
Harry Truman com Franklin Roosevelt (Julho de 1944)
Naquela quinta-feira, dia 12 de Abril de 1945, havia chuva em Washington. Às 19.09, um homem de 60 anos, natural do Missouri, de óculos com lentes grossas e estatura acima da média, tomava posse como 33.º Presidente dos Estados Unidos. Finda a cerimónia, que durou menos de um minuto, o empossado beijou a Bíblia sobre a qual prestara julgamento.
Esse homem fora vice-presidente apenas 82 dias por escolha de Franklin Delano Roosevelt, falecido duas horas e 24 minutos antes da singela cerimónia de posse na Casa Branca. A um gigante da política norte-americana, que conduzira com sucesso o país no combate à Grande Depressão e nas encruzilhadas da II Guerra Mundial, sucedia «o típico americano médio», como assinalou o jornalista Roy Roberts, no Kansas City Star, acrescentando: «Que teste à democracia se funcionar!»
Nessa noite, Harry Skipp Truman deitou-se um pouco mais tarde do que era costume, depois de comer uma sanduíche de peru e beber um copo de leite. Terminava o dia mais longo da sua vida, em que certamente rememorou as críticas recebidas na imprensa oito meses antes, quando Roosevelt surpreendeu tudo e todos ao escolher para vice-presidente, no seu último e brevíssimo mandato, este senador que nunca frequentara a universidade, passara a infância e a juventude numa humilde zona rural e viajara apenas uma vez na vida – em 1918, como capitão de artilharia, quando chegou a França para combater na I Guerra Mundial.
Truman terá certamente recordado também os editoriais demolidores com que a imprensa o brindara no Verão anterior. A Time chamara-lhe «medíocre», o Post-Gazette, de Pittsburgh, garantira que era «um dos mais fracos vice-presidentes» de sempre. Richard Strout, no New Republic, desabafara: «Pobre Truman. E pobre povo americano.»

No momento em que tomou posse, Harry Truman tornou-se o comandante supremo das forças armadas norte-americanas, com 16 milhões de efectivos em guerra. O 9.º Exército encontrava-se às portas de Berlim, a última ilha das Filipinas fora reconquistada aos japoneses, 400 superfortalezas despejavam bombas diárias sobre Tóquio. A guerra custara já 196.999 vidas americanas. Mesmo assim, o estado-maior, em Washington, previa que durasse mais seis meses na Europa e ano e meio no Pacífico.
Logo na primeira conferência de imprensa, no dia a seguir à posse, Truman exibiu o estilo franco e directo que o celebrizou. «Rapazes, se souberem rezar, rezem por mim. Quando ontem me contaram o que acontecera, foi como se a lua, as estrelas e todos os planetas caíssem em cima de mim», disse aos jornalistas. Dez anos depois, escreveria nas suas memórias: «Quando Roosevelt morreu, senti que havia um milhão de homens mais qualificados que eu para lhe suceder. Mas a tarefa estava a meu cargo – e tinha de ser feita.»
«Nenhum outro Presidente americano tomou decisões tão difíceis nos primeiros quatro meses de mandato, relacionadas com a criação da ONU, a presença ameaçadora do Exército Vermelho na Europa de Leste, a bancarrota britânica, o horror do Holocausto e o advento da era nuclear no Novo México, Hiroxima e Nagasáqui», escreveu David McCullough na sua monumental biografia Truman (1992), que lhe valeu o Prémio Pulitzer. Um livro fundamental para viajarmos aos 2841 dias da presidência deste homem que jogava póquer, tocava piano e bebia bourbon, chamava “aquário” à Casa Branca e não ligava nada às sondagens. «Até onde chegaria Moisés se tivesse encomendado uma sondagem no Egipto?», costumava dizer Truman.
Roosevelt, com quem reuniu apenas duas vezes enquanto vice-presidente, jamais o pusera a par dos assuntos da guerra. E nem o informara da sua ida à cimeira de Ialta. Mas ele tinha «uma imensa determinação», como dizia Churchill. Conseguiu defraudar as piores expectativas a seu respeito. A três meses das presidenciais de 1948, a Newsweek pediu a 50 analistas um vaticínio eleitoral: todos apostaram na vitória do republicano Thomas Dewey contra o democrata Truman. A Life fez uma capa com Dewey, chamando-lhe «o próximo Presidente». E o Baltimore Sun concluiu: «Votar nele seria uma tragédia para o país e o mundo.»

Contra ventos e marés, Truman venceu. E convenceu. Ao cessar funções, em Janeiro de 1953, apresentava uma excelente folha de serviços: a reconstrução da Alemanha e do Japão, o lançamento das Nações Unidas, a criação da NATO, o Plano Marshall, a inédita ponte aérea que permitiu salvar Berlim em 1949. Na frente interna, também tinha motivos para orgulhar-se: criou 11 milhões de postos de trabalho, reduziu a dívida pública, evitou o colapso económico que todos anteviam e jamais aconteceu.
Na última das suas 324 conferências de imprensa como Presidente, a 15 de Janeiro de 1953, sublinhou: «Quando a história disser que o meu mandato assistiu ao início da Guerra Fria, dirá também que nestes oito anos iniciámos o caminho para a vencer.» Acertou em cheio.
Na hora da partida, a mesma imprensa que lhe lançara pedras ovacionava-o em editoriais. «É um homem com muitos opositores e poucos inimigos, e com muitos mais que o apoiam e gostam dele», escreveu o insuspeito Walter Lippmann.
«Dever cumprido», disse Truman ao deixar a Casa Branca. Poucos presidentes tiveram tantos motivos como ele para pensar assim.

Bom dia Pedro Correia
Magnífico post. Boa semana (2ª a 6ª Feira……). Saúde.
António Cabral
Muito obrigado, caro António. Saúde para si também.
E foi a única pessoa a autorizar um ataque com uma bomba nuclear até hoje…
Vi recentemente um documentário sobre esse episódio da vida de Truman.
Perspetivava-se na altura, que o arrastar do conflito resultaria na perda de, no mínimo, 1,6 milhões de vida americanas e 2,5 milhões de vidas japonesas. Consequentemente, adiaria a recuperação da europa e impediria sine die a recuperação do Japão.
Com estas cartas em cima da mesa, a hipótese A Bomb tornou-se a única saída possível para evitar isto.
Ou melhor, a única não, haveria sempre a possibilidade de o Japão se render, mas isso não iria acontecer nunca.
No final perderam-se 350 mil vidas japonesas.
A Europa recuperou numa década, o Japão lançou as bases para se tornar uma potência mundial.
Apesar da decisão mais difícil da sua vida, Truman teve de optar pelo mal menor e fê-lo com coragem.
Provavelmente foi o melhor estadista americano de sempre. Mas a pop culture deu o troféu a Kenedy.
“Ou melhor, a única não, haveria sempre a possibilidade de o Japão se render, mas isso não iria acontecer nunca.”
A batalha de Okinawa mostrou exactamente isto: com 94% de casualidades no exército japonês os civis continuavam a combater até à aniquilação total.
Haveriam outras possibilidades, mas provavelmente seriam piores no seu todo.
A alternativa de Truman teria sido deixar morrer mais de um milhão de jovens norte-americanos face à reiterada intenção japonesa de nunca se render. Accionou a bomba mandada construir por Roosevelt, seu antecessor, num cenário de legítima defesa. Antes que o Japão (como a Alemanha) tomassem posse dos segredos nucleares que os fariam ganhar a guerra e exterminar o planeta.
Foi, portanto, um mal menor. Mas mal, claro. A tal ponto que Truman determinou que nunca a bomba voltaria a ser usada pelos EUA. E até demitiu o general MacArthur quando este quis usa-la contra a China na Coreia, em 1950-1951.
haveria sempre a possibilidade de o Japão se render, mas isso não iria acontecer nunca
Haveria ainda a possibilidade de fazer o mesmo que George Bush I fez com Saddam Hussein: declarar que os objetivos da guerra estavam obtidos e interromper as hostilidades.
O exército japonês estava de tal maneira que já não tinha capacidade de qualquer ação agressiva.
Não havia talvez necessidade nem de invadir o Japão nem de lançar as bombas atómicas. Possivelmente, mesmo sem mais guerra, o Japão acabaria por mudar o seu regime militarista.
Isso já é nadar para fora de pé, meter no mesmo saco o Japão nazi-fascista da década de 40 com o Saddam dos anos 90.
Se consultar alguns compêndios que se debruçam sobre o tema, verá que o problema não era exclusivamente as forças armadas japonesas. Era todo um povo. A cultura japonesa é única. Enquanto o Imperador não declarasse a rendição, o povo jamais desistiria.
A bomba atómica como efeito dissuasor do povo japonês não seria suficiente, pois apenas a voz do Imperador era seguida e cumprida.
No Iraque, bem que Saddam podia negar a rendição, que o povo se renderia na mesma. No Japão isso nunca iria acontecer.
São incomparáveis as duas mentalidades.
Provavelmente a única mentalidade actual de algum modo idêntica à japonesa da altura, será a Coreia do Norte. Mas isso só iremos saber se se verificar um conflito… esperemos que não se verifique.
Enquanto o Imperador não declarasse a rendição, o povo jamais desistiria.
Certo. Estou perfeitamente consciente disso. Mas, precisamente, o que eu digo é que, se os EUA tivessem declarado cessar-fogo, provavelmente o imperador teria ordenado também ele a cessação das hostilidades. Porque o Japão e o seu exército estavam basicamente destruídos. Só conseguiam lutar de forma defensiva, como em Okinawa, mas já não tinham qualquer capacidade ofensiva. Já nem aviões para pilotos kamikaze tinham.
Ou seja, os EUA poderiam ter acabado a guerra sem provocar mais mortos. O problema, é que não obteriam uma capitulação nem o seu objetivo final: a mudança do regime japonês. Foi para essa capitulação e para essa mudança que provocaram as mortandades de Tóquio (o bombardeamento incendiário), Hiroxima e Nagasáqui. Não foi propriamente para acabar a guerra.
Meu caro, uma coisa e a outra estarão sempre relacionadas.
Devemo-nos debruçar sobre o tema de vários pontos de vista, um deles é antes de mais a época. Não é correto comparar a mentalidade da época, os conhecimentos da época, os valores, a cultura e a inteligência, com a época actual.
Depois temos o ponto de vista militar. Uma guerra é para a ser ganha. E numa sociedade onde a influência militar era enorme, exemplo disso foi o sucessor de Truman, mais ainda.
Depois a questão económica e geoestratégica.
A guerra com o Japão não foi de iniciativa americana. A América foi atacada e foi-lhe declarada guerra. Como tal, seria inconcebível, depois de milhões de dólares gastos e milhões de vidas americanas perdidas, que se decretasse um cessar fogo. Isso seria inconcebível, porque a rendição incondicional permitia fazer exigências, criar condições para que os EUA fossem de alguma forma ressarcidos do esforço a que foram obrigados. Sem esquecer a presença dos mesmos no Pacífico, de forma a não voltarem a ser surpreendidos de novo. Para além de que, a rendição permitiu também fazer exigências a nível político no Japão. E foram essas mudanças a nível político e social exigidas durante a rendição que catapultaram o Japão para a potência que é hoje.
E já agora não se esqueça de outro pormenor importante. Um cessar fogo não termina uma guerra. Suspende-a. Adia-a. Mas não lhe coloca um ponto final. Veja as Coreias, ou até o Paquistão.
Como escreveu o inconveniente o japao da altura era mais ou menos o que é hoje a Coreia do Norte. Ainda vivem no seculo passado porque não se renderam, fizeram um cessar fogo com a coreia do sul.
Obrigarem o Japão a render-se foi a melhor coisa que fizeram aos japoneses. Por vezes os pais têm de morrer para salvar os filhos.
E os japoneses são muito sensatos, porque nunca mantiveram a raiva a remoer contra os americanos. Pelo contrário. Pois sabem bem que foi um mal necessário e é por causa desse mal que hoje são o que são.
Claro que sim.
Tanto que várias tropas continuaram a lutar no sudoeste asiático mesmo depois da rendição.
PS: casualidades?
O último combatente da II Guerra Mundial depôs as armas já na década de 70. Era um soldado japonês que viveu um quarto de século entrincheirado numa floresta das Filipinas. Mas antes desse houve muitos outros, que foram morrendo de causas naturais ou acabaram mortos pelos exércitos deste e de outros países vários anos após a assinatura do armistício.
Tal como é errado aplicar ao Japão de 1945 critérios de hoje, é igualmente errado aplicá-los a Saddam Hussein de 1990. Menos que os orientais mas muito mais que ocidentais, os árabes muçulmanos têm um conceito de perder a face (ou não perder) que por nos ser alheio não integramos facilmente nas nossas interpretações.
George Bush, na minha interpretação um republicano “fofinho” preocupado com o que dele pensariam, não quiz ultrapassar o mandato implícito na decisão das Nações Unidas e interrompeu as hostilidades.
Deixou assim Saddam Hussein com o seu poder intacto. Quer o poder militar pois os regimentos de elite da Guarda Republicana não foram batidos quer o político pois, resolvido o Koweit nunca foi posto em causa como dirigente do Iraque.
Ora George Bush, podia e devia ter prosseguido até Bagdad e forçado, não necessariamente uma mudança de regime mas uma mudança da sua chefia. Como motivo, bastar-lhe-ia declarar Saddam criminoso contra a humanidade por ter mandado incendiar os campo petrolíferos no Koweit causando a maior catástrofe ambiental provocada pelo homem nos tempos recentes.
Como consequência, Saddam ficou livre para propagar a ideia de que era invencível pois nem os americanos se atreveram a atacá-lo no Iraque. Ou, noutras instâncias internacionais, que os “demónios americanos” eram afinal um tigre de papel.
Isto teve consequências políticas e diplomáticas gravíssimas e, aqui já em interpretação pessoal, de tanto o dizer, até Saddam já nisso acreditava. Por isso atreveu-se a afrontar os americanos naquilo que eles não podiam tolerar e que provocou a invasão do Iraque por Bush filho. Depois foi o descalabro total. Bush filho correu com toda a administração, toda a polícia e todo o exército, deixando um país entregue à maioria xiita, sem quadros administrativos, policiais ou militares treinados, que ficaram na oposição e só eram contidos pela presença militar americana.
Finalmente Obama teve duas actuações “inexcedíveis”: retirou as tropas americanas que controlavam a oposição sunita do Iraque, e apoiou com dinheiro e armas a “oposição democrática” a Assad na Síria, igualmente sunita. Juntaram-se as duas, a “democrática” da Síria e a “anti-democrática” do Iraque e estava criado o Estado Islâmico sunita.
Mas Bush pai, ficou com a reputação de moderado a que aspirava. Com o estatuto de amigo pessoal de Clinton e citado como exemplo pelos democratas contra o filho e agora contra Trump.
Se fosse português acho que teria assinado a carta dos 57 mas, não sendo, pelo menos tem a aprovação do balio no “Delito”. Já é alguma coisa.
Para quem queira ler mais sobre o tema (refiro-me a Truman em 1945, não a Bush nem a Obama, que pertencem a outros filmes), aqui fica uma sugestão: B162/index.htm
https://nsarchive2.gwu.edu/NSAEBB/NSAEB
Se o Francisco Almeida não gosta do exemplo de George Bush I, posso dar-lhe outro: Israel venceu duas guerras (a de 1967, dita Guerra dos 6 dias, e a de 1973, dita Guerra do Yom Kipur) contra três países árabes, e em nenhuma dessas guerras procurou conquistar a capital de qualquer desses países árabes nem derrubar o regime político deles, embora pudesse, em termos estritamente militares, ter tentado fazê-lo.
No século 19, houve variadas guerras entre países da América Latina, nas quais territórios foram conquistados mas capitais não foram, nem regimes políticos foram alterados. Por exemplo, a guerra entre o Chile e a Bolívia, ou a Guerra da Tripla Aliança.
Os EUA poderiam ter feito o mesmo: vencido a guerra mas sem ocupar militarmente o território japonês nem impôr a mudança do regime político.
(Não estou a dizer que o devessem ter feito, estou só a dizer que essa era uma possibilidade, uma opção que tinham.)
Quer mesmo comparar? Acha comparável uma guerra que durou quase 4 anos, com guerras que duraram 6 e 20 dias?
O esforço, os motivos, a despesa, as mortes são incomparáveis.
Não faz o menor sentido, tal comparação.
“Vi recentemente um documentário sobre esse episódio da vida de Truman.
Perspetivava-se na altura, que o arrastar do conflito resultaria na perda de, no mínimo, 1,6 milhões de vida americanas e 2,5 milhões de vidas japonesas. Consequentemente, adiaria a recuperação da europa e impediria sine die a recuperação do Japão.”
Este comentário merece uma resposta à Truman: «Até onde chegaria Moisés se tivesse encomendado uma sondagem no Egipto?»
É uma excelente frase. Todos os políticos a deviam ter à cabeceira.
Caro Peregrino, as vítimas da bomba atómica comparadas com as do actual covid são incomparavelmente mais pequenas. Como tudo há o lado mau e lado menos mau das coisas. A primeira apesar de tudo evitou muitas mais mortes, a segunda apesar de muito mais vitimas, não está a provocar a destruição maciça de bens, como a primeira.
Truman foi confrontado com o mais doloroso dos dilemas: ou lançava a bomba que punha fim à guerra naquele Verão de 1945 ou deixava os combates prosseguir pelo menos até meados de 1946 à custa de pelo menos um milhão de vidas norte-americanas.
A verdade é que o interesse de experimentar a bomba falou mais alto!
A bomba já tinha sido experimentada. Em território americano, no deserto do Novo México.
Podia ter feito uma demonstração da bomba em território japonês mas num local com baixa densidade populacional (sobre uma base militar ou industrial afastada de grandes aglomerados civis, por exemplo).
Hiroxima era um relevante alvo militar. O Segundo Exército nipónico – encarregado da defesa de todo o flanco sul do Japão – tinha ali o seu quartel-general. Era igualmente um ponto estratégico em termos de comunicações e abastecimento de tropas.
Homens comuns são capazes de grandes coisas e homens extraordinários fazem grandes borradas.
É verdade.
uma excelente folha de serviços: a reconstrução da Alemanha e do Japão, o lançamento das Nações Unidas, a criação da NATO, o Plano Marshall, a inédita ponte aérea que permitiu salvar Berlim em 1949
Nem uma palavrinha sobre a sua decisão de pôr os EUA em guerra na Coreia. E nem uma palavrinha sobre as suas decisões de lançar bombas nucleares sobre cidades japonesas.
Antes de voltar a comentar tente ler com um pouco mais de atenção o que escrevi.
Li com atenção: você considera que um homem que mandou lançar sobre cidades duas bombas nucleares e mandou os EUA entrar em guerra na Coreia tem uma “excelente folha de serviços”.
Confirma, uma vez mais, que não leu o que escrevi.
Para a próxima faço um texto mais curto para você não ficar com dores de cabeça.
Sobre as bombas atómicas, já foi mais do que explicado, em relação à guerra da Coreia, também Kim-il-Sung deve ter ficado muito aborrecido por Truman lá ter resolvido colocar tropas americanas, além das da O.N.U. Já os sul-coreanos terão ficado agradecidos
Não digo que tenham sido decisões erradas, mas são certamente decisões que deveriam ser mencionadas como importantes e polémicas, e que são suscetíveis, pelo menos para algumas pessoas (que não, pelos vistos, para o Pedro Correia), de colocar uma grande mancha na “folha de serviços” de Truman.
Você até parece o finado Lavoura. Escreve tantos disparates como ele.
É como diz, Fernando. Um dos palcos essenciais da Guerra Fria (que começou aser ganha por Truman) foi precisamente a Coreia. Sem ele, toda a península coreana estaria há 70 anos asfixiada no totalitarismo que permanece na metade comunista, a Norte.
A guerra da Coreia serviu para proteger o Japão. Se não se fizesse um tampão a tempo, o Japão arriscava-se a ser atacado pela Coreia do Norte. E num momento em que o país se encontrava ainda a reabilitar e sem qualquer arsenal bélico, seria presa fácil dos coreanos.
Com a intervenção americana, a Coreia do Norte não conseguiu a expansão a sul e percebeu que tanto o sul como o Japão, se encontravam sob proteção dos americanos.
Como se costuma dizer, foi um abre olhos.
deitou-se […] depois de comer uma sanduíche de peru e beber um copo de leite
Coisas estranhas, altamente indigestas que ele comia antes de ir dormir.
Eu se comesse coisas dessas antes de me deitar não pregava olho durante duas horas, pelo menos.
Por isso você nunca chegará a presidente dos EUA.
Provavelmente nem a Presidente da Junta…
😂😂😂😂😂
Antes da caminha, é uma (boa) peça de fruta e um café com leite
Frutinha para dormir. Bem bom.
Muito bem colocado.
Vem um pouco a propósito, creio.
Bem visto, bem escrito e melhor lembrado, Pedro.
Excelente postal.
Obrigado, Maria Dulce.
Sinal dos tempos, creio que Trump é um homem comum.
Trump não é nem nunca foi um homem comum.
É a antítese disso.
Se você o diz. Eu consigo imaginá-lo com um chapéu de palha, macacão de ganga, palhinha nos beiços, em cima dum tractor.
Eu consigo imaginá-lo a comer comida plastificada, de dedos lambuzados, em cama de dossel e com roupão de seda enquanto consulta o canal bloomberg de manhã bem cedo.
Dá-lhe mais crédito que eu.
Não lhe dou crédito nenhum. Como qualquer filhinho do papá (e netinho do vovô), ele não faz a menor ideia do que custa ganhar a vida e amealhar dinheiro. Nesse aspecto é a perfeita negação do americano ideal, que obtém sucesso graças ao próprio esforço.
Trump nunca se esforçou para conseguir nada.
Insuperável este seu texto.
Muito obrigado pela parte que me toca.
Parabéns.
Amadeu Oliveira
Muito grato pelas suas palavras tão amáveis.
«…Sabe, por várias vezes os homens do Departamento de Estado tentaram esconder-me mensagens, atrasá-las, segurá-las de alguma forma, só porque alguns desses diplomatas de carreira não estão de acordo com aquilo que acham que eu sei.
Deviam estar a trabalhar para o Winston. Na verdade, na maior parte do tempo, eles estão (a trabalhar para Churchill). Pare de pensar neles: qualquer um deles está convencido de que a maneira da América conduzir a sua política externa é descobrir o que os Britânicos estão a fazer e depois copiá-lo!”. Disseram-me… há seis anos, para limpar o Departamento de Estado. É como se fosse o Ministério dos Negócios Estrangeiros Britânico…» – Franklin D. Roosevelt
Interessante nota de rodapé, sem dúvida.
Parece que Eisenhower discordava totalmente do uso da bomba antónia sobre o Japão. Segundo ele a guerra estava ganha e a bomba desnecessária e atroz….mas eu sou mais bolos 😎. Tudo de bom, Pedro
Para si também, Vorph.
Truman não foi o único responsável e não se trata de o demonizar. Digamos que não fizeram tudo o que era possível para não deitar a bomba em cima de duas (!) cidades. Talvez porque já se tinham habituado a incendiá-las. Infelizmente, não foram os únicos e na Europa os bombardeamentos das cidades também foram receita para deitar abaixo o ânimo “inimigo” (leia-se dos inocentes .
Houve incontáveis bombardeamentos na II Guerra Mundial que arrasaram cidades inteiras ou grande parte delas. Berlim, Varsóvia, Tóquio, Dresden, Coventry, Roterdão, Estalinegrado.
Uma curiosidade em nota de rodapé: na verdade, o “S.” no nome de Truman não corresponde a nenhum nome. Conforme o próprio terá explicado, ” In explanation he said that the “S” did not stand for any name but was a compromise between the names of his grandfathers, Anderson Shipp Truman and Solomon Young.” (https://www.trumanlibrary.gov/education/t rivia/use-of-period-after-s-truman-name)
Desconhecia esse pormenor – ou não me recordava já, o que vem a dar no mesmo. Agradeço-lhe a achega que aqui nos traz.