Miguel Urbano Rodrigues defende o indefensável. Sem que ninguém no seu partido (o PCP) se demarque disto:
"O Relatório Secreto de Khruchov trouxe um poderoso estímulo à campanha de demonização de Stalin.
A abertura dos Arquivos soviéticos e as memórias de marechais que desempenharam um grande papel na derrota militar do III Reich constituem o mais eficaz dos desmentidos a afirmações caricaturais desse Relatório que apresenta de Stalin a imagem de um dirigente que caíra em depressão com a invasão alemã e sem influência directa na condução da guerra patriótica.
A tese provocatória dos ‘monstros gémeos’, difundida por Ana Arendt e outros escritores anticomunistas, não passa de uma grotesca operação de marketing político. Mas continua a ser tempero utilizado nas campanhas de satanização de Stalin.
Losurdo chama a atenção para o protagonismo que Arendt mais uma vez assumiu nessa ofensiva, na tentativa de forçar um paralelo entre a Alemanha nazi e a URSS Staliniana.
A escritora sionista pretende iluminar "a origem do totalitarismo", mas na realidade o seu ensaio agride a História, configurando aquilo a que Lukacs chama o assalto à razão."


Uma grotesca operação de marketing político?? Espantoso.
O camarada MUR critica Krutchov por este ter ousado criticar Estaline em 1956. Inacreditável como em 2009 ainda há quem escreva coisas destas.
José Estaline, esse inocente menino de coro injustiçado pelos anti-comunistas… não há direito.
Ana Arendt? Mesmo? Deve ser o uso criativo da linguagem. 🙂
Essa ‘escritora sionista’ que ‘agride a História’… Um bom estalinista acha-se sempre no direito de deturpar alguma coisa – dos nomes das pessoas à realidade histórica.
Passando pelos campos de concentração e pela matança de seres humanos.
O Resistir.info é a versão vermelha do Inimigo Público!
A História escreve-se quando podemos estender o olhar distanciado dos factos. Uma verdade que só não o é para Miguel Urbano Rodrigues e alguns do mesmo quilate: para perto têm vista cansada, para longe sofrem de miopia convicta.
Posso assinar por baixo, João? Só acrescentaria um pequeno detalhe : os do “mesmo quilate” encontram-se em todos os partidos, desde o CDS/PP até ao PCP.
Claro que entre MUT e os outros há uma grande diferença… Enquanto MUT tem uma visão distorcida da História, alguns fundamentalistas doutros partidos querem construir a História com premissas de mentira, porque a miopia lhes coarctou o discernimento.
Se assinares o meu, assino o teu. Hehe…
É isso mesmo, João. Admite-se – é humano – que haja interpretações distorcidas quando os ânimos ainda estão inflamados e as emoções ao rubro. Mas com tantos anos de distância e muita história pelo meio, é inadmissível esta miopia ideológica.
Podia, pelo menos, acertar no nome
Poder, podia… mas não era a mesma coisa.
Também já defendeu o indefensável em relação às soit disant heróicas FARC.
Pois já. Envergonhando muita gente do seu próprio partido.
No prefácio às Origens do Totalitarismo, Hannah Arendt diz o que pensa acerca da ‘compreensão filosófica’ de que fala este senhor: The conviction that everything that happens on earth must be comprehensible to man can lead to interpreting history by commonplaces . Comprehension does not mean denying the outrageous , deducing the unprecedented from precedents , or explaining phenomena by such analogies and generalities that the impact of reality and the shock of experience are no longer felt . It means , rather , examining and bearing consciously the burden which our century has placed on us – neither denying its existence nor submitting meekly to its weight . Comprehension , in short , means the unpremeditated , attentive facing up to, and resisting of , reality – whatever it may be .”
Quanto ao seu sionismo, anti-comunismo e neo-liberalismo , talvez fosse bom que, antes de opinarem baseadas no ouvir dizer e nas generalizações fast-food que por aí andam, pessoas como o autor desse ‘maravilhoso’ texto começassem por ler as suas obras com a atenção que merecem, pois talvez descobrissem alguém cujo pensamento tem mais afinidades com a Esquerda do que se diz. O único problema é que, em si mesmo, o pensamento de Hannah Arendt não é facilmente arrumado em prateleiras pré-existentes, e isso pode ser difícil de aceitar para quem debita em vez de pensar, característica que, infelizmente, é comum à maioria dos intervenientes políticos actuais, independentemente da sua simpatia partidária, orientação ideológica ou posicionamento político.
Nota: praticamente desde que exerço o direito de voto, exerço-o votando no PCP, mas não abdico de pensar por mim mesmo, tal como Arendt nunca abdicou, mesmo sendo casada com um Comunista – co-autor silencioso de Origens – e tendo acompanhado com grande interesse algumas experiências de esquerda que tiveram lugar na Europa Central e de Leste. Enfim, esta é mais uma daquelas situações em que ‘a Esquerda é o que eu acho; todos os que pensam de forma diferente são reaccionários’.
Esta foi de folego!
Aplaudo a reflexão que aqui nos deixou, MP.
Inacreditável é a tua ignorância: se não sabes, inúmeros historiadores norte-americanos demonstram hoje a falsidade do que foi imputado a Stáline. Mas tu mesmo és o que se convencionou chamar stalinista, porque criticas o MUR – ai que pena não poderes impedi-lo de escrever – como se o contrário do que ele defende fosse dogma.
Educa-te, pá: olha que o anticomunismo cavernícola faz rugas.
Ser grosseiro não te dá direito a resposta detalhada. Educa-te, pá: olha que o comunismo primário já é coisa de velhos.