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«Na véspera [16 de Junho], a previsão meteorológica passa para aviso laranja, o que implicaria o pré-posicionamento de meios, deslocação para as zonas de risco de viaturas de combate. Não foi feito. A partir do alerta para o 112, o incêndio acelera vertiginosamente, mas o que se vê é a desvalorização pela cadeia de comando do que os bombeiros iam reportando e os populares pedindo: ajuda, reforços, socorro. Devia ter sido accionado o que tecnicamente se chama ataque ampliado. Não foi feito. O posto de comando não é estruturado para a dimensão da tragédia, não é feito o reconhecimento da situação, não são enviados tanques pesados nem helicópteros bombardeiros, o fogo arde em três distritos e o plano nacional de emergência está ainda por activar. O presidente da Câmara aparece três horas depois, as comunicações falham e, quando não falham, são os operacionais que não as usam correctamente, entupindo canais, falta-lhes formação. Só 24 horas depois é que o Plano Distrital de Protecção Civil de Leiria é activado. O que estava lá a fazer o secretário de Estado, se tarda em activar o plano nacional? Quando a Protecção Civil assume o comando, às 22 horas, já há dezenas de mortos e de feridos.
Sim, tudo correu mal, mesmo tudo, do fundo ao topo da cadeia de comando. E isso é apenas parte da leitura possível, a que esquece o drama humano do outro lado da linha telefónica, a quem vão respondendo: não há meios disponíveis, não há meios disponíveis, não há meios disponíveis…»
Pedro Santos Guerreiro, no Expresso de hoje (sublinhados meus). Quinze dias depois da tragédia de Pedrógão, ainda ninguém assumiu responsabilidades públicas pelo mais mortífero incêndio de que há memória em Portugal.

«Na véspera [16 de Junho], a previsão meteorológica passa para aviso laranja, o que implicaria o pré-posicionamento de meios, deslocação para as zonas de risco de viaturas de combate. Não foi feito.
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só li até aqui…quantos incêndios existiram naquele dia !!! anda tudo a dar o tilt…
És como os macaquinhos da história. Não lês, não vês, não ouves. Fazes de conta que não morreram 64 pessoas em Pedrógão.
Preferes ficar ignorante, com a cabeça debaixo da areia.
Eu diria que temos seguidor da “doutrina Lavoura”, nada mais. E, como este, muitos: dependem do estado, deste estado (o “e” minúsculo é deliberado), e dirão e farão tudo para manter a sua situação.
Até culpar os mortos (o que na verdade é bem mais útil do que os ignorar). Sem dúvida uma das mais nobres, corajosas, tomadas de posição.
Pelos padrões vigentes.
Costa
O estado a que isto chegou.
Um ministério em que várias estruturas se enredam em jogos de passa-culpas; a ministra acotovela o secretário de Estado para aparecer na fotografia; 64 pessoas morrem e 354 ficam feridas, como se tivesse sido uma fatalidade inevitável; o director nacional da PJ anuncia ao País que tudo se deveu a uma árvore assassina felizmente já identificada; a ministra choraminga; ardem quase 43 mil hectares de floresta em três distritos e quase 200 habitações; 40 empresas param a actividade devido aos fogos; perdem-se 340 postos de trabalho; a ministra, obviamente, não se demite ; de um paiol nacional confiado ao exército são roubadas 120 granadas de mão ofensiva, 44 lança-granadas, 1500 munições de 9mm e quatro engenhos explosivos “prontos a detonar”; o ministro alega que “há falhas de segurança muito superiores”; a videovigilância neste paiol estava desactivada há dois anos; o roubo foi detectado só 22 horas depois por uma patrulha móvel; o ministro, obviamente, não se demite.
Tudo isto em menos de duas semanas.
Costa, se o vir, ao Sr. Lavoura, dê-me um toque!
Saudações!
Ó glória de falar! Ó vã perguiça
Desta vaidade, a quem chamamos Fama!
Ó fraudulento gosto, que se atiça
Querendo ignorar quem se perdeu na chama!
Que castigo tamanho e que justiça
Fazes em desconsiderar tamanha trama
Naquelas mortes, perigos e tormentas,
Que crueldades neles experimentas!
( Luís Vaz não se vai seguramente importar)
Estavas, ó Constança, posta em sossego,
De teus anos colhendo doce fruto,
Naquele engano da alma, ledo e cego,
Que o SIRESP não deixa durar muito…
Ninguém assumiu responsabilidades, ninguém pediu desculpas e a grande preocupação do 1º ministro foi nomear uma comissão para averiguar se a sua popularidade foi chamuscada pelas chamas ou maculada pelos mortos de Pedrógão e Castanheira de Pêra.
Entretanto, depois do roubo das pistolas dos policias em Fevereiro último, ontem soubemos do roubo de armas altamente perigosas de um quartel do Exército. E continuamos a não ouvir mais nada dos responsáveis, sucelência o presidente Marcelo incluído, do que “vamos averiguar até às últimas consequências”. Assumir responsabilidades é que nada.
Este governo de aviário consegue ser pior e descer mais baixo do que os IV e V governos provisórios, e este 1º ministro há-de deixar aos portugueses um rasto de destruição maior do que Vasco Gonçalves deixou.
Na hora da poesia cá vai da minha mestria: POEMA EM VERSO
PATÉTICO, IMPOSTOR,
FUNESTO, ASSUSTADOR.
ANEDÓTICO, FARSANTE,
CARICATO, HILARIANTE.
INTRUJÃO, GROTESCO,
RIDÍCULO, PITORESCO.
TRAPACEIRO, IRREAL,
ARGUTO, PARADOXAL
CÓMICO, INCONGRUENTE,
CAPCIOSO, REPELENTE.
ABSURDO, BURLESCO,
ARDILOSO, PICARESCO.
SINISTRO, MANHOSO,
FARSANTE, JOCOSO.
PÂNDEGO, IRREAL,
EMBUSTEIRO, IRRACIONAL.
HEDIONDO, CRAPULOSO,
INSOLENTE, INSULTUOSO.
INDECOROSO, PUNGENTE,
REPULSIVO, INDECENTE.
INDIGÊNCIA, CARIDADE
ARTIMANHA, PIEDADE.
MEDONHO, PERVERSO,
ATROZ, TUDO EM VERSO.
SE NÃO LHE ASSENTAR
FAÇA FAVOR DE RALHAR.
Portugal, só a banhos de Lava Jacto.