada tinha assaltado um multibanco em Almada. A vítima mortal não estava relacionada com o crime cometido na Margem Sul do Tejo.»
RTP, 13.19: «Uma mulher morreu esta madrugada, em Lisboa, depois de baleada pela polícia. Seguia num carro que não parou numa operação policial que os agentes da PSP tinham montado para deter os assaltantes de um multibanco. Sabe-se agora que a mulher que morreu não tinha nada a ver com o assalto.»

outros aspectos relacionados com este crime
Seria talvez mais conveniente escrever “este acontecimento”.
Para a comunicação social, sempre que um PSP ou um GNR mata um criminoso (aqui ainda não sabemos claramente se o era) é um crime de lesa-pátria, quando um criminoso mata um PSP ou um GNR é uma coisa normal. Agredir um polícia em Portugal é como dar um pontapé numa pedra, já um polícia desempenhar a sua função é o fim da carreira do mesmo, no mínimo.
Acabamos também de descobrir um novo subcrime de homicídio: o homicídio por engano, sugiro já a alteração do Código Penal.
Se a polícia dá ordem de paragem, o indivíduo não respeita e ainda tenta atropelar os elementos policiais o que é que devemos esperar? Que lhe acenem? Também não acredito que o disparo tenha sido a matar, a sê-lo seria para o condutor e não para quem seguia ao lado.
Independentemente da viatura estar ou não relacionada com o assalto, teve uma conduta imprópria, tivesse respeitado a ordem policial e nada disto tinha acontecido.
Sou a favor que se investigue mas longe e sem influência das notícias manipuladas e manipuladoras de opinião pública.
Não sei se tentou ou não atropelar a polícia, essa é a versão desta, mas nestes casos, e debaixo duma doutrina corporativa, não me parece fiável. Parece que o tribunal dá mais valor á palavra de um polícia, eu não, já os via a mentir descaradamente em tribunal, sobre acidentes de trânsito.
E NAO FOI SO VC QUE OS VIU A MENTIR EM TRINUNAL, E ATE JA VI MAIS MAGISTRADOS A MENTIR
A polícia é paga por nós para nos proteger, e dada a sua má formação, acaba por ser uma corporação perigosa para o cidadão comum, ainda mais agora que adoptou o estilo americano de disparar de ânimo leve. Isto é muito grave, e mostra que, na generalidade, os polícias são pessoas frustradas com o seu trabalho, mal preparadas, e que aproveitam o poder da sua autoridade para agirem através da prepotência e gerarem violência. Isto generalizando, porque em particular há meia dúzia que são competentes e civica e eticamente responsáveis.
e agora pergunto eu…
De onde vinha o carro?
E porque é que o condutor ligado ao trafico de droga, sem carta e o carro sem seguro não parou?
Porque é que andam a fazer rusgas à residencia do condutor?
…entre muitas outras perguntas…
A classe jornalística quer fazer-nos pensar sempre o pior das autoridades…
“Para a comunicação social, sempre que um PSP ou um GNR mata um criminoso (aqui ainda não sabemos claramente se o era) é um crime de lesa-pátria, quando um criminoso mata um PSP ou um GNR é uma coisa normal.”
Sabe muito bem que isto não é verdade.
Imagino quão difícil seja manter o equilíbrio entre a eficácia e o excesso das polícias nestas circunstâncias.
João de Brito
Como diria o Engº. Guterres, é a vida.
Não foi certamente a PSP ou a polícia que baleou ou matou a mulher. Terá sido um indivíduo, portanto um polícia, e não a corporação inteirinha.
Você é sempre o mesmo?
Já ando baralhadinho
os jornalistas ainda vão gritar para as Forças de Segurança
‘deixa fugir que é ladrão’
Faz-me confusão que esta notícia surja apenas quando já decorreu um terço de tempo útil dos telediários. Como se fosse algo banal.
Sem poupar na imaginação a palavra a Marcelo, Costa, Catarina e Jerónimo. Apuramento cabal de responsabilidades, justiça irá avaliar e sentenciar consequências, este modelo de democracia já está a funcionar e verificam-se avanços que são de registar.
Claro. Deixou de ser um caso de polícia para se tornar um caso de justiça.
Em resposta à sua pergunta penso que a notícia dada pela TVI é a + correcta.
Não me parece. A notícia da TVI é a que usa mais palavras na primeira frase: trinta. O que me parece exagerado: dá a ideia de querer meter tudo numa frase só.
Escrever curto e simples e claro é fundamental em jornalismo.
Apesar da dimensão da prosa, a frase inicial não inclui uma ideia essencial desta notícia: o facto de a pessoa morta nada ter a ver com o crime cometido horas antes.
A da SIC diz que a polícia confundiu o carro da vítima com uma viatura em que seguiam os assaltantes quando essa confusão não existiu, omitindo a causa imediata alegada para os disparos.
A da TVI é equivalente ao omitir a resistência à ordem de paragem.
A descrição da RTP parece-me a melhor. Resta agora esperar por confirmação.
A da RTP também me parece a melhor. Ressalvo que estas são as primeiras notícias, ainda sem os elementos informativos entretanto já difundidos.
Desta vez a RTP esteve melhor. Ouvindo a TVI não se sabe como faleceu a vítima nem quem lhe provocou a morte. Já para a SIC matar estava bem, só existiu um engano no alvo…
Apenas a RTP, de facto, inclui o verbo “balear” – essencial nesta notícia. A versão da TVI deixa pressupor que a vítima possa ter morrido atropelada ou num choque de automóveis: “foi morta durante uma perseguição policial” é uma fórmula demasiado imprecisa e ambígua.
A SIC também é vaga nesta questão. E opta por um sujeito indeterminado e colectivo: “A PSP matou”. Ora não foi a PSP a matar. Terá sido algum agente, não a corporação no seu todo.
Este erro é, aliás, demasiado comum no nosso noticiário televisivo. Em frases como “estradas matam mais gente em Portugal”. Ora as estradas não matam.
Canal público a, ainda assim, cumprir melhor a isenção que se exige no dever de informar?
Estou de acordo.
E destas três variações sobre o mesmo tema, o único facto apurado a lamentar é que alguém morreu baleado.
Seguramente. Questiono-me se estes agentes da PSP não serão treinados, em casos semelhantes, a disparar para os pneus das viaturas, imobilizando-as dessa forma.
Atirar para pneus não deve ser fácil, porque pelo menos metade deles está protegida pelo chassis do carro.
Acresce que os polícias acreditavam que aquelas pessoas eram os assaltantes do multibanco. Pessoas à partida perigosas. O objetivo não será tanto tirá-las do carro, será sim neutralizá-las.
Atirar às pessoas tem o efeito de, mesmo que elas não sejam atingidas, as assustar forçando-as a parar o carro. Se se atira aos pneus e se falha, as pessoas não ficam assustadas e continuam a conduzir. Mas se se atira contra as pessoas e se parte o parabrisas, as pessoas assustam-se e param o carro.
Você é cá um sabichão!!
Veja se sabe esta!
Como é que se faz um molho exótico?
mas disparar pra quê? não têm as chamadas lagartas que essas sim acertam nos pneus? usem-nas e nao façam mais mortes.
Ana Palma, não me leve a mal. Mas já esteve presa pela PIDE? Essa fotografia passepartout faz-me lembrar as dos ficheiros da António Maria Cardoso.
Curiosamente, por altura dos motins estudantis dos anos 60, contava-va lá por casa uma “piada” à boca pequena, que dizia que Portugal devia ter os estudantes mais altos do mundo, porque a polícia disparava sempre para o ar, e acertava-lhes nas pernas.
Estou em crer que a polícia teve sempre má pontaria, Pedro.
Entendo a da RTP como a mais correta. Afinal, a mulher foi baleada por o carro onde seguia não ter parado perante uma narreira policial. O facto de os agentes terem confundido o carro só se tornou relevante após a desobediência. Fica por apurar na noticia, se os agentes teriam disparado após a desobediência, caso não tivesse havido confusão com o carro.
Desde logo o lançamento da notícia feito pela RTP é o único que utiliza a forma verbal “baleada”. Essencial para que a história seja perceptível.
ela não era criminosa mas o condutor era!! não cumprir uma ordem dada pelo policia é crime! e não tinha carta, não tinha seguro…. então não era criminoso??
era! e os agentes envolvidos sabiam, ah pois sabiam! portanto: é matar. e andar em frente que atrás vem gente. e mais uma ou duas imbecilidades, pois então.
“Não cumprir uma ordem dada pela polícia” não pode significar uma sentença de morte, em circunstância alguma, excepto em casos de legítima defesa inequívoca e manifesta.
O argumento da polícia poder disparar por um condutor não obedecer a uma ordem de paragem é uma falácia e um argumento bastante perigoso.
Não se podem querer respostas fáceis para problemas complexos e cada caso é um caso.
A título de exemplo, deixo dois casos limite para quem quiser apreciar e ponderar sobre os mesmos.
Vamos assumir um mesmo cenário geográfico e temporal (Local A, hora X), mas com 3 desfechos possíveis:
1 – Uma viatura é mandada parar, o condutor desobedece, tenta furar a barreira e tanto a viatura como o condutor são baleados. (descobre-se que o condutor não tinha antecedentes criminais, mas encontrava-se inibido de conduzir e sob o efeito de álcool 0.8, sem ser crime portanto);
2 – Uma viatura é mandada parar, o condutor desobedece, tenta furar a barreira e tanto a viatura como o condutor são baleados. (descobre-se que se tratava de um fundamentalista que conduzia a viatura contra uma estação de comboios);
3 – Uma viatura é mandada parar, o condutor desobedece, tenta furar a barreira e tanto a viatura como o condutor são baleados. (descobre-se que o condutor havia raptado a proprietária do veículo e colocado-a na bagageira do mesmo, sendo que esta viria a falecer).
Perante estes 3 cenários, consegue algum dos leitores, decidir no imediato (falamos em hiatos temporais de segundos ou mesmo menos), que conduta iria assumir?
Para além do momento instantâneo tem de se ponderar o envolvimento circunstancial, a informação disponível e obviamente o discernimento das autoridades. No limite, poderá nunca haver uma decisão acertada. Nesses casos, o que se pode fazer é aprender com eventuais falhas e tentar aprimorar procedimentos.
Conforme comecei, o “bitaite” fácil é muito perigoso, especialmente nos dias que correm, em que a opinião pública pode encaminhar imensas decisões, especialmente políticas e o populismo é um caminho muito “escorregadio”.
Cumprimentos
B.Edgar,
99% de acordo. as minhas observações tinham um registo irónico e eram dirigidas ao anónimo. quanto aos cenários que coloca, antes do desfecho (que, nas suas descrições leva sempre à morte por disparos), havia que conhecer o contexto dos ocupantes do veículo. nessa impossibilidade, não se deverá então optar por uma solução que não envolva disparo eventualmente mortal?
retribuição de cumprimentos
Sem dúvida. O desfecho mortal nos exemplos prende-se com o facto da infelicidade do caso real.
Quanto à imobilização do veículo deve haver efetivamente métodos, procedimentos ou equipamento para tal. Se estava disponível, não sei.
Da mesma forma não se sabe a informação disponível para os agentes no local.
Daí eu dizer que sem é um assunto muito difícil de se comentar, ou tirar conclusões tão vincadas como as que se têm visto neste fórum.
as conclusões vincadas começam a ser comuns.
uma qualquer necessidade constante de se ser “je suis quelque chose”.
As forças da ordem e lei existem para algum fim, senão não seriam necessárias. E existem porque as pessoas não sabem ou não querem respeitar os outros ( o meu umbigo é sempre melhor que o do outro). Como tal, todo o cidadão deve perceber e saber que são para respeitar, independentemente de na altura poderem ou não ter razão. A uma ordem de paragem é para PARAR. Se não se cumprem as regras estabelecidas, sofre-se as consequências (foi assim que o meu pai me ensinou), estando consciente que este caso foi um acidente e não uma prova de tiro ao alvo..
E mais, todo e qualquer um, que infringiu a lei e proporcionou esta fatal ocorrência devia ser punido e ser-lhe imputado este falecimento. Se não fugisse a sua companheira estaria certamente de boa saúde.
Os membros da PSP têm certamente provas de aferição de tiro que lhes facultam precisão quando usam as armas. É muito diferente apontar ao pneu de um carro ou para o interior dessa viatura.
Os membros da PSP têm certamente provas de aferição de tiro que lhes facultam precisão quando usam as armas.
Parece que têm bem menos provas dessas do que aquelas que seriam necessárias e convenientes. Pelo menos é o que dizem os sindicatos da polícia.
Interessante nesses incidentes é que os policiais nunca atiram nos pneus, por exemplo. Sempre preferem os ‘alvos’ humanos. Dead wish?
Pois, aí está. Questiono-me também se alguns destes agentes – felizmente longe de serem maioria – não verão demasiados filmes do Chuck Norris e do Charles Bronson.
Questiono-me também se alguns destes agentes não verão demasiados filmes do Chuck Norris e do Charles Bronson.
Basta-lhes ver a atuação das polícias por essa Europa fora quando se trata de suspeitos de terrorismo: matar primeiro e questionar depois.
Tornou-se corrente por toda a Europa abater no local qualquer pessoa que ataque outras de forma mais ou menos terrorista.
Mas aí é mais fácil. De uma forma geral e não querendo generalizar, gritam Ala Akbar, ao mesmo tempo que conduzem pelos passeios. Os ingleses é à direita, não é?
A resposta para ambas as perguntas é muito fácil conseguir em fontes abertas na internet. A resposta é simples “porque, por norma, não se param viaturas atirando aos pneus”. A multiplicidades de variáveis é enorme (tipo de munição, tipo de pneu, tipo de veículo, rapidez de marcha, ângulo de impacto, etc.). Testes efectuados demonstram que por vezes, mesmo com os veículos parados, as probabilidades de deflexão de uma munição são consideráveis. Logo, não existe sequer treino específico para parar viaturas com tiros nos pneus (e o que não se treina não se aprende).
Quanto aos “heróis de ação”, Portugal tem vindo a melhorar significativamente no que respeita às estatísticas de mortes civis em virtude de acções policiais. Entre 2014 e 2015 por exemplo, e segundo elementos que se encontram disponíveis, não houve um único incidente, o que está muito em linha com congéneres europeus.
Jornalixo tendenciosíssimo…a raçãoconcebida,e idealmente normalizada, para o gado eleitoral doméstico – e servida, regular e pontualmente, pelos imparcialíssimos canalhas dos esgotos televisivos da paróquia.
Cada jornal divulga a notícia com o maior ou menor espalhafato que lhe interessa, mas quem sou eu para comentar?
Quando ouvi, na rádio, a notícia, pensei somente numa coisa. Se a PSP estava na perseguição do condutor do carro que não obedeceu às suas ordens,porque não disparou para os pneus?
Era de madrugada, eu sei, mas tentavam.
Isto é a minha ideia.
Vota no PAN?
Este acontecimento faz-me lembrar aquele do cigano que foi assaltar e levou o filho para o “trabalho”, como o polícia cumpriu a sua obrigação em defesa dos bens do cidadão, mas teve a infelicidade de acertar na criança tem a vida estragada e ainda teve de indemnizar o pai que como bom cidadão e praticante de bons actos ganhou o processo, aqui parece que a senhora é namorada do bandido e teve a infelicidade de lhe pedir boleia para o trabalho e o policia teve também a infelicidade de lhe acertar, dá para perceber o que poderá acontecer ao agente da autoridade… Não devia ter cumprido a sua função agora sofrerá as consequências por isso, é assim o país em que vivemos é mesmo um paraíso para os bandidos e políticos corruptos, ladrões e oportunistas.
Vou comentar os outros aspectos : o carro não parou na operação stop, e isto quiçá por o condutor do carro, um homem, não ter carta, conduzir de luzes apagadas e o carro não ter seguro nem aparecer o livrete e transportar haxixe, não sei quanto. A senhora morreu porque ia mesmo muito mal acompanhada, não foi por engano.
Aposto que tinha matrícula catalã !
Não por acaso, trouxe aqui as primeiras notícias sobre o tema – aquelas que foram difundidas numa altura em que diversos elementos informativos eram desconhecidos. E comparo-as.
Interessa-me aqui confrontar as diferentes versões noticiosas.
Boas tardes,
É a primeira vez que “participo” neste espaço de comentários de um blog que, pelo que vejo, tem “habitués”.
No que concerne ao post e às hipóteses elencadas de qual a notícia mais correta, tenho a dizer que, do meu ponto de vista, nenhuma.
Como tantas outras notícias, carece que de enquadramento e fontes. Eu sou um confesso céptico de notícias instantâneas. Creio que não é pelo facto de serem aferidas e profissionalmente confirmadas que deixam de ser notícias. Mas compreendo a corrida frenética dos media de hoje (“first is better”).
Já a situação, toda ela é infeliz, mas não pode ser tratada ou analisada levianamente ou mediante ideias pré-concebidas que já fizemos há muito. “O A é bom porque é polícia, o B é mau porque é bandido” ou vice-versa.
Temos sim que analisar, ainda que baseados no que nos é transmitido pela comunicação social e procurar compreender o máximo de factores que conseguirmos. No caso em concreto fica a minha visão:
1 – A operação policial começou com uma perseguição a uma viatura envolvida num assalto a uma caixa ATM;
2 – No decorrer da perseguição houve troca de tiros entre as forças policiais e os assaltantes;
3 – A viatura dos assaltantes foi perdida de vista pelas autoridades;
4 – No local do incidente, estava montada uma barreira policial com vista à localização e abordagem à viatura suspeita;
5 – Um veículo similar ao suspeito investiu contra a barreira policial, desobedecendo à ordem de paragem;
6 – Fruto desta conduta, as autoridades abriram fogo, matando a passageira do veículo;
7 – Apurou-se que o veículo não era o perseguido e que seria completamente alheio à situação em causa.
Perante estes, ainda que parcos, elementos ocorrem-me as seguintes questões:
a) Quão correta e precisa foi a informação veiculada pelos polícias envolvidos na perseguição e os elementos das barreiras policiais?
b) É de considerar que os agentes que se encontravam na barreira policial, antevendo e suspeitando que o veículo que contra eles investiu era de facto a viatura suspeita e, sabendo que houvera uma troca de tiros anterior, perspectivaram ali uma real e iminente situação de perigo, abrindo fogo?
c) Estão as forças policiais efectivamente preparadas para este tipo de cenários, face à raridade deste tipo de situações, e há procedimentos concretos para as mesmas? Ou por outro lado os procedimentos e mesmo os diplomas legais são complexos e ambíguos?
d) Assumindo que o condutor da viatura tentou eximir-se a eventuais responsabilidades, face à sua não habilitação para conduzir, este poderá ser igualmente ou mais responsabilizado pela morte da passageira? Isto é, existe ou não uma eventual possibilidade de uma força policial disparar para um veículo que investe contra uma barreira policial? (imaginemos uma situação de suspeita de terrorismo por ex.)
Estas, sem me querer alongar em demasia, são apenas algumas questões às quais não consigo dar uma imediata resposta, mas que servem de patamar para uma reflexão não superficial de um assunto complexo.
O certo é que é de lamentar o falecimento de uma pessoa inocente no seguimento de uma acção policial, que convém, a bem de um Estado Democrático, que repita o menor número de vezes possível.
Bem vindo!
Gosto do pseudónimo.
Eu sou O Vlad
Traz aqui questões muito pertinentes, Bruno Edgar. Espero que este seja o primeiro de muitos comentários.
Concordo em absoluto. Os telejornais não tiveram a mínima preocupação em esclarecer, como há anos é seu mau hábito. São um simulacro já de terceira ordem. Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência. Aliás, algo que infelizmente se enquadra na designação “entretenimento”.
Para mim a noticia que melhor exprime o acontecido e a da tvi 24
Enquadra a noticia de forma adequada
Discordo.
A da TVI é a mais longa e confusa. Na frase inicial – aquela que os telespectadores mais retêm – omite o “engano” policial e o facto de a vítima ter sido baleada.
Nenhuma notícia é a correcta, e hoje já se sabe mais do que ontem se sabia. No entanto, a RTP, foi quem mais se aproximou da verdade. De facto o carro, onde morreu a senhora, nao obedeceu a ordem de paragem pelos militares da PSP, andou por lá a tentar fugir de marcha atrás, ainda atropelou um agente, e depois disso tudo, o que esperava o condutor?
Não devemos analisar uma notícia de ontem à luz dos critérios de hoje. Devemos analisá-la segundo aquilo que havia sido apurado naquele dia concreto.
já comento, por agora estou `qa espera que assunção e hugo soares venham pedir a demissão do ministro. depois falamos
Nem tudo é política. Vale a pena fazer uma cura de desintoxicação.
bla bla bla ( estou a comentar a policia ) … e entao é assim : a policia, aqui e no mundo tem muita imaginaçao, e habitualmente nem podem ser contrariados, pois os mortos, os matados, nao falam, nao testemunham.
Intervalo : claro que existe tensao no trabalho policial, e em certa medida , desde que as vitimas nao sejam os nossos queridos, ate encolhemos os ombros que a policia dispare primeiro e investigue depois.
Voltando á imaginaçao mundial : interrogo-me do porque da policia, habil em invençoes, nao ter inventado que por coincidencia deteve um condutor que ja levava uma fulana morta, assassinada !!!
Quarenta tiros disparados contra a viatura, como hoje se sabe, é manifesto exagero.
Como de costume, vai dar em nada.
Nenhum dos três relatos das televisões é inteiramente rigoroso mas, a escolher um, escolheria o da RTP.
Já li algures que a viatura em que seguia a vítima foi confundida, numa situação posterior, com a viatura que a polícia vinha a perseguir, cujos ocupantes já teriam alvejado a polícia diversas vezes.
Se se acrescentar o facto de a segunda viatura não ter parado à ordem da polícia, ficaram reunidas as condições para uma reacção excessiva por parte da polícia.
Mas isto sou eu a comentar aqui no sofá, se fosse polícia, naquela situação era capaz de ter reagido da mesma maneira.
Lamentavelmente, resultou a morte de uma pessoa inocente. Não sei se o condutor da viatura que não parou não poderá ser acusado de homicídio por negligência.
Dos três relatos que aqui transcrevo também me parece que o mais equilibrado e que mais se aproximará da realidade é o da RTP.
Olha, Pedro, também botei opinião acerca do assunto, aqui, como sempre: t/o-dilema-do-policia-97318
http://seainessabedisto.blogs.sapo.p
Boa, Edmundo.
A polícia montou uma barreira na estrada.
Um carro não parou.
A polícia agiu em conformidade.
Ponto.
(Tudo o resto serve para encher tempo)
Desculpe lá, mas não é assim tão simples. Como se fosse muito natural a polícia matar pessoas em carros que não param.
Claro que quando aludi o meu comentário ao filme do Charles Bronson, Death Wish, queria enfatizar que a linha de tiro dos policiais deveria buscar parar o carro e não disparar contra alvos humanos. Então qual a razão para a escolha mortal. A meu ver, excitação por estar em curso uma ação pouco convencional e esporádica em Lisboa e periferias. Aí é que se manifestam os Bronson e assemelhados. É tentar copiar a NYPD. Deveriam ver menos filmes de Serpicos e etc. Sugiro desenhos animados. Ou um valium 10 mg. É a sensação de ter poder. Abuso de autoridade, com as bênçãos do Estado. Adrenalina a rugir pelos poros. Hoje eu me consagro.
A excitação é muito má conselheira quando se tem armas de fogo nas mãos.
Aqui nao houve engano ,foram mais de 40 tiros e ainda tem a lata de dizer que foi um acidente??? Os policias dizem sempre isso,que tentaram atropelar,mas como eles proprios nao sao de confianca no que dizem,mesmo que tal seja verdade,o que aconteceu foi que os policias com a mania de rambo ,meteram-se a frente do carro, obvio que se eu me meter a frente de um carro,provavelmente serei atropelado.Parece que em Portugal temos pena de morte para quem nao tem documentos, seguro,carta ou um problema qualquer no automovel.Isto pode acontecer a qualquer um!!! Nao e justo,que uma sra inocente tenha sido morta por um policia seja for engano ou por mania ou por estupidez,isto e um homicidio e cometido por um policia ainda mais grave,homicidio qualificado sem duvida nenhuma ,por isso minimo 25 anos prisao para todos os policias que atiraram sobre o carro,nem mesmo que eles tivessem explodido uma caixa multibanco a policia poderia fazer o que fez.So mesmo pode atirar ,quando os outros atiram sobre eles antes,e assim e que tem de ser.Essa de tentar atropelar ,que estupidez ,eles meteram-se a frente do carro claro para terem um motivo para mostrarem que sao rambos a serio ,e assim dizerem que dispararam porque podiam ser atropelados,isto e tao obvio,tao obvio!!!!
Percebo a sua indignação.