Gosto de acentuar isto numa época em que é moda bater nos políticos: nos meus anos de repórter parlamentar conheci vários deputados com grande estatura política, cultural e humana – deputados de todas as bancadas, do CDS ao Bloco de Esquerda.
Desses tempos, de que falarei um dia aqui em pormenor, guardei bons contactos e até algumas amizades para a vida. Tempos em que conheci Eduardo Azevedo Soares, agora falecido aos 69 anos. Foi ministro, secretário de Estado, vice-presidente e secretário-geral do PSD, além de parlamentar. Mantive com ele diversos contactos profissionais, por vezes a propósito de assuntos muito polémicos, e nunca o vi perder uma das suas características principais, que bem o definiam: era um gentleman. Assim o recordo, na hora triste da sua partida. Precisamente por ser um atributo cada vez mais raro na sociedade portuguesa, tomada de assalto nos últimos anos por uma fornada de “animais ferozes”.
No tempo dos gentlemen vivíamos melhor.


Tive dele sempre essa ideia que confirmas. Com toda a justiça.
A vida prega-nos partidas. Andava há imenso tempo para lhe telefonar, com a consciência pesada de sentir que estava em falta. Não sabia que estava doente e não tinha uma relação de proximidade, mas tinha dele também essa imagem. Perdemos um homem bom.
Perdemos um homem bom, sem dúvida. Não tenho a menor dúvida a esse respeito.
Muito bem!
Fez sempre parte de uma ala particularmente menos interessante do PSD, mas sim, foi tudo isso quanto diz o post e que acho fundamental na praxis política.
É fundamental, Laura. Ainda mais fundamental por ser uma característica cada vez mais rara.